Na Porsche, queda de 50% desde o IPO mostra desafio de reconquistar o mercado

Ações estavam a caminho de sua pior semana desde a listagem em 2022, em evidência renovada da dificuldade da fabricante de modelos esportivos em melhorar os resultados. Novo CEO, Michael Leiters, é a esperança da vez para os investidores

Fabricante de modelos esportivos icônicos, a Porsche não mostra o mesmo desempenho de destaque em seus resultados operacionais e financeiros
Por Isolde MacDonogh
16 de Janeiro, 2026 | 10:52 AM

Bloomberg — Foi outra semana ruim para as ações de fabricantes de automóveis da Europa. E, em particular, para a Porsche.

As ações do fabricante do mítico 911 na Bolsa de Frankfurt estavam encaminhadas para sua pior semana de todos os tempos, com uma queda de 10%.

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Mas estão inseridas em um contexto de desempenhos mais fracos do setor de forma ampla, cuja queda não foi controlada nem evitada durante a maior parte dos últimos dois anos.

As dificuldades da Porsche não são diferentes das do setor europeu como um todo - vendas em declínio na China, alertas sobre lucros abaixo do anteriormente previstos e entusiasmo cada vez menor por veículos elétricos.

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As ações da fabricante alemã caíram cerca de 7,4% em 2026, após uma sequência de três anos de quedas de dois dígitos após sua oferta pública inicial de 2022.

A Porsche - cujas entregas globais tiveram a maior queda em 16 anos em 2025 - também tem desafios específicos, incluindo a troca da maioria dos membros de seu conselho e a tentativa de promover cortes de custos.

Ações da Porsche ficaram muito aquém de benchmarks europeus mais amplos desde o começo de 2025

De acordo com o analista da Oddo BHF, Anthony Dick, uma conversa com o diretor financeiro da Porsche, Jochen Breckner, na conferência do German Investment Seminar, realizada nesta semana em Nova York, foi “ainda mais conservadora” do que as comunicações anteriores.

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Ao reduzir suas estimativas, Dick observou que a Porsche ainda passa por uma “grande reestruturação”, dizendo que a lucratividade foi afetada desde o IPO. Este ano e o próximo “deverão ser anos de transição”, escreveu ele em uma nota.

A Porsche não quis comentar.

Desmembrada da Volkswagen em 2022, a Porsche saiu do DAX, índice de referência da Alemanha, no ano passado, enquanto enfrentava vários desafios.

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As ações caíram 49% desde seu IPO e os investidores estão observando atentamente o que pode vir a seguir.

“O fluxo de caixa livre precisa aumentar significativamente, embora seja improvável que a China melhore neste ano”, disse Moritz Kronenberger, gestor de portfólio da Union Investment, em referência ao mercado-chave para a Porsche.

Nos próximos 24 meses, “espera-se uma melhora nos indicadores financeiros. Caso contrário, o múltiplo de longo prazo será questionado”.

A maioria dos analistas acompanhados pela Bloomberg parece estar “em cima do muro”: a ação tem cinco classificações de compra, 13 classificações de retenção e 11 recomendações de venda, uma grande inversão em relação ao ano passado, quando quase 60% dos analistas estavam otimistas.

Ainda assim, o sentimento melhorou desde que a empresa nomeou Michael Leiters como novo CEO em outubro de 2025. Ele começou a trabalhar neste mês, pondo fim a um controverso papel duplo de CEO para Oliver Blume, que continuará a chefiar a controladora Volkswagen.

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Os analistas da Bernstein, liderados por Stephen Reitman, chamaram a Porsche de seu “curinga”: a mudança para um CEO em tempo integral com experiência na Ferrari e na McLaren Automotive ofereceria “espaço para otimismo” e esperanças de maior urgência quando se trata de melhorar o desempenho.

Entretanto até mesmo eles destacaram que permaneceram “confortavelmente” abaixo do consenso para 2026.

A dificuldade de compensar os volumes dos modelos Macan e 718 a combustão com alternativas elétricas será “cada vez mais evidente ao longo do ano, levando a possíveis rebaixamentos do consenso”, escreveu a equipe de Reitman.

-- Com a colaboração de Paul Jarvis e Monica Raymunt.

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