Pomelo capta US$ 55 mi e mira expansão com cartão de crédito no Brasil e no México

Rodada Série C foi coliderada por Kaszek e Insight Partners; fintech de tecnologia financeira e processamento de transações com sede na Argentina planeja o lançamento de um cartão de crédito global

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Por Maria Clara Cobo
20 de Janeiro, 2026 | 02:58 PM

Bloomberg — A Pomelo, startup de tecnologia financeira sediada na Argentina, captou US$ 55 milhões em uma rodada Série C, enquanto busca aprofundar sua presença na América Latina e expandir-se globalmente com novos produtos vinculados a stablecoins e pagamentos em tempo real.

A rodada, coliderada pela Kaszek e pela Insight Partners, será usada para expandir os negócios de processamento de crédito da Pomelo com foco no México e no Brasil - seus dois maiores mercados - e para apoiar o lançamento de um cartão de crédito global denominado stablecoin, disse o cofundador e CEO Gaston Irigoyen em uma entrevista à Bloomberg News.

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A empresa também planeja desenvolver sistemas de pagamento agênticos e em tempo real que possam operar além das fronteiras, marcando um impulso em mercados fora da região.

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O acordo dá início ao ano após uma forte desaceleração nos investimentos de capital de risco na América Latina.

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Os negócios de financiamento de startups em 2025 totalizaram cerca de US$ 4,6 bilhões até outubro para a região, o ritmo mais lento em quase sete anos, já que a liquidez global mais restrita afastou os investidores globais, de acordo com dados da PitchBook.

Fundada em 2021, a Pomelo se concentra em infraestrutura de serviços financeiros. Ela constrói sistemas de emissão de cartões e processamento de pagamentos para cartões de débito, crédito e pré-pagos e trabalha como parceira da Visa e da Mastercard.

A empresa opera dois negócios principais: uma plataforma de processamento que lida com transações e o chamado modelo de “patrocínio BIN”, que combina processamento com suporte regulatório e de conformidade, permitindo que clientes menores lancem programas de cartões sem desenvolver esses recursos internamente.

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A Pomelo está ampliando sua base de clientes para grandes empresas internacionais e bancos tradicionais, depois de se concentrar inicialmente no trabalho com fintechs regionais.

Seus clientes, que se expandiram para mais de 150, agora incluem bancos estabelecidos como BBVA, Santander e Bancolombia, bem como empresas de tecnologia como PayJoy, Binance, DollarApp e Western Union.

“Vemos uma necessidade muito grande nos bancos tradicionais, que também precisam competir com os grandes neobancos latino-americanos e globais que estão chegando cada vez mais à América Latina”, disse Irigoyen.

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Os planos de expansão da empresa refletem mudanças mais amplas no cenário de pagamentos da região. Os cartões têm sido a opção de pagamento digital dominante na América Latina há muito tempo, mas os sistemas de pagamento em tempo real, como o Pix do Brasil, ganharam rápida adoção nos últimos anos.

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As stablecoins também estão surgindo cada vez mais como uma terceira opção, especialmente em países que enfrentam inflação, volatilidade da moeda ou controles de capital.

O cartão de crédito de stablecoin planejado pela Pomelo pretende complementar seus produtos de cartão existentes em moeda local e em dólar.

O cartão, que inicialmente operaria com o USDC da Circle, permitiria que os usuários fizessem transações globais enquanto liquidavam em dólares digitais.

“É uma alternativa aos produtos de cartão de crédito denominados em moeda local ou em moeda forte que já temos e que apoiamos há muitos anos”, disse Irigoyen.

“Esse produto nos permitirá transcender as fronteiras da América Latina e começar a conquistar clientes em outros mercados, tanto emergentes quanto maduros, em todo o mundo.”

Outros fundos que participaram da rodada incluem Index Ventures, Adams Street Partners, S32, Endeavor Catalyst, Monashees e TQ Ventures. A empresa já arrecadou US$ 160 milhões até o momento.

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