O que fez a ação da Arm, que desenvolve chips, disparar quase 50% em um dia

Em entrevista à Bloomberg Television, o CEO da empresa, Rene Haas, disse que as oportunidades no mercado estão apenas nos estágios iniciais

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Por Ian King
09 de Fevereiro, 2024 | 01:25 PM

Bloomberg — As ações da Arm Holdings (ARM) dispararam 48% na quinta-feira (8) após os investimentos de empresas no segmento de inteligência artificial (IA) ajudarem a fortalecer o guidance da companhia desenvolvedora de chips. E o CEO da Arm disse que a oportunidade notável apresentada pela IA ainda está em seus estágios iniciais. Nesta sexta (9), os papéis caíam 2% por volta das 13h10 (horário de Brasília), depois do rali no dia anterior

“A IA não está de forma alguma em um ciclo de hype”, disse Rene Haas em entrevista à Bloomberg Television. “Acreditamos que a IA seja a oportunidade mais profunda de nossas vidas, e estamos apenas no começo.”

Os comentários foram feitos após a divulgação do balanço da empresa na quinta-feira (8), quando a Arm projetou uma receita entre US$ 850 milhões a US$ 900 milhões para o primeiro trimestre de 2024.

Isso superou em muito as projeções dos analistas de US$ 778 milhões. Os lucros projetados serão de aproximadamente 30 centavos por ação, excluindo alguns itens, bem à frente da estimativa de 21 centavos de Wall Street.

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A tecnologia da Arm é incorporada a uma ampla variedade de produtos, de smartphones a carros e eletrodomésticos. A corrida para adicionar tecnologia de IA promete acelerar essa expansão, disse Haas.

Em alguns casos, os fabricantes de eletrônicos ainda não sabem como aproveitar totalmente a IA - eles apenas querem garantir que tenham capacidade computacional suficiente para lidar com o que está por vir.

A Arm costumava se concentrar em tecnologia para smartphones, mas agora esse mercado representa cerca de um terço das vendas. Os celulares de hoje também contêm mais tecnologia da empresa por dispositivo, ajudando a aumentar os royalties que os fabricantes pagam à Arm.

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“Isso é resultado de estratégias que foram implementadas há alguns anos e que estão dando frutos”, disse Haas na entrevista. “Muitas pessoas realmente não entendiam bem a empresa e onde nos encaixávamos: Mas estamos em um veículo Tesla, em uma Ford F-150, estamos em uma câmera inteligente, em uma TV Samsung, nos eletrodomésticos inteligentes.”

O guidance otimista da Arm ajudou a elevar as ações em seu maior rali de um dia desde uma oferta pública inicial em setembro passado.

Outro impulso para a empresa é que os clientes estão migrando para uma nova versão de sua tecnologia chamada V9, que tem o dobro da taxa de royalties de seus predecessores.

Eles também estão usando mais núcleos de preocessamento da Arm por dispositivo - mais de 100 nos novos chips de servidor da Microsoft (MSFT), por exemplo - o que amplifica os royalties. A Arm também ganha participação de mercado em relação à tecnologia concorrente nos mercados de data center e automotivo, disseram os executivos.

A Arm agora espera vendas de US$ 3,16 bilhões a US$ 3,21 bilhões no ano fiscal de 2024, que termina em março. Isso representa um aumento em relação a projeção anterior de até US$ 3,08 bilhões.

A receita cresceu 14% para US$ 824 milhões no terceiro trimestre fiscal (quarto trimestre de 2024). Excluindo alguns itens, o lucro foi de 29 centavos por ação. Wall Street havia previsto uma receita de US$ 760 milhões e lucros de 25 centavos por ação.

A joint venture da Arm na China também foi uma “agradável surpresa positiva”, de acordo com o diretor financeiro Jason Child. Ela contribuiu com 25% da receita total.

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A Arm tem um papel incomum na indústria de semicondutores. Ela licencia o conjunto fundamental de instruções que o software usa para se comunicar com os chips. A empresa também fornece chamados blocos de design que empresas como a Qualcomm (QCOM) usam para construir seus produtos.

Sob a gestão de Haas, a Arm avança para fornecer designs mais completos de chips que podem ser levados diretamente para a fase de fabricação. Essa mudança a torna mais útil para alguns clientes, como empresas de computação em nuvem como a Amazon (AMZN), mas também mais concorrente para alguns clientes tradicionais, como a Qualcomm.

Com sede em Cambridge, na Inglaterra, a Arm pertence ao SoftBank Group, que tem 90% do capital e adquiriu a empresa em 2016 por US$ 32 bilhões. A companhia levantou US$ 4,9 bilhões em um IPO em 2023, marcando a maior estreia em uma bolsa dos EUA no ano passado.

As vendas de licenciamento da Arm subiram 18% para US$ 354 milhões no último trimestre, e a receita de royalties aumentou 11% para US$ 470 milhões.

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A lista de clientes da Arm abrange a indústria de tecnologia. A Apple (AAPL) usa seu conjunto de instruções para os processadores que alimentam o iPhone e os computadores Mac. A Amazon depende dos designs da Arm para seus processadores de servidor Graviton para data centers. E a Qualcomm e a MediaTek são grandes usuárias dos planos da Arm para processadores de smartphone.

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