Tok&Stok e Mobly cortam 15,6% do pessoal em cinco meses, aponta administradora judicial

Relatório da administradora judicial mostra 733 rescisões contra 333 admissões entre janeiro e maio, redução de 400 postos; Grupo Toky descarta fechar lojas e diz que o plano de RJ será protocolado no prazo legal, que é 15 de agosto

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Bloomberg Línea — O Grupo Toky (TOKY3), dono das marcas Tok&Stok e Mobly, encerrou o mês de maio com 2.168 empregados, contra 2.568 em janeiro. A redução de 400 postos no período equivale a 15,6% do quadro em cinco meses.

Os cortes ocorrem em meio ao processo de recuperação judicial do grupo, que foi aceito pela Justiça em junho. O grupo tem até 15 de agosto para apresentar seu plano de recuperação judicial a credores.

Os números da redução de pessoal constam do relatório mensal de atividades da administradora judicial do processo, ao qual a Bloomberg Línea teve acesso.

A AJ Ruiz Consultoria Empresarial foi escolhida pela juíza Larissa Gaspar Tunala como administradora judicial. Esse profissional funciona como os olhos do juiz dentro da empresa: recebe balanços, confere contas, visita lojas e depósitos e reporta o que encontra.

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De acordo com o documento, que foi entregue em julho, foram 733 demissões contra 333 contratações no período de janeiro a maio. Mais de um quarto dos contratos vigentes em janeiro foi encerrado. Em maio saíram 297 e entraram 41 contratados. A folha do mês somou R$ 8,1 milhões.

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O relatório aponta que a maior parte do corte se concentrou na Estok Distribuidora, empresa que opera as lojas Tok&Stok: 374 desligamentos e 234 admissões. A unidade ainda responde por 1.307 dos 2.168 empregados do grupo, seguida por Estok Comércio (345), Mobly Comércio Varejista (266), Mobly Hub (216), Mobly Serviços (28) e a holding (6).

As funções de consultor de vendas, vendedor e montador -- que sustentam a operação de loja -- somam 762 pessoas, ou 35% do quadro.

O que diz o Grupo Toky

Procurada pela reportagem, a companhia respondeu que o enxugamento é amplo e não se restringe ao varejo físico.

“Todas as medidas adotadas nos últimos meses têm como objetivo reduzir despesas, aumentar a eficiência operacional e preservar a sustentabilidade do negócio, abrangendo lojas, centros de distribuição e áreas administrativas”, informou o grupo em nota.

Sobre o fechamento de unidades, a companhia nega haver programa em curso. “Não há um plano de fechamento de novas lojas, embora negociações e ajustes pontuais façam parte da gestão regular da operação”, diz o comunicado.

A empresa também sustenta estar em ordem com o processo.

“A companhia reitera que está em dia com as obrigações previstas no processo de recuperação judicial e vem atendendo às solicitações de informações, esclarecimentos e documentos complementares apresentados pela administradora judicial. O plano de recuperação será protocolado dentro do prazo legal”, afirmou.

Prejuízo de janeiro a maio

As cinco empresas operacionais do grupo somaram R$ 405,6 milhões em prejuízo entre janeiro e maio, segundo o cálculo dos dados presentes nas demonstrações anexas ao relatório.

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A Estok Comércio responde por uma fatia de R$ 236,6 milhões, a Estok Distribuidora por R$ 116,5 milhões, a Mobly Comércio por R$ 33,5 milhões, a Mobly Hub por R$ 13,5 milhões e a Mobly Serviços por R$ 5,5 milhões. A holding registrou outros R$ 59,8 milhões, valor que já embute o resultado das controladas.

O caso da Estok Distribuidora é o mais severo. A empresa faturou R$ 245,1 milhões no período e teve R$ 265,1 milhões de custo.

O Grupo Toky não quis comentar os valores informados no relatório.

A divulgação do balanço do segundo trimestre está prevista para 13 de agosto.

Ações do Grupo Toky (TOKY3)

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3.763 credores e R$ 15,2 milhões em bolsa

O prazo para a apresentação do plano de recuperação judicial vence no próximo dia 15 de agosto. A assembleia que vai aprová-lo ou rejeitá-lo está marcada para 13 de novembro, mesma data em que expira a proteção contra cobranças concedida pela Justiça.

Do outro lado estarão 3.763 credores, com R$ 1,12 bilhão a receber, uma soma que o relatório não consolida, apresentando os valores separados por empresa. A Estok Comércio, razão social da Tok&Stok, responde sozinha por R$ 773,1 milhões, ou 69% do total. A classe trabalhista reúne 2.330 credores, mas apenas R$ 5,1 milhões em valor.

Na bolsa, a companhia vale R$ 15,2 milhões, ou 1,4% do que deve. A ação oscilou entre R$ 0,28 e R$ 0,31 na terça-feira (4).

Em 27 de julho, os acionistas aprovaram juntar cada 20 ações em uma. A medida não muda o valor da empresa, apenas eleva o preço unitário para tirá-lo do patamar de centavos (penny stock) que a B3 não aceita. A negociação no novo formato começa em 28 de agosto.

O Grupo Toky chega à assembleia sem dono definido e em litígio na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com parte de seus sócios minoritários, a quem acusa de tentar tomada hostil de controle. A maior acionista, DSK Capital, tem 19,3% do capital. Os minoritários acusam a administração de diluição predatória.

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