Bloomberg Línea — O PicPay pretende ampliar a rentabilidade da sua base de mais de 66 milhões de clientes, tendo o crédito como principal motor de crescimento, depois de concluir sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq nesta quinta-feira (29).
Segundo o CEO, Eduardo Chedid, a fintech planeja continuar a executar a estratégia de expandir produtos como cartão, empréstimo consignado público e privado, antecipação de FGTS e outras áreas de crédito para ampliar sua carteira.
“Temos 6% de share of wallet desses clientes. Há 94% para tentar conquistar. O que significa que, sim, tem espaço [para crescer]”, disse o CEO em entrevista a jornalistas em Nova York, após a cerimônia de abertura de capital na bolsa americana que reúne empresas de tecnologia.
Leia também: PicPay precifica ação no topo da faixa e capta US$ 434 milhões em IPO na Nasdaq
A fintech, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista por meio da J&F Investimentos - e presentes no simbólico ato de toque do sino para abrir o pregão no prédio da Nasdaq na Times Square -, levantou cerca de US$ 434 milhões em seu IPO, precificando as ações (PICS) no topo da faixa indicativa, a US$ 19.
Os papéis abriram as negociações em alta de mais de 3% por volta das 12h15 no horário em Nova York. As ações subiam 1,39%, a US$ 19,27, por volta das 15h10 no horário local.

A cerimônia de abertura contou com a presença de Wesley e Joesley Batista, além de membros da família, incluindo o sobrinho José Antônio Batista, presidente do conselho do PicPay.
Reunidos na Nasdaq, os irmãos Batista e seus familiares participaram do toque do sino da Nasdaq, às 9h30 no horário local.
Chedid, líder executivo do PicPay, reconheceu que as condições financeiras ainda apertadas no Brasil representam um desafio na estratégia de crédito, mas afirmou que a expansão ocorre sempre “de maneira progressiva”.
“O cliente entra conforme ele vai demonstrando o comportamento transacional. Daí adicionamos um ‘pouquinho’ de crédito. Conforme ele demonstra o comportamento em crédito, nós aumentamos o limite [de crédito] progressivamente.”
Outro segmento prioritário em que a empresa planeja avançar é como banco para pessoa jurídica. Chedid afirmou que o PicPay tem feito lançamentos de novos produtos para PJ para atrair essa base de clientes.
Leia mais: Irmãos Batista em Nova York (de novo): o pedido de IPO do PicPay na Nasdaq
Em outra frente, a empresa listou em seu prospecto o plano de montar uma frente de apostas esportivas. O CEO afirmou que a empresa pediu a licença para atuar como “bet” e que aguarda o resultado da solicitação.
“Pedimos a licença e ainda não sabemos quando [vamos começar], porque depende disso. Mas a nossa ideia é focar em apostas esportivas, que está muito mais dentro do dia-a-dia do brasileiro. Tem Copa do Mundo vindo aí”, disse.

Sobre a possibilidade de fusões e aquisições (M&A) para acelerar o crescimento inorgânico, o executivo disse que o PicPay tem seguido ao longo de sua trajetória uma “filosofia” de buscar empresas que poderiam diminuir o time to market de novas apostas de produtos e que tivessem “capital intelectual muito bom”.
Foi o caso, segundo ele, de empresas adquiridas como o GuiaBolso (app de finanças pessoais), o BxBlue (crédito consignado) e a Kovr (seguros).
No momento em que outros bancos, como Nubank, BTG Pactual e Inter, buscam avançar no mercado dos Estados Unidos com uma licença bancária, o PicPay reiterou que não tem planos no momento de crescer internacionalmente e que pretende continuar a expansão no Brasil.
“Pelos próximos dois, três anos, vamos estar exclusivamente focados no Brasil”, disse Chedid.
“Se você olhar o profit pool do mercado, aproximadamente 70% continuam concentrado em cinco bancos. Isso vem caindo? Vem. Mas nós acreditamos que ainda tem muito espaço para os bancos digitais.”
Leia também
Como o PicPay passou de fintech com prejuízo bilionário a raro IPO do Brasil em NY
Inter avança em ambição global com cartão de crédito para residentes nos EUA









