Bloomberg — O bilionário brasileiro David Feffer é mais conhecido por comandar o império de papel e celulose Suzano, um grupo industrial familiar que tem suas raízes há mais de um século.
Agora ele está aplicando suas habilidades executivas em um novo empreendimento filantrópico: a fotografia contemporânea.
Feffer está em captação de fundos para um instituto de arte conhecido como ViaFoto, localizado no Baixo Pinheiros, em São Paulo.
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Depois de investir o suficiente para manter o espaço cultural em funcionamento nos dois primeiros anos, o executivo e presidente da ViaFoto busca US$ 15 milhões para criar um fundo patrimonial autossustentável para torná-lo permanente, com uma ampla base de interessados.
A ViaFoto representa uma mudança na filantropia brasileira, pois vai além do patrocínio corporativo de eventos chamativos, como corridas de carros, e aposta em um modelo de fundo patrimonial privado, uma estrutura que é mais conhecida no exterior como endowment.
Iniciativas corporativas como a Fundação Novo Nordisk, da Dinamarca, e universidades de elite dos Estados Unidos, como Harvard, apresentam fundos patrimoniais autossustentáveis.
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Ao aplicar uma mentalidade corporativa, Feffer busca replicar o Instituto Moreira Salles, repleto de arte, apoiado por uma das famílias por trás do Itaú Unibanco e bem estabelecido no Brasil como um pilar cultural.
“Gosto de fazer as coisas andarem, de fazer as rodas girarem”, disse Feffer em uma entrevista à Bloomberg News, ao acrescentar que o empreendimento na área de fotografia é uma “startup” que exige um tipo de trabalho muito diferente do que presidir a empresa fundada por seu avô.
“Nosso desafio é que queremos que o instituto sobreviva e precisamos ter a garantia de que teremos um recurso permanente.”

O conselho do instituto reflete o alcance de Feffer na elite empresarial e cultural do Brasil.
Entre os membros estão José Olympio Pereira, ex-presidente do Banco J. Safra que possui décadas de experiência filantrópica, inclusive com a Fundação Bienal de São Paulo; o magnata da mídia José Roberto Marinho; e o barão da indústria têxtil Ricardo Steinbruch, irmão do magnata do aço Benjamin Steinbruch.
“Faltam espaços positivos, e ter um dedicado à fotografia é sensacional”, disse Olympio.
O interesse renovado de Feffer pela fotografia remonta a uma câmera Nikon que sua esposa lhe deu há cerca de uma década, segundo ele.
Em busca de uma configuração mais leve, mais tarde ele mudou para uma máquina da Sony.
“Não faço nada pela metade”, disse ele, uma filosofia que aplica tanto em sua função na Suzano, como presidente do conselho, quanto na Viafoto.

O instituto acaba de inaugurar uma exposição com trabalhos de 35 artistas, com curadoria de Marcello Dantas e Luciana Brafman.
Chamada de “Fotos que nunca serão postadas”, a exposição foi concebida para afastar os visitantes das mídias sociais.
Os telefones celulares são guardados em armários na entrada e buscam levar o público a um encontro “off-line” com imagens cuidadosamente colocadas atrás de cortinas.
“Trata-se de dar aos artistas a liberdade de se expressar sem censura e dar aos espectadores a escolha do que eles querem ver”, disse Dantas.
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