Bloomberg — A concessionária italiana Enel deve anunciar um foco maior na Europa e nos Estados Unidos em uma atualização de estratégia na próxima semana, em uma tentativa de garantir retornos estáveis, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News.
A concessionária expandiu-se globalmente nas últimas décadas, construindo uma presença significativa na América Latina, entre outros mercados.
Agora, é provável que canalize capital principalmente para a Europa e certos estados dos EUA para aproveitar um ambiente político e regulatório mais estável, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas, pois o plano ainda não foi divulgado.
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As concessionárias europeias estão cada vez mais focadas em mercados que oferecem retornos previsíveis no longo prazo, particularmente em redes de energia reguladas — uma área de crescimento importante em meio à transição energética.
À medida que as empresas destinam bilhões de euros para atualizações de rede muito necessárias, elas se beneficiam de uma visibilidade mais clara dos preços da energia tanto na Europa quanto nos EUA, onde a regulamentação estadual determina os retornos permitidos e a recuperação de custos.
Um porta-voz da Enel se recusou a comentar o plano estratégico antes de sua apresentação na segunda-feira (23), durante o dia dos mercados de capitais da empresa.
Algumas concessionárias europeias têm enfrentado dificuldades em outros mercados nos últimos anos.
No Brasil, por exemplo, o governo instruiu o órgão regulador do setor a revisar uma concessão da Enel em São Paulo após tempestades terem causado interrupções prolongadas no fornecimento de energia. A empresa também enfrentou problemas com uma licença no Chile, novamente após cortes de energia.
A América Latina continuará fazendo parte do portfólio da Enel, de acordo com as pessoas, que afirmaram que a mudança de estratégia não indica uma retirada abrupta de nenhuma região.
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Também é verdade que as estruturas políticas nos mercados dos EUA e da Europa não são imutáveis. Ainda neste mês, um plano do governo italiano para retirar os custos do carbono das contas de energia elétrica provocou uma forte queda nos preços futuros. A medida poderia comprimir as margens da Enel, prejudicando as perspectivas de lucros, embora ainda precise da aprovação da União Europeia.
Entre outras concessionárias que estão recalibrando sua estratégia, a espanhola Iberdrola divulgou no ano passado um programa de investimentos de € 58 bilhões, com foco na distribuição de eletricidade em países onde as regulamentações são consideradas mais favoráveis.
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