Como esta fabricante transforma tratores antigos em high tech para desafiar a Deere

AGCO, dona das marcas Massey Ferguson e Fendt, vê oportunidade com as vendas de acessórios para modernizar tratores mais velhos - fabricados por ela ou não

Tratores da Massey Ferguson
Por Michael Hirtzer
08 de Fevereiro, 2024 | 04:59 PM

Bloomberg — A plantadeira de milho do agricultor de Illinois, Leon Adams, está no centro de uma estratégia da fabricante de máquinas agrícolas AGCO (AGCO) para crescer em um mercado dominado pela Deere (DE).

O modelo Deere 1770NT foi construído em 2010 e pintado nas icônicas cores verde e amarelo da empresa, mas os acessórios de alta tecnologia que inserem sementes no solo, 24 fileiras de cada vez, são fabricados pela marca Precision Planting, da AGCO.

A AGCO foca na modernização de tratores usados — produzidos por ela, pela Deere ou por outros fabricantes — como um plano amplo para levar seus equipamentos para a fazenda.

A empresa passou a oferecer equipamentos para tornar os tratores antigos mais inteligentes, apostando que os agricultores querem se atualizar para a última tecnologia enquanto também economizam nos custos. Em resumo: se não pode vencê-los, junte-se a eles.

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“O que estamos mirando é essencialmente os 93% dos clientes que não compram novos equipamentos todos os anos”, disse o CEO da AGCO, Eric Hansotia, em entrevista à Bloomberg no mês passado na sede da Precision Planting, em Tremont, estado de Illinois.

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A modernização de tratores existentes “permite um preço muito mais baixo para que eles obtenham essa capacidade de novos recursos sem ter que trocar todo o maquinário”, disse Hansotia.

Agricultores e seus fornecedores estão sob pressão há meses. Os preços das safras que dispararam durante a pandemia de covid-19 e após a invasão da Ucrânia pela Rússia caíram depois do aumento da oferta global de grãos. Os preços do milho, a cultura mais cultivada nos EUA, recentemente caíram para o menor nível desde 2020.

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A AGCO, cujas marcas de tratores incluem Massey Ferguson e Fendt, é muito menor que a líder do mercado Deere. A empresa sediada em Duluth, na Geórgia, deu início à temporada de balanços de empresas do setor na terça-feira (6). As vendas de 2023 somaram US$ 14,4 bilhões — acima dos US$ 12,7 bilhões em 2022, mas bem abaixo dos US$ 61,3 bilhões do último ano fiscal da Deere.

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Como parte do movimento da AGCO para mirar o mercado de modernização, a empresa disse em setembro que compraria ativos da Trimble (TRMB) por US$ 2 bilhões para ajudar a integrar tecnologia de outros fabricantes em seus sistemas de computador.

Por sua vez, a Deere vê a modernização de máquinas existentes como uma forma de levar agricultores curiosos a adicionar seu sistema de computador e componentes para se conectar à internet — ela recentemente se associou à SpaceX de Elon Musk para esse fim.

Agricultores mais avançados estão modernizando com componentes como o pulverizador da Deere alimentado por inteligência artificial que pode distinguir entre uma cultura e uma erva daninha.

A Deere atende agricultores “onde eles estão, independentemente da idade e composição de suas frotas”, disse Than Hartsock, vice-presidente de atualizações de precisão da Deere, na segunda-feira. A tecnologia avança rapidamente, então a modernização é necessária para acompanhar, acrescentou.

Antes de ingressar na AGCO, Hansotia passou mais de uma década na Deere. Ele agora compara a AGCO ao sistema Android, com tecnologia compatível com outras operadoras, enquanto a Deere é mais parecida com a Apple.

“Eles querem tornar as paredes o mais altas possível e ter um sistema fechado que torne esse ambiente fácil para as pessoas uma vez que estão dentro e difícil para elas saírem”, disse Hansotia.

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Para o agricultor Leon Adams, o equipamento da Deere sempre foi “fenomenal” — a um preço premium. Ele cultiva milho, soja, trigo e abóboras ornamentais em 5.200 acres no sul de Illinois, a algumas horas de carro da sede global da Deere em Moline.

A Precision Planting permitiu que ele construísse uma platadeira Deere “equipada” com adicionais, incluindo um “sistema de fechamento” projetado para ajudar a eliminar bolsões de ar quando as sementes são plantadas, e um sistema de pulverização que permite a aplicação de dois produtos químicos agrícolas diferentes.

Adams, de 42 anos, começou a trabalhar na agricultura nos anos 1990, quando o custo de uma máquina nova era de cerca de US$ 150.000, em média. “Agora, você está olhando para meio milhão de dólares toda vez que se vira”, e algumas máquinas novas custam mais de US$ 1 milhão com recursos adicionais.

“À medida que o custo aumentou, faz mais sentido financeiro olhar para máquinas de um ou dois anos atrás”, disse Adams.

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