Marcelo Paiva, da Sigma, diz que empresa gera caixa e vai quitar dívida com a Synergy

Declarações do co-presidente do conselho à Bloomberg News buscam amenizar as preocupações com a liquidez da mineradora, que chamou a atenção de investidores ao paralisar sua única mina em operação para modernizar equipamentos

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Bloomberg — A Sigma Lithium está gerando caixa suficiente para quitar integralmente um empréstimo importante até o final do ano, afirmou o co-presidente do conselho da empresa brasileira em declarações que podem amenizar as preocupações com a liquidez.

A linha de crédito de US$ 100 milhões vence por volta de dezembro, quatro anos após ter sido assinada com a Synergy Capital, acionista da Sigma sediada nos Emirados Árabes Unidos.

O empréstimo, que ajudou a financiar expansões, representa a maior parte da dívida total da mineradora, de US$ 134 milhões ao fim do primeiro trimestre, de acordo com uma apresentação publicada em junho.

“A empresa está produzindo, está gerando caixa”, disse Marcelo Paiva em entrevista à Bloomberg News. “Esse empréstimo tem um custo de dívida alto, então não temos interesse em sua renovação”, afirmou, acrescentando que a Synergy é um “acionista importante” e uma “excelente contraparte”.

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A Sigma passou a atrair atenção crescente de analistas e investidores desde outubro, quando anunciou a paralisação temporária de sua única mina em operação para modernizar equipamentos e substituir um prestador de serviços. A mineradora também enfrenta ações movidas pelo Ministério Público relacionadas aos supostos impactos da mina sobre comunidades próximas. As ações da empresa caem 22% no ano.

O complexo Grota do Cirilo da empresa, localizado no chamado Vale do Lítio, no Brasil, é um dos maiores depósitos de lítio em rocha dura do mundo e inclui uma planta de processamento adjacente.

Embora tenha sido menor em relação aos trimestres anteriores devido à atualização da mina, a produção da empresa no segundo trimestre superou o guidance em 6%, informou a Sigma em comunicado na semana passada.

A mineradora registrou fluxo de caixa livre negativo no primeiro trimestre, mas, desde então, tem se beneficiado de pagamentos antecipados decorrentes de contratos de venda de concentrado de lítio. Em 15 de maio, a Sigma possuía US$ 28 milhões em caixa, seu maior saldo desde o final de 2024.

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A linha de crédito da Synergy é garantida pelos ativos da Sigma Brasil, incluindo a penhora de suas ações, e por uma garantia corporativa que permanecerá em vigor até o cumprimento de determinadas condições de liberação.

Veterano do mercado financeiro, Paiva é sócio-gestor da A10 Investimentos, gestora que cofundou com a presidente-executiva da Sigma, Ana Cabral, em 2013.

Maior acionista da Sigma por meio de um de seus fundos, a A10 aumentou recentemente sua participação por meio de compras no mercado, mantendo, no entanto, sua fatia abaixo de 5% das ações. O fundo considera que a Sigma está subavaliada em relação aos pares, citando seu desempenho operacional e perspectivas de crescimento.

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A companhia recebeu apoio estatal em 2024 por meio de um financiamento climático de R$ 487 milhões, com prazo de 16 anos, concedido pelo BNDES para ampliar sua planta. O projeto quase dobrará a capacidade de produção para 520 mil toneladas métricas de concentrado por ano.

Em abril, a Sigma informou que havia obtido uma garantia bancária que lhe permitia utilizar o financiamento. No entanto, nenhum recurso foi desembolsado porque a empresa ainda não cumpriu todas as condições, informou o BNDES em resposta por e-mail à Bloomberg News.

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“Neste momento, o Banco está avaliando novas informações encaminhadas pela empresa para deliberar sobre o prosseguimento do contrato de financiamento,” disse o BNDES.

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