Bloomberg Línea — O carioca João Fonseca, de 19 anos, fez história no domingo (31) ao avançar às quartas de final de Roland Garros, o Grand Slam disputado em Paris. Após uma batalha de quase quatro horas contra o norueguês Casper Ruud, ele se tornou o brasileiro mais jovem a ir tão longe em um dos quatro torneios mais importantes do tênis mundial, quebrando um jejum do tênis masculino nacional que durava 22 anos, desde a era de Gustavo Kuerten.
O protagonismo em quadra acelera um fenômeno de audiência que tem a ESPN como principal vitrine e ímã para marcas de diversos setores no Brasil.
Segundo o canal esportivo do grupo Disney e principal transmissor do tênis no Brasil, o esporte soma 51 milhões de fãs declarados no país, registrou audiência recorde no canal em 2025 e viu o número de praticantes dobrar na última década. A procura por aulas cresceu 25% só no último ano.
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A vitória de João Fonseca contra Novak Djokovic na terceira fase de Roland Garros, na última sexta-feira (29), bateu recordes de audiência na TV paga pela ESPN, segundo noticiou o jornal Folha de S.Paulo.
A idolatria renovada em Paris chegou ao mercado publicitário. A ESPN fechou o pacote de patrocínio do tênis integralmente pelo terceiro ano seguido, com 16 marcas anunciantes e crescimento de 53% no faturamento.
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Em quatro anos, a receita do esporte no canal cresceu cinco vezes. Os números foram revelados por Giselle Ghinsberg, head de Disney Ad Sales and Partnership, área responsável por vendas publicitárias e parcerias comerciais do grupo no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.
Ghinsberg descreve o tênis dentro da Disney como ecossistema. A distinção explica por que marcas de setores tão distintos quanto montadoras, fintechs e empresas de energia dividem o mesmo portfólio (Renault, Engie, CRM Bonus, Grupo Souza Lima, QI Tech, Ademicon e Seara Gourmet) e por que nenhuma saiu. “Você não vê turnover acontecendo”, disse ela.
O modelo opera em duas frentes. A ESPN cobre o modelo linear, a TV por assinatura tradicional, enquanto o Disney+ responde pelo streaming.
Os dois canais entregam públicos distintos: o fã mais antigo acompanha na TV fechada; a audiência mais jovem e feminina consome no streaming, no horário e no dispositivo que preferir. São 23 mil horas de transmissão por ano. “A gente tem o melhor dos dois mundos”, afirmou Ghinsberg.
Para sustentar a promessa de público qualificado às marcas, a Disney oferece brand lift (estudos que medem a variação na percepção do consumidor após uma campanha) no ambiente de streaming, além de dados coletados diretamente de sua base de usuários.
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A cota com ativação presencial tem valor adicional sobre o pacote de mídia, embora Ghinsberg não tenha revelado o percentual. “A marca não pode vir aqui comprar só o projeto da experiência”, explicou. “A gente vende na complementariedade de todos os pontos de contato.”
A estratégia presencial ganha forma no próximo final de semana (dias 6 e 7), quando a ESPN promove o Tênis Core Experience no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O encerramento do evento, no domingo, coincide com a grande final masculina de Roland Garros.
O evento corporativo é fechado ao público geral e receberá 1.200 convidados no total, sendo 600 por dia, reunindo anunciantes, parceiros comerciais, criadores de conteúdo e influenciadores.
É a terceira edição do formato, depois do Super Bowl Watch Party e da estreia durante o torneio de Wimbledon de 2025, no Reino Unido. As sete marcas patrocinadoras não apenas anunciam: participam da criação das experiências dentro do evento.
Para ampliar a cobertura, a Disney reforçou o elenco. Filipe Andreoli, apresentador com trajetória no entretenimento, estreia no tênis neste Roland Garros. Marcelo Demoliner, ex-tenista recém-contratado, já produz conteúdo nas redes sociais da ESPN antes de aparecer na tela. Bruno Soares, um dos maiores duplistas brasileiros da história, completa o time.
Esse modelo de eventos deve expandir seu alcance geográfico e abraçar novas modalidades.
Sem abrir detalhes sobre os próximos destinos ou esportes que ganharão experiências ao vivo, Ghinsberg projeta um avanço agressivo no setor. “Você pode esperar cada vez mais do que a gente chama de Sport Entertainment”, afirma.
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