Demanda por voos internacionais favorece expansão da Airbus em LatAm, diz VP

Fabricante francesa avalia que companhias aéreas locais podem ganhar market share em segmento dominado por estrangeiras, em particular europeias, disse o VP para América Latina e Caribe, Damien Sternchuss, à Bloomberg Línea

AIRBUS
14 de Janeiro, 2026 | 03:47 PM

Bloomberg Línea — A demanda por voos de longo curso na América Latina – especialmente no Brasil – se mantém elevada, o que favorece encomendas de aeronaves de maior porte, de acordo com executivos da Airbus.

Trata-se de uma fatia valiosa do mercado dominada por companhias aéreas estrangeiras, mas com espaço para crescimento das operadoras locais, afirmou o vice-presidente da Airbus para América Latina e Caribe, Damien Sternchuss.

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“Acreditamos que as operadoras locais podem conquistar uma fatia maior de mercado com modelos [de aeronaves] mais eficientes para atrair essa demanda”, afirmou o executivo em entrevista à Bloomberg Línea após evento promovido em São Paulo nesta terça-feira (13).

O executivo disse que, na América Latina e no Caribe, cerca de 90% das aeronaves em serviço da aviação comercial são as chamadas “narrow-bodies” (ou single-aisles, de corredor único, na tradução do inglês), que geralmente comportam de 100 a 250 assentos, a depender da configuração encomendada pelo cliente.

Esse porte de avião atende a rotas locais e regionais. “Essa proporção deve permanecer no futuro”, avaliou.

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Leia mais: Mais aviões e novas rotas: Iberia reforça o foco para crescer no Brasil e em LatAm

Os outros 10% são os chamados “widebodies” (fuselagem larga), que frequentemente comportam dois corredores.

Segundo o executivo, na região, a fatia da Airbus no segmento single-aisle é de 59%. Ele disse que a demanda por modelos maiores (widebody), como das famílias A330 e A350, deve avançar nos próximos anos.

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“A demanda pelas rotas internacionais segue em crescimento, com o número de passageiros na América Latina e Caribe ainda maior do que o registrado no pré-pandemia.”

A fabricante francesa atende 17 clientes na região, como Latam, Azul, Avianca e Volaris.

“O tráfego de passageiros deve dobrar nos próximos 20 anos na região, com muitas oportunidades nos voos de curto, médio e longo curso”, disse Sternchuss.

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A Airbus projeta ainda que, até 2044, a demanda por novas aeronaves no mercado latino-americano como um todo alcance 2.660 unidades, dos quais 2.440 do tipo single-aisle.

Crescimento no Brasil

Do volume total de pedidos de aeronaves na América Latina e na região (backlog), a fatia da Airbus hoje supera dois terços e chega a 69%, relatou Sternchuss, seguida da Boeing (20%) e da Embraer (11%).

Nesse contexto, o executivo destacou a importância do mercado brasileiro, em que a Airbus detém 50% de market share na aviação comercial.

“Queremos manter a liderança no Brasil e temos todos os ingredientes para aumentar a atuação localmente.”

Damien Sternchuss VP Airbus

Ele ressaltou o fato de que a maioria dos voos internacionais da região é atendida por companhias aéreas europeias, que têm uma oferta maior de assentos. “Isso é uma oportunidade para as empresas latinas.”

Para a Airbus, o Brasil é o maior mercado da região, seguido do México. Nesse país, Sternchuss afirmou que há uma grande atuação de companhias aéreas de baixo custo. “Essas empresas são atendidas pelas famílias A320 e A321, que entregam economia e custo unitário reduzido.”

Segundo o executivo, outro país cujo setor aéreo segue em crescimento é a Colômbia. “Vemos uma demanda cada vez maior por aeronaves no país, assim como no Chile, que também é muito dinâmico.”

Ele acrescentou que a demanda na Argentina segue em expansão, o que já se traduz em pedidos. “A JetSmart está crescendo localmente com a família A320, especialmente o A321.”

Na visão de Sternchuss, o principal desafio para o setor aéreo é elevar a oferta de assentos com resiliência. “É aí que nós, como fabricantes de aeronaves, precisamos trazer capacidade para o mercado, aumentando a escala de produção.”

Consolidação do setor

O VP da Airbus disse que, nos últimos 20 anos, houve um movimento amplo de consolidação das companhias aéreas no mundo, especialmente em meio a crises como a da pandemia de covid-19.

“É algo que podemos ver na América Latina. Embora seja cedo para falar sobre o tema, com o avanço da demanda por voos e a busca contínua de eficiência pelas companhias aéreas, às vezes elas precisam unir forças para garantir mais competitividade. Isso deve continuar a acontecer”, disse Sternchuss.

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