Preferimos mirar a realidade, diz Pedro Franceschi sobre venda bilionária da Brex

CEO e cofundador diz à Bloomberg TV que a fintech vai dar um salto de crescimento com o capital e a estrutura do banco em áreas como P&D e marketing e rejeita apego a valuations do passado: ‘tudo converge para a bolsa’

Pedro Franceschi, cofundador e CEO da Brex: 'uma das coisas em que acreditamos na Brex é que a realidade é a melhor métrica'
Por Bloomberg News
25 de Janeiro, 2026 | 12:11 PM

Bloomberg — A Brex, fintech de cartões e produtos corporativos fundada pelos empreendedores brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras no Vale do Silício, ganhou os holofotes globais do mercado de venture capital nesta semana que passou com a sua venda ao Capital One por US$ 5,15 bilhões.

O que foi classificado como o maior deal já realizado entre um banco e uma fintech despertou atenção de investidores, analistas e empreendedores por diferentes aspectos.

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Um deles foi o valor do negócio, que representou um “desconto” de 58% em relação aos US$ 12,3 bilhões de sua última rodada de captação privada, anunciada em outubro de 2021, momento em que a taxa de juros nos Estados Unidos estava no intervalo entre zero e 0,25%, versus o atual patamar de 3,50% a 3,75%.

Questionado pelos jornalistas Ed Ludlow e Caroline Hyde, em entrevista ao programa Bloomberg Tech, na quinta-feira (22) depois do anúncio do negócio, o CEO Pedro Franceschi minimizou a diferença de valores nessa comparação.

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Segundo o executivo e empreendedor, a integração da Brex com o Capital One vai acelerar materialmente o mercado acessado pela companhia e o desenvolvimento de produtos em ritmo que seria inacessível para uma empresa privada, ou até mesmo de capital aberto.

“Acreditamos de verdade que estamos aqui para construir a plataforma financeira mais importante para as empresas nos EUA”, disse Franceschi ao explicar a decisão de vender em vez de permanecer mais tempo sem abrir capital.

A venda da Brex ao Capital One marca um caso raro de riqueza construída por brasileiros no Vale do Silício.

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Mais de uma década depois de Eduardo Saverin se tornar bilionário como um dos cofundadores mais relevantes do Facebook, Franceschi e Dubugras seguiram trajetória semelhante, desta vez no segmento de fintechs corporativa.

A Brex foi fundada em 2017 e atraiu grandes fundos e investidores, como Tiger Global, Peter Thier e Max Levchin, cofundadores do PayPal, GIC (fundo soberano de Singapura), Ribbit Capital e Greenoaks, entre outros, em sua trajetória.

Múltiplo acima de pares listados

O CEO disse que a Brex foi avaliada com um múltiplo de 13 vezes que representa um prêmio sobre concorrentes listados em bolsas americanas.

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“Quando nós olhamos para empresas de capital aberto que estão no setor de fintechs, elas estão negociando entre 8x, 9x, 10x, talvez 11x. Essa aquisição representa um múltiplo de 13 vezes, portanto, é um enorme prêmio em relação a empresas listadas [que são pares] hoje”, afirmou.

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Franceschi também foi assertivo ao ser questionado sobre se não valeria mais a pena continuar a crescer de forma privada e buscar retomar o valuation do passado.

“Uma coisa que aprendemos é que os valuations de 2021 se deram em um ponto muito específico no mercado privado”, disse.

Enxergar a realidade

“Uma das coisas em que acreditamos na Brex é que times que melhor enxergam a realidade vencem. Gostamos de administrar a empresa de uma forma que reflita para onde tudo eventualmente converge, que é o mercado público”, completou.

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“Acreditamos que empresas privadas que se espelham em um valuation de um momento específico passado eventualmente esquecem que tudo converge para os mercados públicos”, disse o brasileiro, sem apontar nominalmente qualquer caso.

Franceschi disse que, sob a perspectiva dos mercados públicos, “tomamos muitas decisões em torno da forma como aceleramos o crescimento nos últimos anos, buscamos o segmento enterprise, nos tornamos uma empresa com fluxo de caixa positivo, e essa combinação de fatores fez com que houvesse um resultado realmente especial”.

“Quando comparamos onde a Brex está hoje com o ponto em que muitos pares que fizeram IPO e outras empresas que seguem privadas estiveram, achamos que esse é um resultado realmente empolgante e diferente."

O CEO também revelou números concretos que, em sua visão, justificam a venda.

“O Capital One tem um orçamento de marketing de US$ 6 bilhões. A Brex tem uma fração disso, menos de 1% disso hoje”, comparou. “Só imagine a distribuição e a capacidade de alcançar e servir milhões de empresas nos EUA.”

No front tecnológico, a mesma diferença de ordem de valores se repete. “O Capital One tem um orçamento de US$ 6 bilhões em P&D também”, destacou Franceschi.

A combinação desses recursos, que incluem a capacidade de distribuição, o balanço patrimonial e a expertise do Capital One em aliar uso de dados com tecnologia, com a visão da Brex, segundo o executivo, vai gerar uma aceleração significativa dos negócios da fintech. “É uma combinação muito única.”

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“Quando você combina isso com o roadmap de produto e a visão que temos na Brex, acreditamos que vamos acelerar esse momentum tremendamente.”

Para os clientes corporativos, sejam os que já estão na base do Capital One, da Brex e os futuros, afirmou o executivo, os ganhos serão diretos.

“O benefício para os clientes será um produto muito melhor, um roadmap muito mais robusto e uma aceleração do nosso desenvolvimento comparado ao que poderíamos fazer de forma independente”, ressaltou o brasileiro.

Franceschi também fez questão de explicar o que realmente o motiva na operação.

“A verdadeira razão pela qual estou tão empolgado com a próxima fase da Brex é porque este é o começo de construirmos a maior e, acredito, a mais importante plataforma [financeira] para empresas”, concluiu.

“No fim do dia, trata-se de construir algo muito maior do que poderíamos como uma startup sozinha.”

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-- Com edição da Bloomberg Línea.

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