Bloomberg — A gigante de energia Mercuria está perto de adquirir uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina que estão sendo vendidos pela Raízen, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News.
O acordo pode ser avaliado em mais de US$ 1 bilhão, disseram algumas das pessoas, que pediram para não serem citadas porque as negociações são privadas. A Bloomberg News informou em novembro que a Mercuria estava entre os finalistas na licitação para os ativos.
Nenhum contrato foi assinado ainda e uma transação pode não acontecer. As negociações ativas ainda estão em andamento, disseram as pessoas.
A Raízen, maior produtora brasileira de etanol combustível a partir da cana-de-açúcar, está se desfazendo de ativos em meio a preocupações com sua dívida crescente.
A classificação de crédito da empresa foi cortada profundamente pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, que citaram uma crescente crise de caixa, alimentando uma venda de seus títulos que cortou os preços quase pela metade na última semana.
A Mercuria busca, por sua vez, aumentar sua presença no setor de refino em meio às expectativas de que o presidente argentino Javier Milei acelere seus esforços de desregulamentação.
Na primeira metade de seu mandato, Milei eliminou os controles sobre os preços do petróleo e dos combustíveis.
A refinaria de petróleo Dock Sud da Raízen em Buenos Aires tem uma capacidade diária de 101.000 barris, o que a torna a terceira maior instalação da Argentina, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA.
A rede de cerca de 700 postos de gasolina da Raízen é responsável por 19% das vendas de gasolina e diesel do país, de acordo com a líder de mercado YPF.
Os representantes da Mercuria e da Raízen não quiseram comentar.
A Mercuria possui ativos de petróleo na Argentina por meio de sua participação majoritária na Phoenix Global Resources, que está perfurando em uma área de xisto na Patagônia.
A oferta da Mercuria pelos ativos da Raízen é o exemplo mais recente de casas de comércio de commodities que buscam abocanhar instalações de petróleo para manter os lucros da crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia.
A Raízen, uma joint venture da Shell e do conglomerado brasileiro Cosan, adquiriu os ativos em 2018 da Shell, que os possuía em definitivo, durante a última experiência da Argentina com reformas lideradas pelo mercado.
Mais recentemente, a Raízen foi abalada por uma dívida alta depois de fazer grandes investimentos em usinas de biocombustível à base de resíduos que não se pagaram devido à demanda mais fraca do que o esperado.
--Com a ajuda de Archie Hunter.
Veja mais em bloomberg.com
©2026 Bloomberg L.P.





