Bloomberg Línea — O impacto da inteligência artificial no comércio eletrônico promete ser revolucionário. Não porque vai impulsionar resultados e fazer com que as companhias consigam vender mais, mas porque vai mudar a forma como o consumidor interage com as lojas hospedadas na internet. Não se trata mais do “quanto”, mas do “como”.
No começo dos anos 2000, com a popularização da internet, o varejo passou por sua transformação mais profunda. As empresas precisaram encontrar um espaço virtual para não perderem consumidores. Os clientes queriam fazer compras no conforto de seus lares. Quem entendeu o recado, criou um império. Casos de Amazon e Mercado Livre.
A próxima revolução do comércio eletrônico vem impulsionada por inteligência artificial. A vantagem agora é que o consumidor não apenas não vai precisar se deslocar até uma loja física. Ele nem mesmo vai precisar fazer a compra. Tudo será feito por um agente autônomo.
Um relatório recente produzido pelo banco BTG Pactual ressalta que a “agentic AI”, como é chamada a tecnologia por trás dos agentes de inteligência artificial, representa o primeiro desafio realmente crível ao modelo que permeou durante mais de duas décadas.
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“A inteligência artificial agêntica leva a agenda da transformação digital do varejo para um novo patamar”, disse Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, em entrevista à Bloomberg Línea. “Porque ela não implica só em fazer coisas novas, como foi no caso do e-commerce e da digitalização até aqui, mas em redesenhar processos antigos.”
Não é como se a tecnologia de automação já não estivesse inserida no varejo online. Ferramentas atuais já permitem que o consumidor busque itens que deseja comprar na internet. Os links são enviados, e as empresas podem até patrocinar seus produtos para que eles sejam mais exibidos.
Dados da Bain & Company apontam que o tráfego gerado por plataformas de inteligência artificial generativa em sites de e-commerce aumentou quase 5.000% no último ano. A tendência é de que o número continue aumentando conforme a tecnologia avance.
Segundo uma pesquisa feita pela consultoria, 55% dos consumidores já utilizam as principais ferramentas do mercado para fazer a pesquisa dos produtos. A expectativa é de que os agentes de IA serão responsáveis por uma a cada quatro transações de comércio eletrônico no mundo. Isso deverá acontecer até 2030.
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Quem não se adaptar, ficará para trás. Do mesmo jeito como o e-commerce impulsionou as empresas que apostaram na estratégia digital, quem não se incorporar IA em seus negócios nos próximos anos poderá ver suas vendas diminuírem drasticamente frente aos concorrentes que abraçaram a tecnologia.
“Teremos uma grande mudança em relação aos ganhos de produtividade, de eficiência e na maneira como as empresas se relacionam com os clientes”, afirmou Serrentino.
Mudança no capex
As transformações causadas por agentic AI não se limitam aos consumidores. Dados da consultoria Gartner apontam que até US$ 234 bilhões poderão migrar dos softwares corporativos em modelo Software-As-A-Service (SaaS) para soluções de inteligência artificial que usam agentes autônomos.
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É o que o mercado vem chamando de “agentic arbitrage”. Se os agentes autônomos fazem compras, eles também poderão fazer os trabalhos que os funcionários que trabalham com esses softwares executam.
A consultoria estima que o valor equivale a cerca de 20% do mercado global de SaaS – o que representa um risco para as companhias que atuam neste setor. Se os agentes autônomos fazem compras, eles também poderão fazer os trabalhos que os funcionários que trabalham com esses softwares executam.
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Isso porque o modelo de negócio das empresas deste segmento tem como chave a cobrança por licenças de acesso. Com agentes de IA assumindo cada vez mais fluxos de trabalho, as companhias poderão precisar de menos licenças. Isso irá gerar um impacto na receita das desenvolvedoras.