Bloomberg Línea — O iFood e a Daki chegaram a um acordo para a aquisição de uma participação minoritária na plataforma de compras de supermercado digital pelo aplicativo de delivery.
Com o negócio o iFood terá uma participação inferior a 5% na Daki, de acordo com um comunicado das empresas divulgado à Bloomberg Línea. O valor investido e os termos da transação não foram revelados.
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Para o iFood, o acordo amplia a sua estratégia para crescer na categoria de supermercados. A empresa diz ter registrado crescimento de 60% em volume de vendas nessa vertical entre março de 2025 e março de 2026.
No período, houve a inclusão de quase 3 mil novas lojas parceiras à plataforma, com avanço percentual mais expressivo no Norte (130%) e no Nordeste (81%).
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“O setor de supermercados no Brasil movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano, mas a jornada de digitalização ainda está no começo”, disse Lucas Pittioni, vice-presidente de Jurídico, M&A e Políticas Públicas do iFood, em comentário enviado à Bloomberg Línea.
“Nosso investimento na Daki é um reconhecimento à execução do time e à maturidade do modelo de negócios.”
A entrada do iFood como sócio na Daki representa um aprofundamento de uma parceria entre as duas startups que começou há pouco mais de dois anos.
Em fevereiro de 2024, as empresas firmaram parceria comercial para que a Daki operasse a categoria de supermercado dentro da plataforma, após o iFood descontinuar suas próprias operações de varejo alimentício. Na época, o CEO da Daki, Rafael Vasto, confirmou à Bloomberg Línea que o acordo não envolvia troca de ações.
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Mesmo com a sociedade com a Daki, o iFood diz que sua área de vendas de supermercado continuará a operar de forma neutra em relação aos demais parceiros.
“A Daki atua em um segmento específico de entrega ultrarrápida que endereça uma jornada de compra distinta e complementar. O canal do iFood representa demanda incremental para a Daki, assim como para todos os demais parceiros da plataforma”, disse o iFood em resposta à Bloomberg Línea.
Já a Daki diz que o iFood representa um canal incremental e que a maior parte das vendas ocorre por meio de seu canal próprio.
Daki atinge breakeven
Do lado da Daki, a sociedade com o iFood coincide com um marco operacional. A startup informou ter atingido o breakeven (quando as receitas superam os custos), registrando Ebitda positivo pela primeira vez desde sua fundação, em 2021. A empresa não quis informar o mês quando o marco foi atingido.
A startup também diz que se aproxima de R$ 1 bilhão em receita anualizada, com crescimento acima de 50% ao ano.
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A Daki atribui o resultado à cadeia logística verticalmente integrada e ao uso de inteligência artificial em decisões operacionais como previsão de demanda, roteirização e personalização de oferta.
Com o aporte do iFood, a Daki planeja abrir novos hubs em 2026 e expandir para além de São Paulo e Minas Gerais. A empresa não informou as cidades-alvo.
A Daki foi fundada em janeiro de 2021 por Alex Bretzner, Rafael Vasto e Rodrigo Maroja no modelo de dark stores — lojas fechadas ao público com raio de entrega limitado e estoque próprio.
Em 2021, a empresa se fundiu com a Jokr, que chegou a ser avaliada em US$ 1,2 bilhão.
Em 2023, a startup captou duas rodadas: uma Série C de US$ 50 milhões, que elevou o valuation para US$ 1,3 bilhão, e uma Série D de mesmo valor, liderada pela Convivialité Ventures, braço de investimento da Pernod Ricard.
Entre os demais investidores que participaram das rodadas anteriores estão Lombard Odier, G-Squared, GGV, Balderton Capital, Greycroft, Tiger Global e Monashees.
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