Nova estratégia pode reduzir compras de ativos pelo Banco Central Europeu

No mês passado, as autoridades prometeram não aumentar os custos de empréstimos até que os preços ao consumidor demonstrem avanço sustentável ao ritmo de 2% em 12 meses

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Bloomberg — Representantes do Banco Central Europeu concluíram em julho que sua nova estratégia para a inflação e as mudanças no compromisso com a trajetória futura dos juros poderiam reduzir a necessidade de uma política monetária extremamente expansionista.

No mês passado, as autoridades prometeram não aumentar os custos de empréstimos até que os preços ao consumidor demonstrem avanço sustentável ao ritmo de 2% em 12 meses. Esse novo tom levou investidores a adiar as previsões para a alta dos juros na Zona do Euro.

A nova orientação “não implica necessariamente juros baixos por mais tempo se, em última instância, conseguir ancorar as expectativas de inflação à meta, como pretendido”, segundo um relato do encontro do BCE nos dias 21 e 22 de julho.

A interpretação é que as atualizações do BCE reduzem “o risco de possíveis efeitos colaterais, já que devem ajudar a encurtar o período de juros muito baixos e, tudo mais constante, reduzem o volume necessário de compras de ativos”.

Atualmente, a definição é que as compras de títulos de dívida continuarão até pouco antes de o BCE começar a subir os juros. O Conselho Geral do BCE decidiu deixar as alterações na trajetória planejada de compra de títulos para uma de suas próximas reuniões. Isso gerou preocupação internamente de que o BCE pode estar assumindo um compromisso muito longo.

“Foi notado que uma recalibragem da orientação futura para os juros pode ser erroneamente percebida pelos participantes do mercado como algo que necessariamente implica um período mais longo de compras líquidas de ativos devido à ligação entre a orientação para os juros e a orientação futura para o programa de compra de ativos”, de acordo com o relato.

Nova estratégia

A discussão no Conselho do BCE em julho marcou o início do alinhamento da política da instituição à nova estratégia após uma revisão de um ano e meio.

No início daquele mês, as autoridades elevaram a meta de inflação de “abaixo, mas perto de 2” para 2%.

O economista-chefe, Philip Lane, disse em seguida que as mudanças nos planos para os juros representam apenas um primeiro passo na adaptação das políticas da instituição às conclusões da revisão.

De acordo com o relato, alguns integrantes do BCE preferiam uma promessa ainda mais contundente sobre os custos dos empréstimos em julho.

“Intensificar a orientação futura agora e reduzi-la depois, quando necessário, seria melhor para a credibilidade do que precisar ampliar a orientação mais tarde”, argumentaram essas pessoas, de acordo com o resumo da discussão.

Separadamente, “foi feita uma sugestão para incluir cláusulas condicionais na orientação futura como meio possível para melhorar a credibilidade” e “mitigar os riscos à estabilidade financeira”.

A próxima reunião de política monetária será em 9 de setembro, quando novas projeções econômicas serão apresentadas e as autoridades poderão reavaliar a velocidade das compras de ativos.

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