Bloomberg — O Patria, gestora brasileira de investimentos alternativos que anunciou sua primeira aquisição nos EUA no mês passado, afirmou estar em busca de novos alvos nos Estados Unidos, Europa e América Latina com a ambição de se tornar uma das 30 maiores gestoras do mundo.
“Ainda existem oportunidades de aquisição”, disse Daniel Sorrentino, sócio-gestor e responsável global por clientes do Patria, em entrevista à Bloomberg News.
“Na América Latina, nossa aspiração é continuar mantendo nossa posição de destaque, enquanto os mercados desenvolvidos, especialmente a Europa e os Estados Unidos, também são um foco, pois são os maiores mercados para investimentos alternativos.”
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Em fevereiro, o Patria concordou em adquirir a WP Global Partners, gestora de private equity focada no segmento de pequenas e médias empresas, com cerca de US$ 1,8 bilhão em ativos sob gestão.
Com cerca de US$ 52,6 bilhões atualmente, a ambição do Patria é alcançar US$ 150 bilhões em ativos, disse Sorrentino.
O setor de gestão de ativos na América Latina enfrenta uma consolidação, com empresas menores em dificuldades e as altas taxas de juros no Brasil diminuindo o interesse por investimentos alternativos.
A Vinci Compass, concorrente direta do Patria e com US$ 59,5 bilhões sob gestão, anunciou em outubro a aquisição da renomada gestora de fundos brasileira Verde Asset Management. Em 2024, a Vinci unificou suas operações com a Compass, outra gestora de ativos alternativos da região.
Sorrentino mudou-se para Londres no ano passado para auxiliar o Patria em sua expansão, mantendo-se próximo ao negócio de private equity adquirido do Aberdeen Group em 2024. Essa aquisição criou uma unidade com 70 funcionários, elevando o total do Patria para 800. Ela representa 27% dos ativos sob gestão da empresa.
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O Patria possui escritórios no Brasil, Uruguai, Chile, Peru, México, Colômbia, Londres, Edimburgo, Hong Kong, Dubai e Los Angeles. Após a conclusão da aquisição da WP, a empresa também terá presença local em Chicago e Nova York. O Patria está abrindo escritórios em Toronto e Pequim.
“A grande ambição é ser um player global e relevante, continuando a diversificar nossa base de clientes e a ampliar nossa gama de estratégias e produtos”, disse Sorrentino.
O crédito privado também é uma prioridade.
Em novembro, o Patria adquiriu 51% da Solis Investimentos, uma das maiores gestoras independentes especializadas nesse segmento em expansão no Brasil, com mais de US$ 3,5 bilhões sob gestão. O Patria também está captando recursos para um fundo de crédito privado em mercados internacionais, segundo comunicado visto pela Bloomberg em fevereiro.
Em dezembro, o Patria anunciou a aquisição de fundos imobiliários da RBR Asset Management, elevando o total sob gestão desses instrumentos negociados em bolsa para US$ 5,1 bilhões, incluindo os adquiridos do Credit Suisse em 2024.
O Patria começou como uma gestora de private equity e infraestrutura e, desde sua oferta pública inicial de ações nos EUA em 2021, vem realizando uma série de aquisições, que começaram na América Latina com a compra da chilena Moneda Asset Management também em 2021 e de diversos fundos brasileiros. O Patria possui mais de 35 estratégias e 100 produtos.
“O ano passado foi, sem dúvida, o melhor ano da história do Patria em termos de crescimento de receita, crescimento de lucro, crescimento de captação de recursos, nível de atividade e desempenho de nossos fundos”, disse Sorrentino. Cinco anos atrás, antes do IPO, o Patria não tinha mais de US$ 14 bilhões sob gestão.
A empresa captou US$ 7,7 bilhões em fundos no ano passado, 30% a mais do que o esperado, disse ele, o que possibilita atingir a meta anunciada de US$ 70 bilhões em ativos sob gestão até o final do próximo ano.
Ainda assim, o Patria foi alvo de críticas no início deste ano, após a Snowcap Research, empresa especializada em vendas a descoberto de ações, publicar um relatório argumentando que a gestora mantinha algumas de suas participações em private equity com avaliações inflacionadas e recorria a financiamento de fundos para sustentar esses investimentos. O Patria afirmou que considerava algumas das alegações da Snowcap como uma caracterização errônea de seus negócios.
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