Bloomberg Línea — A demanda por voos de longo curso na América Latina – especialmente no Brasil – se mantém elevada, o que favorece encomendas de aeronaves de maior porte, de acordo com executivos da Airbus.
Trata-se de uma fatia valiosa do mercado dominada por companhias aéreas estrangeiras, mas com espaço para crescimento das operadoras locais, afirmou o vice-presidente da Airbus para América Latina e Caribe, Damien Sternchuss.
“Acreditamos que as operadoras locais podem conquistar uma fatia maior de mercado com modelos [de aeronaves] mais eficientes para atrair essa demanda”, afirmou o executivo em entrevista à Bloomberg Línea após evento promovido em São Paulo nesta terça-feira (13).
O executivo disse que, na América Latina e no Caribe, cerca de 90% das aeronaves em serviço da aviação comercial são as chamadas “narrow-bodies” (ou single-aisles, de corredor único, na tradução do inglês), que geralmente comportam de 100 a 250 assentos, a depender da configuração encomendada pelo cliente.
Esse porte de avião atende a rotas locais e regionais. “Essa proporção deve permanecer no futuro”, avaliou.
Leia mais: Mais aviões e novas rotas: Iberia reforça o foco para crescer no Brasil e em LatAm
Os outros 10% são os chamados “widebodies” (fuselagem larga), que frequentemente comportam dois corredores.
Segundo o executivo, na região, a fatia da Airbus no segmento single-aisle é de 59%. Ele disse que a demanda por modelos maiores (widebody), como das famílias A330 e A350, deve avançar nos próximos anos.
“A demanda pelas rotas internacionais segue em crescimento, com o número de passageiros na América Latina e Caribe ainda maior do que o registrado no pré-pandemia.”
A fabricante francesa atende 17 clientes na região, como Latam, Azul, Avianca e Volaris.
“O tráfego de passageiros deve dobrar nos próximos 20 anos na região, com muitas oportunidades nos voos de curto, médio e longo curso”, disse Sternchuss.
A Airbus projeta ainda que, até 2044, a demanda por novas aeronaves no mercado latino-americano como um todo alcance 2.660 unidades, dos quais 2.440 do tipo single-aisle.
Crescimento no Brasil
Do volume total de pedidos de aeronaves na América Latina e na região (backlog), a fatia da Airbus hoje supera dois terços e chega a 69%, relatou Sternchuss, seguida da Boeing (20%) e da Embraer (11%).
Nesse contexto, o executivo destacou a importância do mercado brasileiro, em que a Airbus detém 50% de market share na aviação comercial.
“Queremos manter a liderança no Brasil e temos todos os ingredientes para aumentar a atuação localmente.”
Ele ressaltou o fato de que a maioria dos voos internacionais da região é atendida por companhias aéreas europeias, que têm uma oferta maior de assentos. “Isso é uma oportunidade para as empresas latinas.”
Para a Airbus, o Brasil é o maior mercado da região, seguido do México. Nesse país, Sternchuss afirmou que há uma grande atuação de companhias aéreas de baixo custo. “Essas empresas são atendidas pelas famílias A320 e A321, que entregam economia e custo unitário reduzido.”
Segundo o executivo, outro país cujo setor aéreo segue em crescimento é a Colômbia. “Vemos uma demanda cada vez maior por aeronaves no país, assim como no Chile, que também é muito dinâmico.”
Ele acrescentou que a demanda na Argentina segue em expansão, o que já se traduz em pedidos. “A JetSmart está crescendo localmente com a família A320, especialmente o A321.”
Na visão de Sternchuss, o principal desafio para o setor aéreo é elevar a oferta de assentos com resiliência. “É aí que nós, como fabricantes de aeronaves, precisamos trazer capacidade para o mercado, aumentando a escala de produção.”
Consolidação do setor
O VP da Airbus disse que, nos últimos 20 anos, houve um movimento amplo de consolidação das companhias aéreas no mundo, especialmente em meio a crises como a da pandemia de covid-19.
“É algo que podemos ver na América Latina. Embora seja cedo para falar sobre o tema, com o avanço da demanda por voos e a busca contínua de eficiência pelas companhias aéreas, às vezes elas precisam unir forças para garantir mais competitividade. Isso deve continuar a acontecer”, disse Sternchuss.
Leia também
CEO da Embraer diz que crise de supply chain ‘acabou’, mas mantém projeção cautelosa
Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização
Para Lamborghini, mercado não está pronto para superesportivo 100% elétrico, diz CEO









