Itaú retorna 23% ao ano ao acionista em cinco anos. E é sustentável, diz CEO

Milton Maluhy Filho diz a jornalistas que a tendência de criação de valor irá se refletir no valuation do maior banco do país no longo prazo. Ação renova o all-time high e faz o market cap se aproximar do patamar inédito de R$ 500 bilhões

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Bloomberg Línea — O foco na consistência tem sido um dos mantras do CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho desde que assumiu o comando do maior banco do país.

E não foi diferente ao comentar com analistas e jornalistas os resultados divulgados na noite de quarta-feira (4).

O Itaú entregou novamente um resultado considerado robusto pelo mercado e em linha com o consenso das expectativas: o banco somou um lucro líquido recorde de R$ 12,26 bilhões no quarto trimestre.

A distribuição dos lucros entre os acionistas é também um dos fatores que mantém o Itaú como top pick do setor do ponto de vista do sell side.

Desde o início da gestão de Maluhy, há cinco anos, o Itaú distribuiu R$ 105 bilhões em proventos - um payout de 58%.

“A valorização da nossa ação somada aos dividendos pagos e reinvestidos no período dá um retorno ao acionista próximo a 23% ao ano nos últimos cinco anos – um retorno muito alto", afirmou Maluhy a jornalistas na quinta-feira (5).

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O Itaú não faz projeções sobre o patamar de retorno que o acionista pode esperar a partir de 2026, mas o CEO reforçou que o resultado é sustentável e que há espaço para manter o ritmo que tem sido apresentado nos últimos anos.

“Nós antevemos uma rentabilidade muito em linha com o que já estamos entregando. Estamos muito confortáveis e confiantes com o desempenho do banco, apesar de este ser claramente um ano com mais incertezas.”

Analistas projetam que o lucro acumulado do Itaú para 2026 deve ficar em aproximadamente R$ 50,6 bilhões, considerando o ponto médio a partir do guidance fornecido para algumas das principais métricas de negócios do banco.

Se esse cenário se concretizar, o resultado ficaria acima dos R$ 46,83 bilhões apurados ao longo do ano passado.

Um dos pontos de aceleração para este ano deve ser o crédito.

O Itaú Unibanco projeta crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5% ao longo deste ano – com um ponto médio de 7,5%, também acima dos 6% de expansão registrada no ano anterior.

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Maluhy reforçou que não há nenhum segmento específico da carteira que terá mais protagonismo no ano. A frente de grandes empresas, no entanto, pode passar por um momento de maior volatilidade diante do cenário eleitoral e das expectativas para o mercado de capitais.

Ao longo do último ano, o Itaú revisou o guidance duas vezes, elevando as projeções para a margem financeira com clientes e com o mercado, o que resultou em um saldo final de R$ 2 bilhões a mais que o inicialmente estimado.

Questionado sobre uma possível reprecificação do valuation das ações – dado o fluxo crescente de investidores estrangeiros para o Brasil em janeiro e a continuidade do momento do Itaú, Maluhy preferiu não fazer projeções.

“Nosso trabalho é aumentar a criação de valor. No longo prazo, imaginamos que isso se reflete no valuation da companhia”, disse.

As ações do Itaú subiram 2% na quinta-feira (5) após a divulgação do balanço, para R$ 45,52 – máxima histórica, o que confere ao banco um valor de mercado aproximado de R$ 485 bilhões. Em 12 meses, a ação avançou 50%.

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