Bloomberg Línea — A Stellantis (STLA) estuda ampliar gradualmente o índice de conteúdo local dos carros da Leapmotor que serão produzidos no Brasil a partir do ano que vem.
O grupo confirmou que os modelos da marca chinesa que serão montados em Goiana, Pernambuco, terão motor flex nacional.
“Temos consciência da nossa excelente parceria na América do Sul [com a Leapmotor]. Vamos ter uma marca chinesa com 50 anos de Brasil”, disse nesta terça-feira (7) o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, em visita a São Paulo.
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A Stellantis detém os direitos exclusivos de produção, exportação e venda dos produtos Leapmotor fora da China, por meio de uma joint venture.
Os modelos híbridos da marca chinesa propõem a tecnologia REEV (veículo elétrico com extensor de autonomia), que rodam 100% a eletricidade mas contam com um motor a combustão exclusivamente para o carregamento da bateria, o que eleva a autonomia.
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Segundo o CEO da Stellantis para América do Sul, Herlander Zola, a expectativa é que os SUVs da Leapmotor B10 e C10 comecem a ser produzidos na fábrica de Goiana a partir de 2027.
“Vamos iniciar a produção local a partir do primeiro trimestre do ano que vem. À medida que desenvolvermos a tecnologia [REEV], o motor vai ser incluído também [na montagem].”

Ele acrescentou que, a partir do momento que a linha de montagem da Leapmotor utilizar motores Stellantis, estes carros passam a ser considerados nacionais. “Teremos um modelo brasileiro. Hoje, os carros chineses usam motores importados.”
Zola disse que, inicialmente, os modelos B10 e C10 vão ser montados em sistema CKD (quando os kits de peças e partes chegam prontos de outra localidade e são montados internamente). “Posteriormente, a produção vai evoluir para o sistema SKD, com a exploração de tecnologia REEVE flex”, disse.
O executivo não descartou que os carros da Leapmotor passem por outras etapas de produção localmente, como estamparia, por exemplo. “Existe a possibilidade disso, mas é algo que ainda vamos estudar, não vai acontecer nesse momento”, observou.
Isonomia
Filosa avaliou de forma positiva a taxação de 100% do governo dos EUA contra carros chineses importados. Segundo o executivo, a administração de Donald Trump conduziu um estudo técnico para detectar o gap de competitividade entre a indústria local e os competidores da China.
Na visão do executivo, o governo brasileiro e a Anfavea (que representa as montadoras locais) precisam analisar parâmetros técnicos de competitividade do carro nacional em relação aos novos entrantes no Brasil, que basicamente vêm da China.
“Com o resultado dessa análise, a minha sugestão é que mecanismos de equalização sejam implementados para continuar encorajando a competição interna e também criando sustentabilidade de longo prazo para as cadeias de valor que já estão instaladas no Brasil”, disse. “É claro que existe um gap competitivo entre os mercados globais e a China”, acrescentou.
Carro ‘popular’
Filosa disse que há cerca de três anos o carro de entrada do grupo no Brasil, o Mobi, custava cerca de R$ 50 mil e, atualmente, o preço gira em torno de R$ 80 mil.
“Nossa margem não mudou, continua muito baixa no Mobi. O que aumentou foi a estrutura de custos, nossos preços seguem nivelados pelo mercado”, justificou.
Segundo o executivo, os custos estruturais, de inflação e mudanças regulatórias para o setor automotivo são os principais vetores de aumento dos valores dos carros no país.
Mesmo assim, Filosa comemorou o desempenho do Brasil. De janeiro a março, a Stellantis emplacou cerca de 174 mil veículos no país, alcançando 29,1% de participação de mercado.
Já na América do Sul, o grupo encerrou o primeiro trimestre com 232 mil unidades emplacadas, somando cerca de 21,2% de participação de mercado, o que segundo a Stellantis deve garantir a liderança em países estratégicos como Brasil e Argentina.
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