IA além da Nvidia: onde investir para ‘driblar’ o risco de bolha, segundo o BofA

Relatório do Bank of America indica aposta em defesa, infraestrutura e metais críticos, setores-chave para a expansão da IA com menor correlação ao rali das big techs

Relatório do BofA indica estratégia de “investimento em transição”, focada em setores e atividades necessários para que a IA funcione e se expanda (Foto: Toru Hanai/Bloomberg)
16 de Janeiro, 2026 | 12:20 PM

Leia esta notícia em

Espanhol

Bloomberg Línea — As ações relacionadas à inteligência artificial (IA) ajudam a entender boa parte do crescimento dos mercados nos últimos anos, a ponto de a Nvidia (NVDA) ter se tornado a empresa com maior capitalização de mercado do mundo. Esse protagonismo, no entanto, também reacendeu o temor de uma possível bolha em torno da IA.

Nesse contexto, o Bank of America (BAC) publicou um relatório no qual apresenta uma alternativa: investir na revolução da IA sem fazê-lo diretamente nas ações mais expostas ao fenômeno.

PUBLICIDADE

O banco denomina essa estratégia de “investimento em transição”, focada em setores e atividades necessários para que a IA funcione e se expanda, mas cujos fundamentos não dependem exclusivamente do ciclo tecnológico.

Leia também: É um dos melhores momentos para investir em anos, diz head da General Atlantic no país

De acordo com o relatório, áreas como defesa, infraestrutura e metais ligados à transição energética são fundamentais para o desenvolvimento da IA e, ao mesmo tempo, oferecem maior resiliência diante da volatilidade associada aos ativos puramente tecnológicos.

PUBLICIDADE

“As estratégias de transição — como defesa, infraestrutura e metais para a transição — são fundamentais para a revolução da IA, mas suas avaliações estão mais ligadas a políticas públicas, geopolítica e fundamentos das cadeias de suprimentos”, afirma o BofA.

Esses setores, historicamente associados a estratégias de crescimento de longo prazo, atraíram cerca de US$ 40 bilhões em fluxos durante 2025, apoiados por mais de US$ 1 trilhão em compromissos de segurança nacional, o avanço do nacionalismo de recursos e os esforços para alcançar a independência energética.

Além disso, sua correlação com os retornos da IA permanece abaixo de 50%, o que reduz o risco de contágio diante de uma correção do setor.

PUBLICIDADE

O panorama é diferente no caso da energia limpa. O relatório alerta que a correlação entre a IA e esse segmento passou de -10% para 65% em apenas um ano, aumentando a vulnerabilidade à queda caso uma bolha tecnológica se desinflasse.

“Os hiperescaladores representam cerca de 70% dos acordos de energia limpa nos Estados Unidos, e poderemos observar padrões semelhantes em infraestrutura à medida que os gastos se aceleram”, indica o relatório.

Neste contexto, os hiperescaladores são grandes empresas de tecnologia que operam infraestruturas digitais em grande escala e podem expandir rapidamente sua capacidade de computação, armazenamento e redes.

PUBLICIDADE

Capex e metais críticos

O BofA projeta que os gastos de capital em infraestrutura de IA atingirão US$ 150 bilhões até 2028, com uma demanda por metais críticos — como cobre, lítio e níquel — que excederá a oferta disponível.

Paralelamente, a adoção de aplicações de IA em setores como agricultura, água, energia e transporte poderia gerar US$ 5,2 trilhões em ganhos de produtividade, valor que poderia chegar a US$ 16 trilhões em nível global.

Existe ou não uma bolha?

O debate sobre uma possível bolha continua em aberto. Na última pesquisa mensal do BofA, a porcentagem de investidores que identificou uma “bolha de IA” como o maior risco para o crescimento caiu de 45% para 38%.

Para o banco, a IA representa uma revolução estrutural com capacidade de transformar a economia global, embora alerte que não se pode ignorar a discussão sobre avaliações e o momento de entrada no mercado.

Leia também

Estas são as ações mais atraentes na América Latina em 2026, segundo analistas