Raízen está perto de vender refinaria e postos na Argentina à Mercuria, dizem fontes

Ativos podem ser avaliados em mais de US$ 1 bilhão, segundo disseram fontes à Bloomberg News; venda ocorre enquanto a Raízen busca reduzir a alavancagem após rebaixamentos de rating e pressão sobre o caixa

Raizen
Por Cristiane Lucchesi - Lucia Kassai - Rachel Gamarski
10 de Fevereiro, 2026 | 07:41 AM

Bloomberg — A gigante de energia Mercuria está perto de adquirir uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina que estão sendo vendidos pela Raízen, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News.

O acordo pode ser avaliado em mais de US$ 1 bilhão, disseram algumas das pessoas, que pediram para não serem citadas porque as negociações são privadas. A Bloomberg News informou em novembro que a Mercuria estava entre os finalistas na licitação para os ativos.

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Nenhum contrato foi assinado ainda e uma transação pode não acontecer. As negociações ativas ainda estão em andamento, disseram as pessoas.

A Raízen, maior produtora brasileira de etanol combustível a partir da cana-de-açúcar, está se desfazendo de ativos em meio a preocupações com sua dívida crescente.

A classificação de crédito da empresa foi cortada profundamente pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, que citaram uma crescente crise de caixa, alimentando uma venda de seus títulos que cortou os preços quase pela metade na última semana.

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A Mercuria busca, por sua vez, aumentar sua presença no setor de refino em meio às expectativas de que o presidente argentino Javier Milei acelere seus esforços de desregulamentação.

Na primeira metade de seu mandato, Milei eliminou os controles sobre os preços do petróleo e dos combustíveis.

A refinaria de petróleo Dock Sud da Raízen em Buenos Aires tem uma capacidade diária de 101.000 barris, o que a torna a terceira maior instalação da Argentina, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA.

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A rede de cerca de 700 postos de gasolina da Raízen é responsável por 19% das vendas de gasolina e diesel do país, de acordo com a líder de mercado YPF.

Os representantes da Mercuria e da Raízen não quiseram comentar.

A Mercuria possui ativos de petróleo na Argentina por meio de sua participação majoritária na Phoenix Global Resources, que está perfurando em uma área de xisto na Patagônia.

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A oferta da Mercuria pelos ativos da Raízen é o exemplo mais recente de casas de comércio de commodities que buscam abocanhar instalações de petróleo para manter os lucros da crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia.

A Raízen, uma joint venture da Shell e do conglomerado brasileiro Cosan, adquiriu os ativos em 2018 da Shell, que os possuía em definitivo, durante a última experiência da Argentina com reformas lideradas pelo mercado.

Mais recentemente, a Raízen foi abalada por uma dívida alta depois de fazer grandes investimentos em usinas de biocombustível à base de resíduos que não se pagaram devido à demanda mais fraca do que o esperado.

--Com a ajuda de Archie Hunter.

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