Bloomberg — Logo após a Nissan ter perdido um membro do conselho de administração, depois que a Renault, sua parceira de aliança e principal acionista, retirou seu apoio, a montadora japonesa tem uma mensagem a transmitir: está tudo bem.
Durante uma entrevista na sede da Bloomberg em Nova York, o CEO da Nissan, Ivan Espinosa, minimizou a importância da abstenção da Renault na votação da semana passada para a recondução do influente conselheiro externo Motoo Nagai.
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Embora a manobra tenha custado a Nagai o cargo no conselho que ele ocupava desde 2019, o episódio não é um indício de tensão renovada nas relações entre a Nissan e a Renault, afirmou o CEO.
“Muito disso também foi dito quando a estrutura de participação cruzada foi alterada, com comentários do tipo: ‘Ah, eles vão se separar e se odeiam’”, disse Espinosa. “Mas a realidade é que, agora, estamos colaborando melhor do que nunca.”
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A aliança Renault-Nissan tem sido marcada por conflitos desde o início, com a montadora francesa entrando em cena para resgatar sua contraparte japonesa em 1999.
As duas empresas entraram em conflito nas décadas seguintes devido à interferência governamental e aos desequilíbrios de poder que serviram de pano de fundo para a chocante prisão do líder de longa data Carlos Ghosn em 2018.
Espinosa, de 47 anos, traçou um contraste entre esses conflitos e a rejeição da Renault a Nagai, um ex-banqueiro do Mizuho Financial Group que atuou como auditor estatutário da Nissan por cinco anos antes de ingressar em seu conselho.
O CEO afirmou que a Renault se absteve de votar em Nagai, de 72 anos, por temer que ele tivesse trabalhado com a Nissan por tempo demais.
“É tão simples quanto isso”, disse Espinosa. “Eles são acionistas da empresa e têm todo o direito de fazer isso.”
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A Renault e a Nissan chegaram a um acordo histórico no início de 2023 que colocou as duas empresas em pé de igualdade. Anteriormente, a Renault detinha 43% da Nissan, uma participação que superava em muito a participação sem direito a voto de 15% da Nissan na Renault.
O equilíbrio foi alcançado quando a Renault transferiu mais de 28% das ações da Nissan para um fundo fiduciário francês que permaneceria neutro na maioria das decisões de voto. Embora a Renault possa instruir o administrador do fundo a vender as ações após conceder à Nissan o direito de preferência, a última vez que a empresa alienou ações foi em setembro de 2024.
Espinosa alertou para que não se desse demasiada importância ao tempo decorrido desde a última alienação da Renault.
“Não importa se você possui ações de uma empresa ou não. O valor não vem disso”, afirmou Espinosa. “O valor vem do trabalho conjunto e da geração efetiva de sinergias. A participação cruzada não é indício de nada.”
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A Nissan trabalha em projetos com a Honda da mesma forma que colabora com a Renault, apesar de as duas empresas japonesas não terem participação acionária uma na outra, afirmou Espinosa.
As empresas estão em negociações sobre uma possível colaboração em eletrônica e software automotivo, e também podem compartilhar componentes do trem de força e das baterias.
Separadamente, a Nissan também continua a colaborar com seu outro parceiro de aliança, a Mitsubishi Motors.
Espinosa afirmou que uma picape de tamanho médio com a marca Mitsubishi será um dos seis veículos que a Nissan produzirá em sua fábrica em Canton, no Mississippi, a partir de uma linha que atualmente monta apenas um modelo: a picape Frontier.
A Nissan encerrará este ano fiscal operando sua rede global de fábricas com uma taxa de utilização de 75% ou mais, afirmou Espinosa. No próximo ano, quando a empresa iniciar a consolidação de sua fábrica em Oppama, no Japão, a utilização da capacidade se aproximará de 90%.
Nos últimos anos, a taxa de utilização das fábricas da Nissan caiu para “cerca de 60%”, segundo Espinosa. “Estava realmente muito, muito baixa”, afirmou ele.
Logo após Espinosa assumir o cargo de CEO, há 15 meses, ele anunciou planos para fechar sete fábricas e cortar 20.000 empregos, na sequência de a Nissan ter registrado um de seus maiores prejuízos anuais de todos os tempos.
A empresa espera voltar a ter lucro no atual exercício fiscal, prevendo um lucro líquido de ¥20 bilhões (US$ 123 milhões) para o ano que termina em março de 2027.
-- Com a colaboração de Craig Trudell e Tamami Shimizuishi.
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