Bloomberg — A Revolut, uma das fintechs mais valiosas e de maior crescimento do mundo, avalia a contratação de bancos de investimento para assessorá-la na eventual compra de um banco nos EUA para catapultar seu crescimento no país.
A fintech conversou com possíveis assessores sobre um mandato, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
A empresa de tecnologia financeira ainda está avaliando se pretende fazer uma aquisição ou se vai solicitar uma licença bancária própria, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada ao discutir informações não públicas.
As últimas deliberações ocorrem no momento em que a Revolut se prepara para lançar produtos de poupança para os consumidores norte-americanos nas próximas semanas, de acordo com a pessoa familiarizada com o assunto.
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Recentemente, a empresa começou a aumentar seus gastos com marketing nos Estados Unidos para atrair mais clientes para suas plataformas, inclusive oferecendo viagens gratuitas de metrô para os nova-iorquinos.
A Revolut, com sede em Londres, não quis comentar à Bloomberg News seus planos para os EUA.
Durante anos, a Revolut operou nos Estados Unidos por meio de bancos parceiros, depois de ter arquivado em 2021 um pedido de licença que lhe permitiria oferecer empréstimos e outros serviços bancários.
Agora, no entanto, a Revolut e muitos de seus rivais buscam uma chance de se apropriar de mais desse processo, com uma licença bancária própria.
As mudanças ocorrem no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, deu início a uma era de desregulamentação financeira, e muitos bancos de investimento esperam que o governo seja mais brando na aprovação de fusões.
A Revolut estuda a melhor maneira de abordar uma possível licença nos EUA, depois que a fintech britânica levou mais de três anos para obter uma licença bancária em seu país de origem.
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Até o momento, a empresa permanece na chamada “fase de mobilização” para sua licença bancária no Reino Unido, o que significa que seus negócios domésticos enfrentam rigorosas barreiras dos órgãos reguladores.
Essa fase - que começou em julho de 2024 - ainda está em andamento, apesar de o Banco da Inglaterra ter afirmado em seu site que “pode levar apenas alguns meses, mas não pode continuar indefinidamente e não deve levar mais de 12 meses”.
A Revolut disse que está nos estágios finais desse processo.
“Dada a escala global da Revolut, esta é a maior e mais complexa mobilização já realizada no Reino Unido”, disse a empresa em um comunicado no mês passado.
“Uma revisão minuciosa é uma parte esperada do processo e fazer isso corretamente é mais importante do que correr para cumprir uma data específica.”
O CEO, Nik Storonsky, disse que “por muito tempo eu quis ser o menos regulamentado possível, foi uma decisão completamente errada”.
Uma empresa menor teria tido mais facilidade para obter licenças do que uma empresa do tamanho da Revolut hoje, acrescentou ele em uma conferência no ano passado.
A fintech com sede em Londres também tem mantido conversações para levantar cerca de US$ 1 bilhão em financiamento liderado pela Greenoaks Capital.
Essas discussões incluem o levantamento de uma combinação de financiamento primário e secundário com um valuation combinado de US$ 65 bilhões, o que proporciona à empresa muito fôlego para sua expansão nos EUA.
Em venda de capital no mercado secundário em meados de 2024, a Revolut foi avaliada em US$ 45 bilhões, o que a colocou como a fintech mais valiosa da Europa.
A Revolut opera em toda a Europa e trabalha para obter uma licença bancária francesa separada.
A fintech obteve uma licença bancária no México no ano passado e, em junho, disse que vai adquirir o Banco Cetelem da Argentina, um pequeno player local de propriedade do BNP Paribas, em meio à sua investida na América Latina - que começou em 2023 no Brasil, o maior mercado da região.
Globalmente, a Revolut tem cerca de 60 milhões de clientes, e a receita no ano passado cresceu 72%, chegando a £ 3,1 bilhões.
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