Vale suspende atividades em duas minas em MG após transbordamentos

Mineradora diz que o município de Congonhas (MG) determinou a suspensão dos alvarás das unidades Fábrica e Viga e exigiu a adoção de medidas emergenciais

Vale SA's Brucutu mine in Barao de Cocais, Brazil, on Thursday, May 9, 2013
Por Mariana Durão
27 de Janeiro, 2026 | 12:47 PM

Bloomberg — A Vale interrompeu as operações em duas minas após o transbordamento de água misturada com sedimentos durante o fim de semana.

O município de Congonhas, no sudeste de Minas Gerais, determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento das unidades Fábrica e Viga e exigiu a adoção de medidas emergenciais de controle ambiental, segundo comunicado da empresa.

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A mineradora afirmou que sua estimativa de produção para 2026 permanece inalterada, apesar do incidente. A Vale (VALE3) tem como meta uma produção anual de 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério de ferro, divulgada em dezembro.

Leia também: Rejeitos de um trilhão de toneladas ameaçam o acesso a minerais críticos no mundo

A empresa afirmou na segunda-feira (26) que os transbordamentos foram contidos e que as causas dos incidentes estão sendo investigadas.

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A companhia acrescentou ainda que suas barragens na região permanecem estáveis ​​e seguras, com monitoramento constante.

O Ministério de Minas e Energia pediu “medidas rigorosas” ao órgão regulador de mineração do país, incluindo a suspensão das operações, se necessário.

O governo do estado de Minas Gerais disse ter identificado danos ambientais em um rio próximo e ordenou que a Vale tomasse medidas de emergência, “incluindo ações de limpeza do local afetado, assim como o monitoramento do curso d’água atingido”.

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Os incidentes nas minas de Fábrica e Viga da Vale ocorrem sete anos após o rompimento da barragem de Brumadinho.

O desastre, em janeiro de 2019, obrigou a Vale a reduzir a produção em algumas de suas principais operações de mineração e fez com que a mineradora perdesse a posição de maior produtora mundial de minério de ferro para o Grupo Rio Tinto.

A Vale ainda lida com as consequências de dois desastres em barragens que mataram até 289 pessoas, contaminaram cursos d’água e lhe custaram o título de maior produtora mundial do principal insumo para a fabricação de aço.

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Em setembro, a empresa anunciou um plano para investir R$ 67 bilhões em melhorias de segurança em minas de minério de ferro no Brasil, à medida que busca finalmente deixar para trás o problema dos rompimentos de barragens.

“A notícia reascende preocupações com a segurança das operações da companhia e o mercado penaliza as ações hoje”, disse a Ativa Investimentos em nota a clientes.

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