Sabesp está perto de preço limite em leilão dado o risco, diz CEO da Aegea

Papéis da empresa de saneamento sobem cerca de 50% na bolsa em um ano até segunda-feira (13), com rali alimentado pela perspectiva de privatização

Sabesp
Por Rachel Gamarski - Felipe Saturnino
15 de Maio, 2024 | 08:54 AM

Bloomberg — As ações da Sabesp (SBSP3) estão quase em um preço “limite”, dadas as incertezas envolvidas para quem sair vencedor do leilão de privatização, disse Radamés Casseb, CEO da Aegea, que cita a garantia dos direitos ao eventual acionista estratégico que comandará a companhia.

“Este preço estaria adequado para uma companhia com plenos direitos” ao acionista estratégico, disse Casseb, em entrevista à Bloomberg News. “Para uma companhia que traz riscos”, o preço atual “não pareceria adequado”, disse.

Segundo ele, a ação está “quase em um limite de estímulo”. O papel ordinário da Sabesp fechou a sessão de segunda-feira (13) cotado a R$ 78,47, com valorização da ordem de 50% no período de um ano, rali alimentado pela perspectiva de privatização.

Leia mais: Sabesp: leilão terá duas etapas e 15% das ações irão para ‘acionista estratégico’

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Segundo o presidente da Aegea, uma das empresas que pretendem entrar na oferta da Sabesp como acionista de referência, é importante que o investidor estratégico receba do governo do estado de São Paulo a garantia de que poderá ter os direitos plenos para executar os planos, como o de universalização do saneamento, despoluição de rios e acessibilidade da água a pessoas vulneráveis.

Ele cita, por exemplo, que a capacidade de desburocratizar decisões importantes, como a de elevar o nível de investimento e a alocação desses recursos, será crucial para um acionista estratégico.

Nesse sentido, Casseb diz aguardar as próximas publicações do governo com os direitos dos acionistas, que deverá ser divulgada pelo governo antes do prospecto do “follow-on” — a oferta secundária de ações — que dará início à privatização.

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Empresa de saneamento busca acionista estratégicodfd

“Meu receio aqui é aprovar um orçamento e ter que discutir elevação de investimentos de R$ 4 bilhões para R$ 10 bilhões por várias reuniões”, disse Casseb.

Ele cita o risco de entrar no leilão pela fatia de 15% do governo estadual, o que seria equivalente a mais de R$ 8 bilhões nos preços atuais, “com um objetivo super nobre sem ter os direitos de que isso aconteça”.

Analistas de ações acreditam que o preço-alvo para os papéis da companhia é acima de R$ 97, segundo consenso da Bloomberg, um potencial de alta de cerca de 24% dos níveis atuais. Itaú BBA e JPMorgan (JPM) projetam patamares ao redor de R$ 120.

IPO

O modelo de privatização lançado pelo governo de São Paulo divide o leilão em dois momentos. Na primeira etapa, serão selecionados dois “acionistas estratégicos”, com base no maior preço ofertado.

Em seguida, cada competidor irá ancorar uma nova rodada de atração de investimentos, competido pelo maior número de propostas.

Para viabilizar a participação da Aegea, Casseb vai a Nova York esta semana para atrair investidores. Segundo ele, a empresa está perto de conseguir os recursos necessários para a oferta. A companhia contratou o Itaú (ITUB4) e o Bradesco (BBDC4) como assessores financeiros para a oferta.

O processo definido pelo estado ainda gera dúvidas para a Aegea, segundo Casseb, como a possível concorrência com empresas de capital aberto. “Nós somos uma empresa operacional, estamos focando em resolver problema,” disse, acrescentando que está nos planos da empresa um eventual IPO “talvez depois da oferta da Sabesp”, afirmou. “O plano está montado.”

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Caso a Aegea não seja a vencedora, Casseb afirma que a empresa não tem interesse em uma fatia minoritária.

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