Açúcar do Brasil ajuda a evitar desabastecimento global e traz alívio para o mercado

Produção do país neste ano deve ser a segunda maior já registrada, reduzindo as preocupações com o abastecimento depois de déficits que elevaram os preços por cinco anos

'Ninguém achava que o Brasil poderia exportar tanto', disse Marcelo de Andrade, diretor de commodities agrícolas da Cofco International
Por Dayanne Sousa - Ilena Peng
10 de Maio, 2024 | 01:59 PM

Bloomberg — O crescimento da produção de açúcar pelo segundo ano consecutivo no Brasil tende a manter os preços mais baixos por mais tempo, trazendo alívio aos compradores que enfrentam escassez no mercado há anos.

O país, maior exportador de açúcar do mundo, caminhando para ter a segunda maior safra já registrada, em parte devido ao clima favorável nas regiões produtoras e ao aumento da área plantada de cana, de acordo com traders e analistas reunidos durante a Semana do Açúcar em Nova York.

As usinas também estão convertendo uma quantidade recorde de cana em açúcar este ano, em detrimento do etanol.

As exportações crescentes do Brasil nos próximos meses devem amenizar as preocupações com o abastecimento global, após déficits consecutivos que elevaram os preços por cinco anos seguidos, a maior sequência de alta desde 1989. O movimento também trará alívio em um momento em que grandes países importadores na Ásia e no Oriente Médio ainda enfrentam carência de estoques.

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“Ninguém achava que o Brasil poderia exportar tanto”, disse Marcelo de Andrade, diretor de commodities agrícolas da Cofco International, ressaltando que muitos traders estavam errados em suas previsões anteriores.

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As estimativas discutidas durante as reuniões desta semana em Nova York apontam para um aumento na produção de açúcar no Brasil em relação ao previsto anteriormente.

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Os apresentadores da Semana do Açúcar incluíram as empresas Alvean Sugar, Louis Dreyfus e Marex Group. A maior região de cultivo de cana do Brasil, o Centro-Sul, deverá produzir entre 41 milhões e 42,5 milhões de toneladas, próximo ao recorde histórico.

Os plantios de cana-de-açúcar no Brasil também são maiores do que inicialmente previsto. Alguns traders apontam para um aumento de 3% a 4% neste ano. Isso ocorre porque mais cana foi deixada intacta nos campos no ano passado, disse Ricardo Carvalho, diretor comercial da BP Bunge Bioenergia.

“O panorama está longe das condições de pânico que tínhamos antes”, disse Tom McNeill, diretor da consultoria Green Pool Commodity Specialists.

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É uma reviravolta em relação ao ano passado, quando o açúcar atingiu máximas históricas dia após dia, devido a imensos engarrafamentos nos portos brasileiros que impediram que os suprimentos chegassem aos países consumidores. Em novembro, os contratos futuros de açúcar bruto foram negociados no patamar mais alto em mais de uma década.

Desde então, os futuros caíram cerca de 30% à medida que os temores se dissiparam. O clima ameno permitiu tanto uma boa colheita quanto um bom desenvolvimento da cana para a nova temporada.

“O Brasil está de volta ao jogo de uma forma que não víamos há muitos anos”, disse Carlos Murilo Barros de Mello, chefe do setor de açúcar para as Américas na empresa de gestão de riscos Hedgepoint Global Markets.

Apesar de trazer alívio, a crescente safra brasileira também significa maior dependência do mercado de um único país, já que o segundo maior produtor, a Índia, não deve exportar de forma significativa por mais um ano.

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O país do sul da Ásia só deve retomar os embarques de forma expressiva na safra que começa na segunda metade de 2025, disse Kiran Wadhwana, diretor da corretora Comdex India.

Até lá, o mundo dependerá principalmente do Brasil, o que ele considera um “grande risco”, especialmente porque a maior parte do açúcar é embarcada por um único porto.

As restrições na Índia também significam que os mercados globais estarão principalmente equilibrados este ano, sem excesso de estoques. A consultoria Datagro espera um superávit global de apenas 1,6 milhão de toneladas para o novo ano-safra, o que não é grande considerando que os estoques globais estão em níveis historicamente baixos.

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