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Agro

Brasil faz primeira exportação de etanol usando sistema de dutos

Exclusivo: Operação realizada pela Logum embarcou 40 milhões de litros do biocombustível que saíram de Uberaba e Ribeirão Preto para serem carregados no porto de Ilha D’Água, no Rio de Janeiro

Logum Logística nasceu 2011 para construir e operar um sistema logístico de transporte de combustíveis e biocombustíveis por meio de dutos. O etanol é captado em terminais e transportado por esses dutos que interligam as principais regiões produtoras do país aos grandes centros de consumo e portos
23 de Agosto, 2021 | 02:39 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — Há 10 dias, o Brasil realizou a primeira exportação de etanol usando um sistema privado de dutos. Orquestrado pela Logum Logística, parte do biocombustível foi embarcado em Uberaba, recebeu um complemento em Ribeirão Preto e seguiu para o porto da Ilha D’Água, no Rio de Janeiro, passando antes por Paulínia e Guararema. No total, 40 milhões de litros de etanol partiram para a Califórnia.

“A utilização de um sistema dutoviário para a exportação de etanol representa um verdadeiro marco na construção da logística eficiente em nosso país. E a Logum está contribuindo para uma página desta história. Economizamos 800 viagens de caminhões, que seriam necessárias para fazer o transporte desse volume de etanol”, disse Wagner Biasoli, diretor-presidente da Logum, entrevista à Bloomberg Línea.

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Veja mais: Estiagem faz produção de etanol do Brasil encolher 10,8%

A escolha da Califórnia não foi por acaso. O Estado americano adota um sistema de prêmios pelo uso de biocombustíveis no setor de transportes, que varia desde o sistema de plantio adotado, passando pela logística até chegar ao consumidor final nos Estados Unidos. De acordo com a qualificação obtida junto ao governo californiano, os prêmios podem chegar a até US$ 8 para cada mil litros.

“Isso torna o etanol de cana do Brasil competitivo em comparação ao próprio etanol de milho produzido dentro dos Estados Unidos. E ainda não conseguimos incluir em nossa qualificação o fato de usarmos o sistema dutoviário”, afirma Biasoli.

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Ponto de recebimento do biocombustível foi inaugurado em 2013 após investimento de R$ 2 bilhões, que também interligou o município à cidade de Paulínia por meio de dutosdfd

Por que isso é importante: As exportações brasileiras de etanol vem crescendo nos últimos anos. Em 2020, o Brasil embarcou 2,67 bilhões de litros do biocombustível, volume quase 40% maior do que o registrado no ano anterior, segundo dados do Observatório da Cana. Em 2021, os embarques somam 1,22 bilhão de litros, 9% a mais do que o exportado no mesmo período do ano passado. No ranking dos principais destinos do biocombustível brasileiro estão Coreia do Sul (36%), Estados Unidos (23%), Índia (6%), China (5%) e Países Baixos (5%).

Contexto: O projeto de criação de dutos para transporte de etanol teve início há dez anos, quando a Logum foi criada. A primeira etapa do investimento de R$ 2 bilhões foi entregue em 2013, com a inauguração de um terminal de recebimento em Ribeirão Preto e a construção de um duto de 207 quilômetros até Paulínia. A segunda etapa entrou em operação dois anos mais tarde, em 2015, com a construção de um terminal em Uberada e a ligação da cidade mineira até Ribeirão Preto, com mais 143 quilômetros de polidutos.

Veja mais: Milho ganha importância na produção de etanol do Brasil

Uma segunda onda de investimento, no montante de R$ 1 bilhão, se fez necessária com a identificação de que a infraestrutura da Petrobras não seria suficiente para suportar o crescimento da demanda. Em 2019, começou a ser construída a malha dutoviária de 92 quilômetros ligando Guararema, passando por Guarulhos, onde um novo terminal já está pronto, e chegando até São Caetano. A expectativa é que todo o sistema seja entregue até setembro deste ano. A segunda fase do projeto paulista de dutos vai ligar Guararema até São José dos Campos.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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