Bloomberg Línea — A Amazon Web Services (AWS) recebeu como “ótima notícia” a aprovação do Redata, o regime especial de tributação para data centers aprovado em votação no Senado na terça-feira (1º) e que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para a vice-presidente da AWS na América Latina, Paula Bellizia, o projeto — que susta e depois zera tributos como IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação sobre equipamentos destinados a data centers — coloca o país “no radar dos investimentos globais” num momento em que a corrida por infraestrutura de nuvem e IA se intensifica.
“Nós temos uma oportunidade gigante. Agora, ter certeza de como vai ser aplicada é que vai ser a grande questão”, afirmou a executiva, se referindo ao modelo como o regime será regulamentado, durante uma entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (2), antes da abertura de um evento da empresa em São Paulo nesta semana.
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O Redata foi criado por medida provisória pelo governo federal, perdeu a validade em fevereiro e foi retomado como projeto de lei, aprovado pela Câmara ainda no início do ano. A versão que passou pelo Senado, sob relatoria do senador Cid Gomes, manteve o mérito do texto da Câmara para evitar uma nova tramitação.
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Os projetos de data centers precisam fazer o uso de energia de fonte renovável, como solar e eólica. No Senado, foi incluída ainda a oferta de energia de “baixa emissão”, abrindo espaço para o gás natural.
O governo estima uma renúncia fiscal de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026, caindo para R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes. Entre as condições de acesso, as empresas interessadas também precisam estar em dia com os tributos federais.
A aprovação do projeto é apenas uma parte do problema de competitividade tributária, porque trata apenas do imposto federal. A parcela estadual, o ICMS, depende de uma segunda frente, negociada no Confaz, o órgão colegiado formado pelos Secretários de Fazenda de todos os Estados, do Distrito Federal e presidido pelo Ministro da Fazenda.
No conselho, se discute a redução de até 90% da alíquota sobre equipamentos de data center. Essa proposta está parada desde o ano passado e o estado de São Paulo, autor do texto, havia retirado o item da pauta do colegiado à espera da aprovação do Redata. Uma reunião do grupo técnico do Confaz sobre o tema está marcada para esta sexta-feira, dia 4.
Quinze anos de operação
A AWS opera no Brasil desde 2011, quando construiu no país a oitava região de nuvem do mundo da companhia — a primeira da América Latina. Bellizia lembra que a empresa já investiu US$ 3,8 bilhões em infraestrutura e anunciou mais US$ 1,8 bilhão em 2024, somando US$ 5,6 bilhões anunciados para o Brasil.
A conta regional é maior, somando US$ 5 bilhões anunciados para uma região no México em 2025 e outros US$ 4 bilhões previstos para uma futura região no Chile. O volume total investido pela AWS na América Latina chega a US$ 14,6 bilhões.
Mesmo com o avanço do Redata, a executiva evita prometer novos anúncios imediatos de investimento atrelados à lei.
“Não temos nada para anunciar hoje, mas o nosso compromisso com o Brasil está dado. De novo, a oitava região do mundo a ser construída foi o Brasil, nós temos milhares de clientes que estão escolhendo a AWS no Brasil e alguns dos principais clientes que são líderes de indústria conosco”, afirmou Bellizia.
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Questionada sobre o impacto ambiental da expansão de data centers, a executiva afirmou que a meta da AWS é atingir o patamar “water positive” (devolver mais água do que consome) até 2030, e que novas regiões — caso da unidade mexicana, em operação desde janeiro de 2025 — já não usam água para resfriamento.
A companhia se apresenta como uma das maiores compradoras corporativas de energia renovável do mundo e destaca a matriz elétrica brasileira, majoritariamente limpa, como vantagem competitiva do país para sediar infraestrutura.
Segundo a executiva, a empresa tem visto a demanda crescente por inteligência artificial acelerar o ritmo de expansão da adoção de estruturas em nuvem.
“O Brasil não está ficando nada atrás do restante do mundo. Antes, nós tínhamos um compasso um pouco diferente, o Brasil vinha depois”, disse. “Hoje, das 12 milhões de empresas no Brasil, 50% já estão adotando IA e já passam para um nível de adoção diferente do que só pilotos.”
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A capacidade computacional da AWS dobrou desde 2022 até hoje e está em processo de dobrar novamente em 2026, contou a executiva. Mesmo com o ritmo acelerado de expansão, a capacidade global de infraestrutura de IA da AWS já está “totalmente comprometida” para 2027, com parte relevante das negociações futuras já direcionada para 2028 — reflexo da corrida por capacidade puxada pela demanda dos clientes.
Recentemente, a companhia anunciou um acordo firmado com a Nvidia para triplicar a capacidade de GPU disponível para clientes da AWS.
Nos primeiros seis meses do ano, a empresa registrou um crescimento expressivo em vendas líquidas.
“A AWS está em forte expansão, crescendo 36,7% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre — nosso crescimento mais rápido em 18 trimestres — e nossos negócios de IA e Chips ultrapassaram, cada um, uma taxa de receita anualizada (run rate) de mais de US$ 25 bilhões”, disse Andy Jassy, presidente e CEO da Amazon, em nota que acompanhou o balanço de resultados.