Volkswagen enfrenta pressão de sindicatos antes de detalhar plano de cortes de custos

Representantes dos trabalhadores cobram mais clareza da diretoria sobre os planos de reestruturação, enquanto CEO Oliver Blume afirmou que situação da montadora é ‘mais do que crítica’

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Bloomberg — Representantes sindicais da Volkswagen elevaram a pressão sobre a diretoria antes de uma semana de reuniões importantes, ao criticarem o que classificaram como uma comunicação “desastrosa” sobre o futuro dos empregos e das fábricas.

O CEO Oliver Blume e o chefe da marca VW, Thomas Schäfer, devem se dirigir aos funcionários na fábrica da empresa em Wolfsburg na terça-feira, a primeira de uma série de reuniões abertas em que buscarão explicar planos abrangentes de corte de custos.

Antes da reunião de abertura, o conselho de trabalhadores intensificou a pressão ao publicar uma pesquisa mostrando que os funcionários classificaram a comunicação da diretoria executiva como sua principal queixa, à frente dos temores em relação aos empregos, ao fechamento de fábricas e ao futuro das principais unidades alemãs.

A iniciativa segue-se a uma publicação de Blume na intranet da empresa, na qual ele alertou que a situação da VW é “mais do que crítica”.

Ele afirmou que a margem operacional de 3,8% fica muito aquém do necessário para financiar novas tecnologias, produtos e fábricas, e que o grupo precisa se tornar mais simples e enxuto.

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“Os funcionários e suas famílias estão inquietos e assustados com a comunicação desastrosa da diretoria executiva”, segundo a pergunta mais citada na pesquisa realizada pelo conselho de trabalhadores da VW. “Quando esse tipo de comunicação vai acabar? Quando as ações conjuntas serão retomadas para garantir o sucesso da empresa?”

O confronto vai ao cerne da tentativa de Blume de impor a mais profunda reestruturação da maior montadora da Europa em décadas. Ele afirma que a VW deve reduzir custos, capacidade e complexidade para resistir à demanda mais fraca e à crescente concorrência chinesa.

Os líderes sindicais, que detêm poder significativo no conselho fiscal, recusam-se a aceitar o fechamento de fábricas e cortes mais profundos de postos de trabalho.

As tensões vêm aumentando desde que planos que poderiam envolver até 100 mil cortes de empregos surgiram na mídia alemã antes das férias de verão, colocando em dúvida o futuro de grandes fábricas.

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A presidente do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, solicitou a Blume que esclarecesse as propostas, mas o prazo de julho expirou sem que fossem fornecidos os detalhes solicitados pelos representantes sindicais.

Blume também precisa conquistar o apoio do governo regional da Baixa Saxônia, que controla 20% dos direitos de voto e detém dois assentos no conselho fiscal, o que configura uma disputa que passa do chão de fábrica nesta semana para a sala de reuniões do conselho em 4 de setembro.

A tensão aumentou ainda mais na sexta-feira com a intervenção de Christiane Benner, vice-presidente do conselho fiscal da VW e líder do influente sindicato IG Metall.

Benner descreveu a perspectiva de mais 50 mil demissões como uma “provocação grave” e afirmou que a confiança entre os trabalhadores e a diretoria executiva havia sido abalada.

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Benner também rejeitou a ambição da administração de atingir um retorno operacional sobre as vendas de cerca de 9%, classificando-a como algo “irrealista” nas atuais condições geopolíticas.

Ela exigiu que Blume tornasse seus planos de reestruturação significativamente mais concretos antes que o conselho fiscal pudesse considerar sua aprovação e afirmou que o fechamento de fábricas está “fora de questão”.

Blume afirmou que a VW precisa eliminar mais de 500.000 veículos de capacidade anual na Europa. Embora insista que nenhuma decisão foi tomada para fechar fábricas específicas, ele disse aos funcionários que as fábricas alemãs enfrentam concorrentes europeus significativamente mais baratos e que a atual base de custos da empresa é insustentável.

Blume deve se reunir na quarta-feira com os trabalhadores nas fábricas de Emden e Zwickau, enquanto outros membros da diretoria executiva participarão de reuniões em locais como Chemnitz, Dresden, Kassel e Salzgitter.

--Com a colaboração de Christoph Rauwald.

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