Rodadas da semana: captações somam quase R$ 100 mi, com foco em IA e infraestrutura

As startups Revena, Lerian e Delfos ficaram com os maiores aportes, encerrando o mês de janeiro com um movimento maior no mercado brasileiro

Avenida Paulista, Brasil.
31 de Janeiro, 2026 | 08:00 AM

Bloomberg Línea — Após o início de ano com poucos anúncios de aportes em startups nacionais, o mercado brasileiro encerra o primeiro mês do ano com um movimento maior.

A semana contou com uma série de aportes em negócios diversos, como infraestrutura de pagamentos, um software que usa IA para prevê falhas em equipamentos geradores de energia renovável e uma plataforma de automação de conferência de receitas hospitalares.

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Na lista, também entraram uma startup que usa biotecnologia para prevenir os sintomas de ressaca e uma fashion tech, que começa a embarcar a sua tecnologia para os Estados Unidos.

Veja as rodadas da semana:

Revena

A Revena captou R$ 40 milhões em segunda rodada liderada pelo Canary, com participação de Flourish Ventures e Caravela Capital. A plataforma usa inteligência artificial para automação do ciclo de receita hospitalar.

Fundada por Mateus Noronha (CEO), cofundador da Eduqo, vendida à Arco em 2021, e Diogo Freitas, ex-Buser, a tecnologia da startup se conecta aos principais sistemas de gestão hospitalar (ERPs) e utiliza agentes de IA para ler dados clínicos, interpretar contratos e gerar contas médicas de forma mais precisa e rápida.

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Nas implementações, segundo a startup, foi possível evitar perdas de faturamento entre 6% e 12%, reduzir de 65% a 75% do trabalho operacional financeiro e agilizar em 23% o ciclo de envio da conta médica.

A Revena usa de um modelo comercial no qual o hospital paga pelo serviço apenas quando o produto comprova que evitou perdas e aumentou a eficiência.

O investimento atual será direcionado para elevar o nível da tecnologia, aprimorar o produto e atrair talentos.

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Lerian

A Lerian captou R$ 30 milhões em rodada seed liderada pela MAYA Capital, com participação de Norte Ventures, Supera Capital, Crivo Ventures, Blustone e Kevin Efrusy, partner da Accel.

A startup brasileira desenvolve soluções open-source para infraestrutura financeira. O ledger da empresa, o Midaz, tem código aberto, permitindo auditoria e customização por parte dos clientes e reduzindo o risco de dependência de fornecedores.

A Lerian foi co-fundada por Fred Amaral, Maísa Amaral e Jefferson Rodrigues, do mesmo time fundador da Dock, e Marilyn Hanh, uma das fundadoras do Bankly.

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Além do ledger, a startup tem expandido o portfólio com produtos para a orquestração de processos como onboarding e compliance, avaliação de risco transacional em tempo real, automação de relatórios regulatórios e engenharia de reconciliação de transações.

Os recursos serão destinados principalmente a investimentos em tecnologia, com foco em inteligência artificial aplicada à plataforma, à estruturação das áreas comercial e de atendimento ao cliente.

Delfos

A Delfos, startup que usa inteligência artificial para fazer análise preditiva de equipamentos utilizados no mercado de energia renovável, fechou uma rodada de investimento de € 3 milhões (cerca de R$ 18 milhões) liderada pela Copel Ventures, braço de venture capital da companhia paranaense de energia.

A operação contou com a participação dos investidores já presentes no cap table, o Headline, de Romero Rodrigues, e o Domo.VC, que ampliaram suas posições.

Atualmente com sede em Barcelona, na Espanha, a Delfos nasceu no Brasil em 2017 e hoje atua como uma startup global, com presença em oito países europeus.

A Delfos mantém um ritmo de crescimento médio de 70% ao ano, com projeção de atingir 80% em 2025. Hoje, 80% da receita vem do Brasil, e 20%, da Europa.

Os recursos da rodada serão direcionados principalmente para expansão em novas verticais de tecnologia.

A principal aposta é o segmento de baterias e armazenamento de energia em larga escala, área que deve crescer fortemente na Europa em 2026 e 2027. A Delfos já tem projetos piloto rodando nos Estados Unidos e na França.

Futuriza

A Futuriza, startup brasileira de fashion tech, captou US$ 1,25 milhão (cerca de R$ 7 milhões) em sua rodada semente.

O aporte foi liderado pela Quartzo Capital, gestora que opera o braço de venture capital do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) e do Bandes, com participação da Antler, no cap table desde 2024, e da JoinVC.

A startup utiliza inteligência artificial generativa para substituir ensaios fotográficos tradicionais, automatizando a criação de fotos e vídeos de coleções.

Segundo a Futuriza, a sua tecnologia pode dobrar a conversão de vendas no e-commerce ao entregar conteúdos em alta volumetria. Apenas em 2025, a startup gerou mais de 30 mil ativos digitais para clientes como Farm, Hering, Brandili e Lez a Lez.

O capital será utilizado para acelerar a expansão internacional, iniciada pelos Estados Unidos em parceria com a marca de moda infantil Monica + Andy, de Chicago.

Novvo

Startup brasileira de biotecnologia voltada para o bem-estar e prevenção da ressaca, a Novvo Bem Estar concluiu uma rodada de R$ 4,2 milhões.

O aporte foi reforçado por um investimento follow-on de R$ 1 milhão do BR Angels, grupo que havia liderado o aporte inicial de R$ 3,2 milhões em outubro de 2024.

O capital será destinado à escalabilidade e à entrada em novos canais estratégicos, como bares e restaurantes, além de fortalecer a área de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) por meio de um convênio com a USP.

A Novvo, que utiliza uma solução patenteada para neutralizar o acetaldeído (toxina do álcool), opera em modelos B2C e B2B, com presença em mais de 8.500 farmácias de redes como Raia, Drogasil e Panvel, além de plataformas como Zé Delivery e iFood.

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