Bloomberg Línea — Com 70 edifícios sob gestão na América Latina, dos quais 28 somente no Brasil, em um momento em que cresce a concorrência por escritórios de alto padrão, a WeWork tem priorizado cada vez mais a estratégia de retenção de clientes. E isso inclui “detalhes” que passam até pela qualidade do café servido.
“Poderíamos negociar um volume expressivo de café para a região, mas dessa forma não atenderíamos às preferências locais”, afirmou o presidente da WeWork para a América Latina, Claudio Hidalgo, em entrevista à Bloomberg Línea.
Embora o tamanho da operação possa sugerir que escala é um fator chave para otimizar custos, o executivo disse que o foco na experiência do usuário acaba limitando esse benefício operacional.
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“Com a nossa escala, tiramos vantagem de tudo o que não está relacionado à experiência do usuário. O café é muito importante e deixamos essa escolha ser feita localmente.”
A Area Director da WeWork Brasil, Estefania Barbosa, explicou que o café coado é adotado no Brasil por ser uma preferência dos membros locais, diferentemente do México, por exemplo, em que o preferido é o espresso.
“É importante que as pessoas saibam que tem café em todas as unidades [da região]. Isso é padronizado, mas fazemos testes para saber a preferência e decidimos as marcas localmente”, contou.
Para elevar os índices de satisfação e permanência, a companhia tem executado novos projetos, como a oferta de serviços de empresas reconhecidas no mercado dentro das unidades.
A marca de açaí Oakberry e a Starbucks - de novo o café na proposta de valor - instalaram uma pequena operação de venda em um dos endereços da WeWork na Avenida Paulista, em São Paulo.
“Temos intenção de colocar em outras unidades, pois entendemos o valor que isso agrega”, disse Barbosa.
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Hidalgo disse que a WeWork tem apresentado crescimento de receita e lucratividade no Brasil desde o processo que unificou toda a operação global em 2024, que deixou para trás o modelo de unidades independentes.
O executivo afirmo que o ponto ideal (“sweet spot”) de ocupação dos edifícios é de 85%. “Os 15% [restantes] nos permitem maximizar a lucratividade, porque, se há uma demanda elevada por espaço, conseguimos negociar preço.”
Segundo dados de janeiro de 2026, a ocupação da WeWork é de 82,5% no Brasil e 83% em São Paulo, principal mercado para a companhia no país.
“Se vamos expandir para novas locações, provavelmente sim, mas quando a hora certa chegar. Enquanto isso, vamos consolidar e maximizar as finanças”, destacou.
Em sua avaliação, aumentar a oferta é uma decisão de longo prazo, uma vez que os contratos com os proprietários dos edifícios são de dez anos.
“Nosso foco para 2026 e 2027 é consolidar o que temos. Para 2028, podemos começar a explorar uma expansão”, acrescentou.
O executivo ressaltou que a qualidade da localização é um fator decisivo para a expansão. “Só vamos abrir novas operações em locais com boa oferta de transporte, restaurantes e espaços para caminhar no entorno.”
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De Starbucks a Oakberry
A oferta no mercado de escritórios compartilhados vem crescendo nas grandes cidades, diante da diversificação dos modelos de trabalho. Para os executivos da WeWork, cada player tem sua vantagem competitiva.
“Nossa vantagem é a flexibilidade e a entrega de valor. Como membro, você pode usar nossos escritórios ao redor do mundo e se conectar imediatamente ao wi-fi sem necessidade de ajuda”, disse Hidalgo.
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O executivo reforçou que a localização estratégica de todos os edifícios é um diferencial importante.
“Quem nos contrata tende a atrair mais talentos, porque seus funcionários vão estar nas melhores localizações, interagindo com membros de inúmeras outras empresas no café e expandindo o networking.”
Atualmente, a operação Brasil possui, em média, um terço da demanda proveniente de startups e pequenas empresas; um terço de médias, e o restante, de grandes companhias. Barbosa disse que a demanda de grupos tradicionais como bancos, por exemplo, vem crescendo também.
Em um cenário de incertezas com as eleições no Brasil, Hidalgo afirmou que a WeWork pode ser justamente a melhor opção para a empresa ou empreendedor que, mais do que nunca, necessita de cautela.
“Diante da imprevisibilidade, é melhor fechar um contrato de locação [de escritório] de cinco anos ou seis meses? Oferecemos certeza em tempos incertos. É um novo momento para a WeWork”, afirmou o executivo.
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