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Mercados

Principal do dia: reações ao 7 de Setembro devem marcar ritmo do pregão

Breakfast: No exterior, mercados operam mistos, de olho em indicadores; México é sacudido por tremor de 7,1 graus na escala Richter

Mercados da Ásia e da Europa ficam mistos
08 de Setembro, 2021 | 08:44 am
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg Línea — Passadas as manifestações do 7 de Setembro, que pressionaram os mercados brasileiros na última semana, o foco dos investidores deve ficar na resposta do Congresso e do Judiciário ao movimento liderado pelo presidente Jair Bolsonaro e na articulação política em torno das reformas econômicas.

Ontem, cerca de 2,4 milhões de pessoas, segundo a Polícia Militar, se reuniram nas ruas do Brasil para demonstrar apoio ao governo Bolsonaro. Nos dois discursos, um em Brasília e outro em São Paulo, o presidente aumentou o tom dos ataques ao Supremo Tribunal Federal, citando os ministros Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha” e Luís Roberto Barroso, a quem acusou de “patrocinar uma farsa” no TSE.

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Para economistas e analistas políticos ouvidos pela Bloomberg Línea, o apoio demonstrado por alguns grupos ao presidente não deve mudar o cenário político atual, mas a resposta das instituições como o Congresso e o próprio STF devem ser observadas de perto.

Enquanto isso, lá fora, os mercados asiáticos fecharam mistos, enquanto os futuros americanos caíam, estendendo o movimento da véspera, de olho em novos sinais sobre o andamento da economia dos EUA.

  • Futuros americanos caem, com Dow Jones (-0,17%), S&P 500 (-0,11%) e Nasdaq (-0,06%). Ontem, os dois primeiros índices fecharam em queda, com ações de tecnologia segurando uma leve alta do Nasdaq.
  • Bolsas asiáticas fecharam mistas: Tóquio/Nikkei 225 (+0,89%), Hong Kong/Hang Seng (-0,12%) e Xangai (-0,04%).
  • Por aqui, na segunda, o Ibovespa fechou em alta de 0,75%, aos 117.815 pontos. O dólar fechou em queda de 0,37%, a R$ 5,17, refletindo a cautela doméstica antes do 7 de Setembro

Direto de Brasília (e outros lugares)

  • Em um discurso de pouco mais de 20 minutos na avenida Paulista, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aumentou o tom dos ataques ao Supremo Tribunal Federal feitos pela manhã em Brasília, citando nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha”, e Luís Roberto Barroso, a quem acusou de “patrocinar uma farsa” na eleição de 2022.
  • Bolsonaro pregou a desobediência às decisões judiciais de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal do inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos e a difusão de fake news.
  • Executiva-nacional do PSDB deve se reunir nesta segunda para discutir se formalmente passa a apoiar o impeachment do presidente. Os governadores que são pré-candidatos, João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), passaram a defender publicamente o afastamento. Há resistências internas. Gilberto Kassab (PSD) divulgou nota ontem dizendo que seu partido também vai discutir o afastamento do presidente.
  • Olho nas reações de Arthur Lira (PP-AL). O presidente da Câmara não se manifestou sobre as ameaças do presidente ontem.
  • Segundo o jornal O Globo, no início da sessão do STF desta quarta, o presidente do tribunal, ministro Luiz Fux, fará um pronunciamento para rebater os novos ataques do chefe do Executivo.
  • Economistas e analistas ouvidos pela Bloomberg Línea disseram que os discursos do presidente deve afetar a negociação sobre os precatórios no ano que vem. Fux havia sinalizado ao governo uma saída limitando o tamanho destas despesas no Orçamento do ano que vem, fator fundamental para abrir espaço para o novo Bolsa Família. Na peça enviada pelo governo, a previsão com gastos de precatórios é de R$ 89 bilhões.

Enquanto você dormia

O preço do Bitcoin registrou quedas de mais de 10% nesta terça, perdendo o patamar de mais de US$ 52.000 da véspera, o maior nível desde maio, e recuando para a casa dos US$ 46.000. O movimento acontece ao mesmo tempo em que El Salvador passa a adotar a criptomoeda como uma moeda legal, sendo o primeiro país a tomar tal decisão.

As manchetes dos jornais:

  • Valor: Bolsonaro usa tom golpista para pregar desobediência
  • Folha: Radicalização de Bolsonaro fragiliza base no Congresso, que deve devolver MP das fake news
  • Estadão: Mourão ganha respaldo do centro em caso de impeachment; Lira mira cassação da chapa no TSE
  • O Globo: Em reunião privada, ministros do STF mostram indignação com discursos de Bolsonaro; Fux fará pronunciamento
  • NYT: Cameras, Drones and X-Ray Vans: How Sept. 11 Transformed the N.Y.P.D.
  • WSJ: Stock Futures Drop, Pointing to S&P 500 Extending Slide
  • Washington Post: Biden surveys Ida damage, warns of a climate-change ‘code red’

Agenda do dia

  • Jair Bolsonaro: Reunião com Pedro Cesar Sousa, Subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência.
  • Paulo Guedes (Economia): Reuniões com o secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Roberto Fendt; com o Secretário Especial da Receita Federal, José Tostes.
  • Roberto Campos Neto (BC): Videoconferência, na 15th Annual LatAm Equities Conference, promovida pelo Credit Suisse.

Para não ficar de fora

Um forte terremoto sacudiu as regiões centro e sul do México na noite desta terça-feira, causando ao menos uma vítima em Acapulco. O epicentro do tremor de 7,1 graus foi sentido na Cidade do México, a 300 quilômetros de distância. Leia mais aqui.

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.