Bloomberg — A SpaceX fez história com o maior IPO já realizado, ao entrar para o grupo das maiores empresas de capital aberto do mundo e deixar o fundador, Elon Musk, à beira de se tornar o primeiro trilionário da história.
A companhia, oficialmente chamada Space Exploration Technologies, vendeu 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, segundo comunicado publicado em seu site nesta quinta-feira (11). O IPO da SpaceX tem mais que o dobro do tamanho da abertura de capital da Saudi Aramco, que levantou US$ 29,4 bilhões em 2019.
Nesse preço, a SpaceX alcança valor de mercado de US$ 1,77 trilhão. Considerando opções de ações para funcionários e unidades de ações restritas, a precificação atribui à empresa um valor totalmente diluído de cerca de US$ 1,8 trilhão.
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A base de fãs de Musk entre investidores de varejo é um componente crucial da operação. Esse grupo apresentou mais de US$ 100 bilhões em ordens de compra das ações, disseram pessoas familiarizadas com o assunto nesta quinta-feira (11), muito acima dos 20% dos papéis reservados para eles.
Nem todos compartilham o entusiasmo.
O veterano James Chanos afirmou na quarta-feira (10) que se trata de “um IPO movido por esperança e sonhos”, impulsionado pelo entusiasmo em torno de Musk e da inteligência artificial, e não pelos fundamentos de uma empresa que ainda não registrou lucro.
Ainda assim, combinada com mudanças regulatórias que podem acelerar a inclusão da ação em índices de referência como o Nasdaq-100, a demanda de fundos passivos e de investidores de varejo que não conseguiram comprar ações no preço do IPO deve criar uma sólida base compradora para os papéis da empresa de foguetes, satélites e IA quando começarem a ser negociados.
“Provavelmente é o IPO mais baseado em expectativas que já vimos”, disse Kim Forrest, diretora de investimentos da Bokeh Capital Partners, acrescentando que não costuma investir em aberturas de capital. Os compradores da SpaceX “querem fazer parte do futuro”, afirmou. “E acho curioso que haja tanta esperança em um momento em que os mercados oscilam entre a ganância e o medo.”
A SpaceX é a primeira de três grandes ofertas públicas esperadas para aproveitar o apetite dos investidores por empresas líderes em inteligência artificial, uma demanda aparentemente insaciável que levou os principais índices dos EUA a níveis recordes neste ano, apesar da aceleração da inflação e das disrupções econômicas provocadas pela guerra no Irã.
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A Anthropic e a OpenAI, duas concorrentes da empresa no setor de IA, devem abrir capital ainda neste ano e podem buscar avaliações superiores a US$ 1 trilhão cada. Por isso, o desempenho das ações da SpaceX será acompanhado com tanta atenção pelos investidores de venture capital do Vale do Silício quanto pelos operadores de Wall Street.
A enxurrada de novas ações no mercado, somada a uma oferta de ações de US$ 85 bilhões da Alphabet e à possibilidade de outras gigantes de tecnologia seguirem o mesmo caminho, está alimentando um debate sobre se haverá demanda suficiente para absorver toda essa oferta.
“É um grande acontecimento como espécie de precursor para Anthropic e OpenAI”, disse Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise.
“Quando observo essas três empresas e o volume de capital que estão captando, isso me diz que a demanda por IA continua muito forte, apesar da maior volatilidade. E parte dessa volatilidade nos mercados tem relação com o posicionamento dos investidores diante das expectativas para esses IPOs.”
A vantagem de pioneirismo de Musk permite que a SpaceX registre mais um salto de valuation em menos de um ano.
A aquisição da xAI, também de Musk, em fevereiro elevou a avaliação privada da companhia combinada para US$ 1,25 trilhão e a avaliação original da SpaceX para US$ 1 trilhão.
O valor havia sido de cerca de US$ 800 bilhões em uma venda interna de ações em dezembro — aproximadamente o dobro do registrado em julho de 2025.
Ao preço de US$ 135 por ação, o valor de mercado da SpaceX a coloca entre as dez maiores empresas de capital aberto do mundo, superando até mesmo a Tesla, também controlada por Musk.
A disparada reflete a transformação da empresa em apenas seis meses: de uma companhia focada em lançamentos de foguetes e internet banda larga via satélite para uma aspirante a potência da inteligência artificial.
Contratos para fornecer infraestrutura computacional à Anthropic e ao Google, da Alphabet, por até US$ 2,17 bilhões por mês devem se tornar sua principal fonte de receita.
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A visão apresentada por Musk coloca a SpaceX no centro de um futuro digno de ficção científica, com centros de dados no espaço e fábricas robotizadas na Lua.
A proposta surgiu no momento exato para aproveitar o apetite crescente por investimentos ligados ao boom da inteligência artificial. Mesmo após a forte correção recente, o Nasdaq-100 ainda acumula alta de 15,45% no ano, enquanto o índice Philadelphia Stock Exchange Semiconductor avançou 81,84%, impulsionado pela corrida por infraestrutura física necessária ao setor.
Ainda assim, grande parte do plano da SpaceX para dominar o que a empresa considera um mercado potencial de US$ 26,5 trilhões em IA depende de tecnologias que ainda não existem ou nunca foram testadas em larga escala.
A companhia também enfrenta forte concorrência da Anthropic e da OpenAI, cujos chatbots têm adoção mais ampla entre consumidores e empresas do que o Grok, da xAI.
“O mercado potencial para o espaço é infinito”, afirmou Chanos, fundador da Chanos, durante a conferência iConnections Global Alts, em Nova York, na quarta-feira.
“Você pode criar qualquer narrativa que quiser — colônias em Marte, fábricas na Lua, centros de dados no espaço — para justificar a avaliação.”
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