M&A da beleza: Estée Lauder negocia compra da Puig para criar gigante de US$ 20 bi

Aquisição pode unir marcas como Carolina Herrera e Rabanne e ampliar disputa com a L’Oréal, enquanto analistas veem ganho de escala, mas apontam risco de desalinhamento com foco em fragrâncias de nicho

Paco Rabanne fragrances.
Por Jeannette Neumann - Clara Hernanz Lizarraga
24 de Março, 2026 | 07:29 AM

Bloomberg — A Estée Lauder informou que está em negociações para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria uma gigante dos cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.

As empresas não quiseram dar detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem um valor de mercado de cerca de € 9 bilhões (US$ 10,4 bilhões).

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A aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, a L’Oréal.

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Para a Puig, que gerou cerca de € 5 bilhões em vendas no ano passado, a mudança ocorre após a desaceleração do crescimento e o rebaixamento das estimativas de lucros que derrubaram suas ações desde uma oferta pública inicial em 2024.

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As ações da Puig subiram até 17% na terça-feira no pregão de Madri, seu maior salto já registrado. As ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.

“A aquisição potencial da Puig desviaria a Estée Lauder de seu rumo”, de acordo com analistas do Barclays, liderados por Lauren R. Lieberman, que disseram que a empresa com sede em Barcelona não se enquadra na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de se concentrar em fragrâncias de nicho e de preço luxuoso, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.


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As ações da Estée Lauder subiram no ano passado devido ao otimismo em relação a uma estratégia de reviravolta sob o comando do CEO Stephane de la Faverie.

Ainda assim, o aumento mais recente do guidance da empresa de beleza deixou os investidores desanimados.

De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.

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A Puig também está passando por grandes mudanças, tendo anunciado recentemente um novo CEO.

Marc Puig, membro da família fundadora, renunciou a essa função, permanecendo como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.

A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.

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As ações da empresa estavam 37% abaixo de seu preço de IPO no fechamento da segunda-feira.

Resultados iniciais abaixo do esperado e a preocupação dos investidores com a forte dependência de fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita — pressionaram as ações.

“Estamos surpresos com o fato de a família Puig abrir mão da independência e do controle majoritário”, disse Céline Pannuti, analista do JPMorgan, em uma nota, acrescentando que acreditava que “poderia surgir um interesse potencial de outros participantes do setor”.

Riscos de integração

A Estée Lauder tem um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary.

A adição da Puig, que é proprietária das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente atrairia algumas perguntas de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente marcas adicionais, já que a empresa está em meio a uma reviravolta.

De la Faverie tem se concentrado em transferir o varejo das marcas da empresa para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa evitou durante anos devido a preocupações de que isso mancharia seu prestígio de alta qualidade.

A empresa também tem vendido itens de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de compradores.

Em uma função anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder. As vendas da unidade tiveram um bom desempenho em meio a um aumento mais amplo da demanda pós-pandemia.

O possível acordo para comprar a Puig é provavelmente uma aposta na força contínua desses itens.

Um acordo também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal da França, que superou a Estée Lauder nos EUA.

A L’Oreal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos de beleza dermatológicos com marcas como a CeraVe.

O Financial Times informou sobre o possível acordo na segunda-feira.

--Com a ajuda de Joe Easton.

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