CEOs brasileiros planejam acelerar investimentos em IA, diz EY-Parthenon

Pesquisa com 50 executivos de empresas do país mostra que a aceleração da adoção de IA aumenta também as preocupações relacionadas à governança, privacidade e segurança cibernética

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Bloomberg Línea — A inteligência artificial ocupa uma posição cada vez mais central nas estratégias de crescimento das empresas brasileiras. Segundo a nova edição do CEO Outlook, da consultoria EY-Parthenon, 72% dos CEOs do país pretendem ampliar os investimentos em IA, enquanto os demais 28% planejam manter os aportes no patamar atual.

“A IA está migrando de iniciativas pontuais para aplicações que impactam diretamente a tomada de decisão, produtividade, experiência do cliente e geração de receita. Tudo indica que será um tema que ganhará ainda mais espaço”, afirmou Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon, em entrevista à Bloomberg Línea.

O avanço da tecnologia ocorre em um ambiente de confiança dos executivos nos caminhos para inovação. Nove em cada dez CEOs se dizem otimistas em relação aos investimentos em tecnologias emergentes — sendo 36% muito otimistas e 54% um tanto otimistas.

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O levantamento, adiantado com exclusividade à Bloomberg Línea, ouviu 50 CEOs de empresas de diferentes setores no Brasil entre março e abril de 2026, com predominância de grandes companhias.

Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões. A amostra reúne executivos dos setores de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura e tecnologia, mídia e telecomunicações.

A pesquisa mostra que os impactos associados à IA já são percebidos em diferentes áreas das companhias brasileiras. Operações principais ou produção, atendimento e experiência do cliente, e estratégia e tomada de decisões aparecem empatados como as funções mais impactadas, com 42% das respostas cada.

Na sequência, estão cadeia de suprimentos e compras (38%), inovação de produtos ou serviços e vendas e marketing (26% cada), finanças e gestão de riscos (24%) e recursos humanos e gestão da força de trabalho (22%).

“A pesquisa mostra que os CEOs estão atribuindo importância crescente à IA. No Brasil, 84% dos CEOs acreditam que a qualificação da força de trabalho em inteligência artificial será determinante para definir os líderes de mercado do futuro”, disse Berbert.

Nos próximos três anos, os CEOs esperam que a IA transforme principalmente suas estratégias de força de trabalho. A prioridade mais citada é ampliar as contratações para funções ligadas à inteligência artificial, dados e áreas digitais, mencionada por 22% dos executivos.

Requalificação dos funcionários atuais e redesenho de funções para integrar capacidades humanas e IA aparecem em seguida, ambas com 20%.

Mudança na distribuição geográfica da força de trabalho foi apontada por 18%, seguida pelo aumento do uso de talentos temporários ou externos (16%). Apenas 4% citaram redução de contratações em determinadas funções.

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Cibersegurança lidera preocupações

O avanço da inteligência artificial ocorre em paralelo à principal preocupação dos executivos para os próximos 12 meses: a segurança digital.

Segundo Berbert, o avanço da adoção de IA nas empresas amplia também a exposição a riscos. “À medida que as empresas aceleram a adoção de IA, aumentam também as preocupações relacionadas à governança, qualidade dos dados, privacidade, riscos regulatórios e exposição cibernética”, afirma.

Ameaças à cibersegurança e à privacidade de dados lideram a lista de riscos para os negócios, citadas por 26% dos CEOs brasileiros. O tema superou tensões geopolíticas, instabilidade e conflitos, que ficaram com 16% das respostas, além da incerteza regulatória ou política (14%) e das interrupções no comércio e nas cadeias de suprimentos (12%).

Volatilidade macroeconômica – que engloba inflação, juros e desaceleração do crescimento – e acesso restrito a capital foram mencionados por 10% dos entrevistados cada. Escassez de talentos e lacunas de competências aparecem com 6%.

“O que era visto como um tema operacional passou a ser percebido como um risco estratégico para crescimento, reputação e continuidade dos negócios”, diz Berbert.

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Apetite por operações

A pesquisa também mostra que os CEOs mantêm disposição para realizar transações corporativas nos próximos 12 meses. Nenhum dos entrevistados afirmou que pretende permanecer inativo em operações desse tipo.

As joint ventures lideram as intenções, citadas por 52% dos executivos, seguidas de perto por fusões e aquisições, com 50%. Desinvestimentos aparecem com 32% das respostas, enquanto alianças estratégicas somam 24%.

Vendas estratégicas para patrocinadores financeiros, como fundos de private equity, foram mencionadas por 14%, e ofertas públicas iniciais (IPOs) de subsidiárias ou unidades de negócios, por 12%.

Segundo Berbert, o principal fator por trás desse apetite é a busca por crescimento com menor consumo de capital e menor risco de execução, em um ambiente marcado por volatilidade econômica e custo de financiamento elevado.

“Alianças estratégicas e joint ventures permitem acessar novas capacidades, mercados e tecnologias de forma mais rápida e flexível do que investimentos orgânicos tradicionais”, disse.

Entre os CEOs que planejam realizar fusões e aquisições, todos esperam ampliar o apetite por negócios em relação a 2025. A maioria (64%) prevê um aumento moderado, enquanto 36% esperam uma expansão significativa.

“Os resultados mostram que os CEOs continuam comprometidos com investimentos que apoiem o crescimento e a transformação dos negócios, mas com uma abordagem cada vez mais criteriosa diante do cenário de incertezas”, afirmou.

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