Bloomberg Línea — Diante da evolução da carteira de pedidos da Embraer (EMBJ3) na aviação comercial, agentes do mercado veem um aumento da competitividade da companhia frente a importantes players, como a Airbus.
A fabricante brasileira anunciou nesta segunda-feira (23) um acordo com a Finnair, da Finlândia, para a aquisição de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo 18 pedidos firmes, 16 opções e 12 direitos de compra.
Segundo comunicado, o E195-E2 substituirá a frota mais antiga da Finnair.
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Na visão do analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, o pedido da companhia aérea finlandesa fortalece a carteira comercial da Embraer, principalmente porque o pedido se concentra na nova geração de aeronaves da brasileira.
“O que [o mercado] tinha de dúvida do case da Embraer era justamente a divisão comercial. O E195-E2 é o avião mais moderno do portfólio da companhia, e em uma região estratégica como a nórdica, onde a aviação regional é muito forte, esse pedido pode significar a expansão da Embraer para outros mercados ou pares da Finnair", disse o analista em entrevista à Bloomberg Línea.
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Ele acrescenta que, após esse pedido, companhias aéreas da região passam a ver a Embraer com outros olhos. “A chegada de pedidos firmes da nova família de aeronaves da fabricante é justamente o que faltava para termos mais certeza do bom momento da Embraer.”
Segundo a fabricante brasileira, o E2 é até 35% mais econômico em combustível em relação à geração anterior de E190 operados pela Finnair. A configuração da cabine encomendada é sem assentos do meio.
“Este é um dos maiores investimentos nos 102 anos de história da Finnair e um passo decisivo em nossa estratégia. O E2 nos permitirá fortalecer nossa malha na Europa e aproveitar novas oportunidades de crescimento no mercado”, disse o CEO da companhia aérea, Turkka Kuusisto, em comunicado.
Analistas do Citi afirmaram em relatório que a decisão marca uma mudança estratégica da Finnair em relação à Airbus e “reforça a crescente competitividade da Embraer no segmento de aeronaves de fuselagem estreita [narrow-body] de médio porte”.
O relatório destaca que o E2 superou recentemente o Airbus A220 em vendas.
As entregas das aeronaves têm início previsto para o segundo semestre de 2027 e a encomenda será adicionada à carteira de pedidos da Embraer do primeiro trimestre de 2026.
Segundo o Citi, isso proporciona visibilidade de médio prazo para as receitas do segmento de aviação comercial da brasileira. Os analistas observaram que as ações da Embraer tiveram um desempenho de queda recentemente, em meio aos riscos relacionados ao conflito no Oriente Médio.
“Nesse contexto, o anúncio de hoje é marginalmente positivo para as ações, reforçando a competitividade da Embraer em jatos regionais e destacando a demanda contínua das principais companhias aéreas europeias”, diz o relatório.
Os analistas do BTG Pactual estimam que o valor do pedido, não informado, pode chegar a aproximadamente US$ 4 bilhões (com base em preço de lista).
“Entendemos que esse pedido de aeronaves de nova geração, mais eficientes, sinaliza um início de redução dos riscos associados às preocupações com os impactos das tensões no Oriente Médio sobre a rentabilidade das companhias aéreas e os planos de crescimento de capacidade”, escreveram os analistas do banco em relatório.
Eles acrescentaram que o pedido é “mais uma validação da plataforma E2″, algo particularmente relevante no último ano. “A Embraer ainda possui um backlog robusto que garante entregas para os próximos anos.”
O BTG ressaltou que o pedido evidencia a proposta de valor do E2 para voos dentro da Europa e reforça a presença da Embraer na região escandinava, após pedidos relevantes registrados no ano passado, incluindo E2s para a Scandinavian Airlines (SAS) e o modelo de defesa KC-390 para o governo da Suécia.
O conflito no Oriente Médio vem impactando o setor de aviação, diante do aumento do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação (QAV). Neste contexto, o BTG aponta o desempenho negativo das ações da Embraer nas últimas semanas.
“Vemos esse anúncio como evidência de que os pedidos marginais tendem a se concentrar em aeronaves mais eficientes em consumo de combustível e de nova geração”, escreveram os analistas.
Os efeitos serão positivos também para aeronaves com menor prazo de entrega, permitindo expansão de capacidade de curto prazo em mercados principais e não afetados, diferentemente do que tem ocorrido no Oriente Médio, salientou o BTG.
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