Novo CEO da Disney vê apostas em Epic e OpenAI sofrerem reveses na 1ª semana no cargo

Reveses incluem demissões na Epic Games e o fim do Sora, da OpenAI, que também encerra parceria bilionária com a Disney em meio à aposta em novas tecnologias

D’Amaro assumiu o cargo em 18 de março, substituindo Bob Iger. (Foto David Paul Morris/Bloomberg)
Por Christopher Palmeri - Thomas Buckley
25 de Março, 2026 | 08:26 AM

Bloomberg — O novo CEO da Walt Disney, Josh D’Amaro, está há menos de uma semana no cargo e já viu duas apostas tecnológicas de bilhões de dólares enfrentarem reveses — uma delas foi completamente descontinuada.

Na terça-feira, a Epic Games anunciou a demissão de 1.000 funcionários após novas versões de seu principal videogame não conseguirem engajar os fãs.

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A Disney havia investido US$ 1,5 bilhão na empresa há dois anos, em um projeto para criar um universo digital totalmente novo conectado a seus personagens e histórias.

Horas depois, a OpenAI informou o encerramento do Sora, seu gerador de vídeo com inteligência artificial, encerrando também uma parceria com a Disney que previa um investimento de US$ 1 bilhão em ações e o uso da tecnologia para criação de conteúdo.

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O fechamento do Sora ocorre em meio a um esforço da OpenAI para simplificar sua linha de produtos.

D’Amaro assumiu o cargo em 18 de março, substituindo Bob Iger. Na reunião anual da companhia, no mesmo dia, delineou uma estratégia para tornar a Disney mais conectada aos fãs, em parte por meio da adoção de novas tecnologias.

Segundo ele, o Disney+ deve se tornar um portal de engajamento não apenas com filmes e séries, mas também com jogos e experiências.

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A meta, afirmou, é oferecer uma experiência “mais conectada, personalizada e imersiva” aos consumidores, onde e quando quiserem interagir com a empresa.


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As ações da Disney fecharam em queda de 1,6% na terça-feira.

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O acordo com a Epic havia sido liderado pelo próprio D’Amaro, então responsável pelos parques temáticos, produtos de consumo e negócios de jogos da empresa.

À época do anúncio, a Disney apresentou ilustrações de um ambiente digital que remetia a um parque temático, e o executivo passou a atuar como observador no conselho da Epic.

Em memorando a funcionários e fãs, o fundador da Epic, Tim Sweeney, afirmou que a queda no engajamento levou a empresa a gastar mais do que arrecadava. Segundo ele, cerca de US$ 500 milhões em cortes de custos devem posicionar a companhia para “grandes planos de lançamento no final do ano”, sem detalhar o projeto com a Disney.

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A parceria com o Sora era vista como uma iniciativa relevante entre um estúdio tradicional de Hollywood e novas tecnologias de IA — um campo que gera preocupações na indústria sobre perda de empregos e uso indevido de propriedade intelectual.

Há quatro meses, a Disney havia anunciado planos para permitir que fãs criassem vídeos curtos com seus personagens, a partir de comandos simples em um aplicativo.

Cerca de 200 personagens, incluindo da Marvel, estariam disponíveis, com trajes e veículos, e parte do conteúdo poderia ser exibida no próprio Disney+.

Após o encerramento do Sora, a Disney afirmou que a inteligência artificial é um campo nascente, sujeito a mudanças rápidas, e disse que continuará explorando parcerias com plataformas de IA para desenvolver novas formas de engajamento com o público.

D’Amaro ainda pode buscar novos parceiros no segmento. Empresas como Runway AI, Pika AI e Google desenvolvem tecnologias semelhantes ao Sora.

--Com a ajuda de Seth Fiegerman.

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