PicPay precifica ação no topo da faixa e capta US$ 434 milhões em IPO na Nasdaq

Fintech controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista será a primeira empresa brasileira a abrir capital em mais de quatro anos em cerimônia nesta quinta-feira (29); PicPay foi avaliado em US$ 2,5 bilhões nos termos da operação

Sede do PicPay em São Paulo: IPO ocorre em um momento de retomada do apetite global por ativos de mercados emergentes (Foto: Rogério Cassimiro/PicPay)
28 de Janeiro, 2026 | 08:49 PM

Bloomberg Línea — O PicPay precificou a US$ 19 por ação sua oferta pública inicial (IPO) na Nasdaq, no topo da faixa indicativa, em um movimento que marca o primeiro IPO de uma empresa brasileira em mais de quatro anos.

A fintech controlada pela família Batista vendeu 22.857.143 ações ordinárias classe A, levantando cerca de US$ 434 milhões na oferta base.

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Pelos termos da operação, a precificação implica um valor de mercado em torno de US$ 2,5 bilhões, com base no total de ações da empresa após a oferta.

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As ações começarão a ser negociadas na Nasdaq nesta quinta-feira (29) sob o código PICS.

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Segundo informações da Bloomberg News com base em fontes com acesso a detalhes da oferta, a demanda de investidores superou em cerca de 12 vezes o total de ações colocadas à venda.

O IPO ocorre em um momento de retomada do apetite global por ativos de mercados emergentes e é visto como um possível termômetro para a reabertura da janela de ofertas de empresas brasileiras. O último IPO de uma companhia do país nos Estados Unidos foi o do Nubank, em dezembro de 2021.

Com a oferta, o PicPay pretende alterar seu nome corporativo de Picpay Holdings Netherlands B.V. para PicS N.V., mudança que deve se tornar efetiva na Nasdaq em 30 de janeiro.

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Fundado em 2012 como uma carteira (wallet) digital, o PicPay passou por uma transformação do seu modelo de negócios após o lançamento do Pix e passou a atuar também como um banco digital com foco crescente em crédito.

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Essa mudança levou a empresa de um prejuízo de R$ 1,9 bilhão em 2021 a um lucro líquido de R$ 252 milhões em 2024. Nos nove primeiros meses de 2025, o lucro somou R$ 313,8 milhões, segundo dados divulgados pela companhia.

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O PicPay atende mais de 66 milhões de clientes no Brasil, dos quais 42 milhões estavam ativos no terceiro trimestre de 2025, atrás apenas de Nubank e Mercado Pago em número de contas entre players nativos digitais.

Diferentemente de alguns concorrentes, a fintech opera exclusivamente no mercado brasileiro, expandindo sua atuação por meio de novas linhas de negócio, como crédito, cartões, seguros e investimentos.

A oferta contou com Citigroup, Bank of America e RBC Capital Markets como coordenadores globais.

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Mizuho, Wolfe, Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP Investment Banking atuaram como joint bookrunners, e a FT Partners participou como co-manager, segundo comunicado do PicPay nesta quarta-feira (28).

Os bancos têm ainda uma opção de 30 dias para adquirir até 3,43 milhões de ações adicionais, o que pode elevar o volume total da operação.

Mesmo após o IPO, o controle do PicPay permanece com a J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio de ações de classe B com direito a dez votos cada, conforme o prospecto.

-- Com informações da Bloomberg News.

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