Bom dia! Hoje é 9 de novembro de 2021 e este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias do dia
A conta finalmente chegou aos exportadores de carne bovina. O embargo às vendas para a China que deveria, mas não foi cumprido em setembro, surtiu efeito no último mês de outubro. Sem poder vender ao país asiático, os embarques de carne bovina tiveram o pior desempenho mensal desde junho de 2018. Naquela época, as vendas externas foram atingidas pela greve dos caminhoneiros, que parou o Brasil por mais de uma semana, impedindo a chegada de cargas aos portos.
- Os dados do Ministério da Economia mostram que as exportações do mês passado somaram 85,9 mil toneladas. O volume representa uma retração de 48,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 166,4 mil toneladas. Em relação a setembro deste ano, quando teve início o embargo e ainda assim as exportações bateram recorde, com 191,02 mil toneladas embarcadas, a queda foi de 55%.
- A retração nas exportações do mês passado está em linha com o peso que o mercado chinês tem para os frigoríficos brasileiros. De modo geral, a China é o destino de metade de toda carne bovina exportada pelo Brasil, tendo representado fatias ainda superiores a 50% em alguns meses, como tem ocorrido desde maio deste ano. Em dezembro do ano passado, por exemplo, os chineses compraram 60% de toda carne vendida pelo Brasil.
Mesmo com o embargo imposto pelo Ministério da Agricultura do Brasil em 4 de setembro deste ano, após a confirmação de dois casos atípicos de ‘vaca louca’, foram embarcadas para a China em outubro 8,2 mil toneladas de carne bovina. O volume representa uma queda de 90% em comparação a outubro de 2020, quando os chineses receberam 84,6 mil toneladas de carne brasileira.
Na trilha dos Mercados
A ausência de catalisadores de peso nos mercados financeiros abre a janela para um descanso depois da maratona de valorizações – a questão é se os investidores vão querer esse respiro até o final da jornada.
Nesta manhã, tanto as bolsas europeias como os futuros de índices nos Estados Unidos abriram no negativo. Porém, pouco a pouco esse movimento foi se desvanecendo e alguns indicadores já mudam de rumo.
Considerando as operações das últimas semanas, não seria de se estranhar que o mercado de renda variável retomasse a inércia de alta. Para se ter uma ideia, o S&P 500 encadeou oito sessões consecutivas de avanços, a mais longa sequência ganhadora desde abril de 2019.
Se hoje este índice fechar no azul, marcará a mais duradoura sequência de altas desde novembro de 2004. São 17 de 19 dias fechando no positivo, algo que não ocorria desde dezembro de 1971.
Choque de realidade
Este forte movimento de valorização das bolsas se dá em um contexto em que a inflação ameaça economias em todo o globo. Amanhã, os Estados Unidos divulgam seus dados inflacionários ao consumidor, que na última medição marcou 5,4%. Analistas aguardam um número próximo a 5,8%. O Federal Reserve (Fed) já deixou claro ao mercado que não tem intenção de alterar os juros básicos no curto prazo, pois considera este repique inflacionário algo pontual, percepção que passou a ser aceita por mais economistas.
Por outro lado...
As notícias sobre os novos tratamentos para os casos de Covid-19 alentam o mercado, já que a perspectiva de novos isolamentos e seu consequente impacto econômico fica cada vez mais distante. Além disso, o sentimento de otimismo tem respaldo da aprovação, pelo Congresso dos EUA, do plano de US$ 550 bilhões para a infraestrutura, o maior pacote dos EUA em décadas.
Paira uma dúvida no ar
No mais, as especulações em torno do próximo dirigente do Federal Reserve (Fed) adicionam volatilidade aos negócios. Lael Brainard, atual governadora do banco central norte-americano, foi entrevistada para o cargo de presidente, quando visitou a Casa Branca na semana passada, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões.
O movimento sinaliza que o presidente do conselho do Fed, Jerome Powell, tem uma rival importante, uma vez que o presidente Joe Biden está para escolher quem vai liderar o Fed nos próximos quatro anos. Powell e Brainard são as únicas pessoas que apareceram publicamente como candidatos à presidência do Fed. O mandato atual de Powell nesse cargo expira em fevereiro e Biden disse em 2 de novembro que tomaria uma decisão “bastante rápido”.
No radar
- Dados de IPP de outubro e Núcleo do IPP nos Estados Unidos (10h30 de Brasília)
- Discurso de Christine Lagarde, Presidente do BCE (10h00)
- Discurso de Powell, Presidente do Fed (11h00)
- Alemanha: pesquisa ZEW de novembro e balança comercial de setembro
- China: financiamento agregado, estoque de dinheiro, novos empréstimos em yuan, hoje (9)
- China PPI, amanhã (10)
- Estoques do atacado nos EUA, CPI, pedidos iniciais de desemprego amanhã (10)
- O Comitê Central do Partido Comunista da China inicia hoje reunião que se estende até 11 de novembro
- O mercado de títulos da dívida dos EUA fecha na quinta-feira (11) pelo Dia dos Veteranos
Destaques da Bloomberg Línea
- Alphabet, controladora do Google, chega a US$ 2 tri após a alta deste ano
- Bitcoin atinge novo recorde, ultrapassando pico de outubro
- Hong Kong vira maior cliente da carne bovina do Brasil
- Cosan e Porto Seguro se juntam para oferecer locação de veículos
Também é importante
- Para Vikram Pandit, presidente do conselho da Orogen Group e ex-CEO do Citigroup, todas as grandes instituições financeiras em breve irão considerar a negociação de criptomoedas.
- Alertas de bolha soam mais alto depois de uma semana de sinais “dovish” de bancos centrais, que resultaram nas condições financeiras mais frouxas em quase quatro décadas. Rick Rieder, da BlackRock, e Mohamed El-Erian, da Allianz, estão entre os que alertaram sobre os crescentes riscos sistêmicos, a menos que autoridades monetárias tomem medidas mais decisivas para limitar o estímulo da pandemia.
- A ação da Tesla chegou a registrar a maior queda em oito meses depois que seguidores de Elon Musk no Twitter votaram a favor da venda de 10% de sua participação em uma consulta feita pelo próprio fundador da fabricante de carros elétricos.
- As montadoras fecharam o pior outubro do setor nos últimos cinco anos, com uma queda de 24,8% da produção na comparação com o mesmo mês do ano passado. A culpa foi, de novo, do “apagão dos insumos”, decorrente dos gargalos da logística mundial com a pandemia da Covid-19.
Opinião Bloomberg
A cadeia de produção da Nutella mostra como a globalização precisa de melhora. Cerca de 400.000 toneladas são produzidas todos os anos por uma cadeia de abastecimento que atinge quase todos os continentes. No entanto, essa rede trouxe consequências. As acusações de que trabalho infantil estava sendo usado em fazendas de avelã na Turquia levaram a Ferrero, que controlava a Nutella, a aumentar a rastreabilidade de seus suprimentos em 2019.
Pra não ficar de fora
A semana começou no país com uma incerteza relevante sobre o futuro da relação entre o governo do presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional.
Na sexta à noite, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu, provisoriamente, a execução das chamadas emendas do relator – um instrumento orçamentário que permite ao governo realizar despesas indicadas por deputados e senadores. Neste ano, a verba total para esse tipo de despesa é de R$ 16 bilhões.
Chamado de “orçamento secreto” por não serem discriminadas claramente nos sistemas de execução orçamentária, esse tipo de emenda foi contestado por partidos de oposição junto ao STF e seu futuro depende agora de uma decisão do plenário da corte que deve sair até as 23h59 desta quarta (10). A votação no plenário virtual do Supremo ocorre sem sustentação oral pelos ministros.