promo
Viagens

Mercado aéreo argentino só deve se recuperar em meados de 2022

Pablo Ceriani, que comanda a Aerolíneas Argentinas, disse que os voos para destinos turísticos dentro do país têm se recuperado mais rápido do que o esperado

Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O presidente da maior companhia aérea da Argentina espera que as operações domésticas voltem aos níveis pré-pandemia até julho do ano que vem.

Pablo Ceriani, que comanda a Aerolíneas Argentinas, disse que os voos para destinos turísticos dentro do país, da Patagônia, no sul, até as Cataratas do Iguaçu, no nordeste, têm se recuperado mais rápido do que o esperado, à medida que o país emerge de um dos lockdowns mais longos e mais rigorosos da América Latina. Ceriani disse que ainda vê espaço para recuperação nos destinos internacionais.

“Estamos operando em cerca de 20% a 30% dos níveis pré-pandemia na Europa e na América Latina”, disse Ceriani em entrevista por telefone de Bogotá, onde participava do fórum da Alta Airlines. “Temos que ver como os passageiros reagem aos certificados de vacina.”

A segunda maior economia da América do Sul adotou medidas rígidas de viagens durante a pandemia com a suspensão de quase todos os voos domésticos e internacionais durante meses. O país eliminou um limite diário de entrada de passageiros implementado anteriormente este ano e turistas estrangeiros serão autorizados a entrar no país a partir de novembro.

A Argentina distribuiu cerca de US$ 600 milhões em subsídios no ano passado para manter a estatal aérea à tona, uma prática que antecede a pandemia. Ceriani disse que sua expectativa é de que que o subsídio anual para 2021 seja menor do que no ano anterior, e não forneceu uma estimativa de quando a operadora planeja atingir o ponto de equilíbrio.

Veja mais: Gol e Azul brigam pela liderança do mercado; Latam avança

A estatal argentina depende de subsídios desde que foi nacionalizada em 2008, mas a lacuna foi ampliada por uma recessão de três anos, inflação de dois dígitos e altos preços do petróleo. Os arrendamentos de combustível e de aviões, que estão entre os maiores custos das companhias aéreas, são pagos em moeda forte, um problema extra na Argentina, onde o peso mostra um dos piores desempenhos entre moedas de mercados emergentes, apesar dos rígidos controles de capital.

Ainda assim, a empresa não planeja reduzir a frota de 78 aeronaves de passageiros, e Ceriani acrescentou que o principal desafio para players do mercado doméstico, incluindo aéreas de baixo custo, são as “restrições de infraestrutura”.

“Há muita demanda nos principais aeroportos, mas estão muito congestionados, e não há muita capacidade disponível”, afirmou.

Câmera lenta

Na América Latina, companhias aéreas devem registrar perdas acumuladas de US$ 5,6 bilhões este ano e de US$ 3,7 bilhões no próximo, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). A recuperação no mercado doméstico da Argentina está quase em linha com o ritmo em outros lugares. As viagens domésticas devem retornar aos níveis pré-pandemia no próximo ano, enquanto as internacionais corresponderão a 44%, disse o direto-geral da IATA, Willie Walsh.

“Acabamos de passar pelos dois piores anos da história do setor”, disse Walsh em entrevista. “Mas as restrições sendo removidas estão fazendo a diferença.”

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Brasileiro bebe mais cerveja e lucro da Ambev cresce acima do esperado