Por Gino Matos para Mercado Bitcoin
São Paulo – As contas digitais com lastro em criptomoedas têm ganhado cada vez mais espaço no mercado brasileiro, puxadas pelo crescimento acelerado das contas digitais. O aumento do número de correntistas interessados nessas contas acabou beneficiando diretamente as criptomoedas, avalia Guto Antunes, CEO do Meubank, banco digital do Grupo 2TM, holding do Mercado Bitcoin, maior plataforma de ativos digitais da América Latina.
“Nossa versão beta do aplicativo teve uma fila de espera grande para testar a integração entre o mercado de produtos financeiros tradicionais e a nova economia digital”, diz Antunes. A versão beta foi lançada em abril deste ano.
Pesquisa divulgada em julho último pela Akamai Technologies, empresa de segurança digital e soluções em nuvem, com sede nos Estados Unidos, apontou que o número de contas digitais no Brasil, em 2021, já representa 31% do total de contas bancárias. No ano passado, respondiam por 14%.
Parte do crescimento das contas digitais com suporte para criptomoedas se deve à maior participação dos ativos digitais entre as preferências dos investidores. Hoje, as criptomoedas são a terceira opção mais buscada para aplicação, segundo estudo da Hasdex, fintech especializada na gestão de criptoativos, elaborado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
João Marco Braga da Cunha, gestor na Hashdex, diz que as diferentes oportunidades de investimento oferecidas pelo mercado de criptomoedas, como jogos e NFTs – os tokens não fungíveis – , despertam no investidor a necessidade de ter uma carteira com suporte para ativos digitais. Ele ressalta, no entanto, que, quando o assunto são criptomoedas, as aplicações por meio de instrumentos financeiros como os fundos de investimento ETFs ainda se mostram uma alternativa mais segura, embora reconheça a praticidade que as carteiras com suporte para moedas digitais oferecem aos usuários mais assíduos.
“Com o tempo, novas aplicações como essa surgirão e se tornarão mais populares, fazendo sentido para o usuário ter uma carteira digital para consolidar seus ativos digitais de maneira prática”, explica Cunha. O gestor também avalia que iniciativas como as contas digitais são importantes para a adoção de criptomoedas. Para ele, quanto mais simples forem os serviços de carteiras digitais envolvendo suporte para as moedas digitais menor será a barreira para a entrada de novos usuários nesse mercado, impactando positivamente em sua adoção.
Crescimento incipiente
A expectativa para o crescimento do uso das carteiras digitais no curto prazo é positiva na opinião de Antunes, do Meubank. O executivo diz que, em 2022, o Meubank deverá implementar uma experiência entre seus usuários, chamados de “fãs”, que classifica de “completa”.
“Será possível comprar, vender, trocar e transferir criptoativos dentro de funcionalidades inspiradas nos hábitos diários de nossa base de clientes. Tornaremos eles ainda mais fãs dessa experiência. Seremos a Netflix dos ativos digitais, levando essa experiência de banco e carteira digital de forma ampla e intuitiva, para todas as idades, onde quer que nosso fã esteja”, diz.


