O plano da maior vinícola da América Latina para superar a retração do mercado

Osvaldo Solar, CFO da chilena Concha y Toro, conta em entrevista à Bloomberg News por que a empresa espera um aumento de vendas de até 12% em 2024 apesar de queda no mundo

Workers prune grape vines in a vineyard at the Concha y Toro SA Research and Innovation Center in Pencahue, Maule regio, Chile, on Wednesday, Oct. 9, 2019. Concha y Toro, Chile's top wine producer, has radically overhauled its growing methods — implementing more efficient irrigation systems and using advanced biochemistry to create new varieties of grapes — and has started planting fields hundreds of miles south of its main installations near Santiago, the capital city. Photographer: Tamara Merino/Bloomberg
Por James Attwood - Eduardo Thomson
12 de Maio, 2024 | 08:04 AM

Bloomberg — A principal vinícola da América Latina em tamanho, a chilena Vina Concha y Toro, voltou a crescer depois de um período de dois anos marcado por um excesso global do mercado de vinhos, em que chegou a substituir algumas vinhas, acrescentou novos produtos e esteve de olho em aquisições.

A produtora das marcas Don Melchor e Casillero del Diablo espera que o volume de vendas cresça cerca de 8% a 12% neste ano, depois de ter caído 5,7% em 2023, afirmou o CFO Osvaldo Solar em entrevista à Bloomberg News.

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Produtores de vinho ao redor do mundo enfrentaram uma redução em massa do estoque devido a taxas de juros mais altas e a mudanças persistentes no consumo relacionadas à pandemia, como a queda na demanda da China.

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Enquanto a redução de estoque continua, a Concha y Toro se recupera da crise antes que a maioria das demais vinícolas, em parte devido a uma rede de distribuição global que permite vendas diretas a varejistas.

Resultado financeiro da Concha y Toro desde 2019: expectativa de recuperação em 2024 (Fonte: empresa)dfd

Com grande parte da indústria ainda na defensiva, a segunda maior produtora de vinhos do mundo em área plantada vem atualizando algumas das suas vinhas de menor rendimento, além de investir no enoturismo.

Recentemente, adquiriu a marca premium de pisco Malpaso e aumentou sua participação na cervejaria chilena Kross. A empresa planeja reduzir os níveis de dívida neste ano, afirmou Solar.

Embora a Concha y Toro não esteja buscando aquisições específicas de vinho no momento, Solar sinalizou que a fraqueza contínua do setor e a relativa força da sua empresa podem gerar oportunidades.

“Hoje, quando saímos de um momento mais difícil, surgem mais oportunidades”, explicou.

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Embora a demanda global por marcas mais acessíveis continue fraca, o consumo de vinho na China começou a se recuperar e as vendas de produtos premium se mantiveram bastante robustas.

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Os consumidores que buscaram opções de maior qualidade durante a pandemia optaram por opções mais acessíveis devido às condições econômicas fracas, mas ainda se mantêm amplamente dentro da categoria premium, afirmou Solar.

Produtos premium têm margens de lucro maiores do que opções mais econômicas.

Enquanto isso, a Concha y Toro responde às mudanças nos hábitos de consumo de bebidas com novos produtos, à medida que mais pessoas compram opções de baixo teor alcoólico e vinhos brancos em vez de tintos.

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