Delfos nasceu no Brasil e atua na Europa com IA em renováveis. E agora capta € 3 mi

Startup que faz uso de IA para prever falhas em equipamentos como turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de exaustão acerta rodada liderada pela Copel Ventures. Clientes na Europa devem representar 40% da receita ao fim de 2026

Usina eólica
27 de Janeiro, 2026 | 09:06 AM

Bloomberg Línea — A Delfos, startup que usa inteligência artificial para fazer análise preditiva de equipamentos utilizados no mercado de energia renovável, fechou uma rodada de investimento de € 3 milhões (cerca de R$ 18 milhões) liderada pela Copel Ventures, braço de venture capital da companhia paranaense de energia.

A operação contou com a participação dos investidores já presentes no cap table Headline, de Romero Rodrigues, e Domo.VC, que ampliaram suas posições.

PUBLICIDADE

Com sede em Barcelona, na Espanha, a Delfos nasceu no Brasil em 2017 e hoje atua como uma startup global, com presença em oito países europeus.

“A Europa representa um mercado dez vezes maior que o Brasil em capacidade instalada de energia renovável”, afirmou Guilherme Studart, cofundador e CEO da Delfos, que se mudou para Barcelona em 2023, à Bloomberg Línea.

Leia mais: Esta tech brasileira faz 50% da receita nos EUA e México. É só o começo, diz fundador

PUBLICIDADE

“Muitos dos principais fabricantes de turbinas eólicas, desenvolvedores e investidores têm origem europeia, então foi natural expandir para cá.”

A startup foi criada com Samuel Lima, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) que trabalhava com operação e manutenção de parques eólicos - e que atua como CTO. A ideia surgiu ao aplicar conhecimentos de manutenção preditiva aeronáutica em turbinas eólicas.

Juntos, os dois empreendedores desenvolveram uma plataforma de inteligência artificial que monitora ativos de energia renovável - como turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de exaustão e rolamentos em pequenas e grandes usinas hidrelétricas - para prever falhas e otimizar a performance operacional sem necessidade de instalação de novos sensores ou hardware.

PUBLICIDADE

De acordo com números internos, a tecnologia já permitiu a identificação de falhas em componentes críticos com até 320 dias de antecedência.

A Delfos mantém um ritmo de crescimento médio de 70% ao ano, com projeção de atingir 80% em 2025. Hoje, 80% da receita vem do Brasil, e 20%, da Europa.

Guilherme Studart e Samuel lima, co-fundadores da Delfos: a nossa expectativa é de que até o final deste ano a operação internacional represente 40% do faturamento total

Com o novo impulso financeiro, a expectativa é que até o fim deste ano a operação internacional represente 40% do faturamento total, apoiada por uma estratégia para a entrada de novos clientes e a expansão dos serviços na base atual, que conta com 70 empresas. A startup não divulga a receita em valores.

PUBLICIDADE

Recentemente, a startup também foi selecionada para o programa de inteligência artificial do Google na Europa, o que permitirá que ofereça a sua plataforma por meio do Google Cloud Marketplace, abrindo um novo canal de distribuição.

Leia mais: André Penha, do QuintoAndar, tem nova missão: liderar uma startup de energia sem fio

Baterias e armazenamento de energia

Os recursos da rodada serão direcionados principalmente para expansão em novas verticais de tecnologia.

A principal aposta é o segmento de baterias e armazenamento de energia em larga escala, área que deve crescer fortemente na Europa em 2026 e 2027. A Delfos já tem projetos piloto rodando nos Estados Unidos e na França.

Outras frentes incluem expansão para transmissão e subestações - em parceria com a Copel - e desenvolvimento de agentes de inteligência artificial para automação de processos operacionais.

“Essas novas linhas de negócio podem levar a empresa para outro patamar de receita”, disse Studart.

Geograficamente, além da consolidação na Europa e no Brasil, a startup começa a operar no Chile com um cliente e prepara a entrada no mercado norte-americano para 2027.

A Delfos recebeu em torno de R$ 65 milhões até aqui e também conta com a EDP ventures, CVC da portuguesa EDP, e a Contrarian Ventures como investidores.

Os planos da Copel Ventures

As conversas com a Copel Ventures foram facilitadas pela relação entre as duas empresas. A companhia paranaense já faz uso dos serviços da Delfos em seus ativos. Com o investimento, os novos sócios pretendem ir além do capital.

A parceria prevê co-desenvolvimento de novos produtos.

Um dos projetos em andamento é a criação de uma solução de monitoramento integrado de subestações e ativos de geração.

“Nós queremos que o 2 mais 2 seja mais que 4. Não se trata apenas de aportar capital financeiro mas capital intelectual”, disse Thiago Ávila, superintendente de estratégia, inovação e inteligência de mercado na Copel.

Atualmente presente nos quatro elos da cadeia de energia - geração, transmissão, distribuição e comercialização -, a Copel deve oferecer à Delfos novas perspectivas para o desenvolvimento de negócios em outras frentes para além da geração, o modelo atual. Hoje, a startup atende os ativos eólicos da Copel.

O investimento da Delfos é o quarto do CVC da Copel, que está sob a gestão da Vox Capital, casa de venture capital com mais de R$ 1 bilhão em ativos. A Copel Ventures foi lançada em 2023, com capital de R$ 150 milhões.

“Nós revisitamos nossa estratégia no início do ano passado para focar em startups mais maduras, em estágios de Série A ou B, em que conseguimos ver o retorno estratégico mais rapidamente”, afirmou Ávila sobre o novo momento do veículo.

De acordo com Rafael Campos, sócio-diretor da Vox Capital, o fundo deve manter um ritmo de dois a três investimentos por ano.

“Ele terá um ritmo um pouco mais cadenciado agora de acordo com os desafios que a Copel consegue transformar em negócio”, complementou.

Leia também

Fintech de energia solar, Solfácil levanta R$ 1 bi em FIDC para sustentar expansão

Rodadas da semana: startups estrangeiras presentes no Brasil lideram captações