Inter aposta em linhas de crédito com garantias em cenário de juro alto, diz CEO

Em entrevista à Bloomberg News, João Vitor Menin afirma que o banco mudou o foco em seu plano de expansão no Brasil; ‘Quando vemos uma piora de tendência, nós reduzimos o nosso apetite a risco’, disse ele

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Bloomberg — O banco Inter (INTR), cujas ações caem neste ano diante de temores do mercado com a piora do ciclo de crédito no Brasil, disse que está mudando o foco de concessões para linhas com garantias em seu plano de expansão no Brasil.

“Quando vemos uma piora de tendência, nós reduzimos o nosso apetite a risco”, disse o cofundador e CEO global do banco, João Vitor Menin, em entrevista concedida à Bloomberg News em Nova York.

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O Inter está protegendo a carteira ao priorizar linhas de crédito com garantias, como o consignado, a antecipação do saque-aniversário do FGTS, antecipação de recebíveis e empréstimos com garantia de imóvel.

A estratégia é a oposta da adotada por nomes como o Nubank (NU), que continuam tendo linhas sem garantias como alavanca.

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O Brasil deve continuar com juros elevados por pelo menos mais dois anos, independentemente de quem vencer a eleição presidencial de outubro, disse Menin.

Ações do Inter & Co (INTR)

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Com os juros altos ainda pesando sobre a qualidade de crédito, alguns investidores passaram a ter uma visão mais pessimista com bancos como o Inter, cujas ações caíram mais de 10% ao longo do último ano. O Citi reduziu a recomendação dos papéis de compra para neutra neste mês.

“Com baixa visibilidade à frente e os frutos mais imediatos já incorporados, acreditamos que a próxima etapa de entregas pode ser mais desafiadora”, Gustavo Schroden, analista do Citi, escreveu em nota enviada a clientes.

Novo objetivo

O banco digital tem uma nova meta, que chama de “regra dos 50”, disse Menin, explicando que a métrica combina crescimento de receita e retorno sobre patrimônio líquido.

Com a receita crescendo até 35% ao ano e o ROE próximo de 15%, o banco está próximo de atingi-la, disse ele, adicionando que a regra vai direcionar a companhia pelos próximos três ou quatro anos.

O plano divulgado anteriormente pelo Inter, o “60-30-30”, buscava chegar a 60 milhões de clientes, a um índice de eficiência de 30% e a um ROE também de 30% em 2027.

“Não queremos apenas um ROE de 30% e um índice de eficiência de 30%”, disse Menin. “Queremos um negócio que tenha escala”.

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O Inter agora espera que o custo de risco fique entre 5,5% e 6%, acima do intervalo anterior entre 5% e 5,5%, de acordo com o CEO.

O banco está mais conservador na concessão de limites de cartão de crédito, especialmente para novos clientes, a respeito dos quais tem menos dados.

O banco tem cerca de 44 milhões de clientes e está adicionando cerca de 650.000 ao mês. Muitos também utilizam bancos digitais rivais, frequentemente para complementar os limites de crédito, disse Menin.

Ainda assim, o Inter quer manter mais da vida financeira destes clientes em sua plataforma, que tem mais de 180 produtos incluindo investimentos, seguros e um shopping online.

Investidores estrangeiros também ficaram mais interessados em Brasil e América Latina, disse Menin. A base de acionistas do Inter tinha cerca de 60% de brasileiros e 40% de estrangeiros, mas esta relação se inverteu no último ano.

O Brasil ainda é o principal mercado do Inter, mas o banco está expandindo os serviços para clientes que buscam acesso a produtos financeiros globais.

Cerca de seis milhões de clientes abriram uma conta global no banco, e o volume de ativos nas contas de investimento nos Estados Unidos ultrapassou os US$ 2 bilhões, disse Menin.

O banco está testando um produto similar na Argentina, antes de lançá-lo a uma base mais ampla após a Copa do Mundo, que termina em julho.

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