Vale quer expandir negócios com a Índia enquanto a China perde força, segundo VP

País tem sido um destaque no mercado global de minério de ferro nos últimos anos e pode ser uma oportunidade não só para a empresa brasileira vender, mas para obter fontes de minério, misturar, comercializar, disse o VP executivo comercial Rogério Nogueira à Bloomberg News

A produção de aço da Índia deve atingir 184 milhões de toneladas em 2027, acima dos 165 milhões no ano passado (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
Por Mariana Durao
30 de Março, 2026 | 01:43 PM

Bloomberg — A Vale busca expandir seus negócios na Índia ao aumentar os embarques para o país e planejar comercializar seu minério globalmente, para aproveitar um dos mercados de aço que mais crescem no mundo.

“A Índia pode ser uma oportunidade não só para vender, mas para obter fontes de minério, misturar, comercializar — achar mercados melhores para o produto”, disse o vice-presidente executivo comercial Rogério Nogueira em entrevista à Bloomberg News.

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A nação mais populosa do mundo tem sido um destaque no mercado global de minério de ferro nos últimos anos, e usinas locais aumentaram a produção de aço para atender à expansão de infraestrutura e à crescente demanda do consumidor.


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Embora sua indústria ainda seja muito menor em escala do que a da China — o maior fornecedor de aço do planeta —, a produção chinesa se estabilizou. Esse contraste faz da Índia uma potencial fonte de crescimento para a Vale, bem como para rivais como BHP e Rio Tinto.

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Enquanto a Vale vê a produção de aço da China cair ligeiramente, a capacidade da Índia deve mais do que triplicar, chegando a 500 milhões de toneladas até 2050, segundo Nogueira.

“A Índia não será outra China, mas a Vale terá uma participação maior”, disse ele.

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Essa perspectiva otimista está, em geral, alinhada com projeções de curto prazo do governo australiano.

A produção de aço da Índia deve atingir 184 milhões de toneladas em 2027, acima dos 165 milhões no ano passado, informou o Departamento de Indústria, Ciência e Recursos em um relatório trimestral recente.

No mesmo período, a produção da China deve cair para 959 milhões de toneladas, de 954 milhões.

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A Índia também é vista como um dos mercados de importação de minério de ferro que mais crescem. As importações devem saltar de 16 milhões de toneladas em 2025 para 30 milhões de toneladas até 2027, segundo as projeções australianas.

A Vale vê um descasamento entre a produção doméstica de aço do país e a de minério, em geral dificultada por questões como o licenciamento ambiental.

A mineradora brasileira pretende ampliar sua presença na Índia ao longo do tempo. As vendas devem crescer 50%, chegando a cerca de 15 milhões de toneladas neste ano, segundo Nogueira. Além disso, o minério brasileiro tem uma composição química que complementa o minério indiano, o que deve se somar à expertise da empresa na cadeia de distribuição.

Atualmente, a Vale opera dois centros de distribuição, na Malásia e em Omã, e possui acordos de longo prazo com 22 portos na China, que também funcionam como hubs.

Em fevereiro, a empresa assinou um memorando de entendimento para desenvolver conjuntamente uma instalação de mistura com a Adani Ports, da Índia, e a mineradora estatal NMDC. Outras parcerias semelhantes estão sendo consideradas, disse Nogueira.

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Os recursos domésticos de minério de ferro da Índia estão concentrados na parte oriental do país, onde os custos de cabotagem são elevados. O abastecimento da costa oeste — onde está a maior parte da população do país, bem como os principais clientes da Vale na indústria siderúrgica — está no radar, acrescentou.

Nogueira preferiu não comentar o possível impacto do conflito no Oriente Médio sobre a empresa. Notas de analistas após uma mesa-redonda com o presidente Gustavo Pimenta no início deste mês destacaram que, embora as taxas de frete sejam impactadas, a Vale faz hedge de cerca de 75% do combustível marítimo.

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