Bloomberg — A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está perto de atingir o quórum necessário para um acordo de troca de títulos antes do prazo final de segunda-feira (10), mesmo com alguns investidores pressionando por condições melhores, disseram pessoas a par do assunto à Bloomberg News.
A CSN ofereceu aos detentores de seus títulos a opção de trocar as notas emitidas pela CSN Inova Ventures com vencimento em 2028, que somam cerca de US$ 1,3 bilhão em circulação e pagam um cupom de 6,75%, por novos títulos com vencimento em 2030 e cupom de 11%, emitidos ao valor de face, de acordo com um documento protocolado em 30 de julho. Os novos títulos, a serem emitidos no exterior pela CSN Inova, totalizarão até US$ 970 milhões.
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Os atuais títulos da empresa em dólar com vencimento em 2028 estão rendendo cerca de 28% no mercado secundário, segundo dados compilados pela Bloomberg, o que torna menos atraente uma oferta com cupom de 11%, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as conversas são privadas.
Eles pressionam por um rendimento maior, além de cláusulas contratuais (covenants) mais favoráveis, para concordar com a operação, acrescentaram as pessoas.
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A CSN (CSNA3) está focada em convencer os detentores de posições menores a apoiar a proposta, com reuniões previstas para os próximos dias, disse uma das pessoas. Segundo uma das pessoas, a adesão já supera 60%, enquanto outra afirmou que o quórum está em torno de 65%, ainda abaixo dos 70% necessários.
A empresa não respondeu a pedidos de comentário.
A siderúrgica informou que garantirá os novos títulos e fará um pagamento em dinheiro de até US$ 330 milhões aos detentores dos títulos existentes que participarem da oferta. A previsão é que o negócio seja fechado em 10 de agosto, com a liquidação em 12 de agosto.
Pressões crescentes
Empresas brasileiras têm enfrentado uma série de contratempos e quedas acentuadas nos preços de seus títulos, com muitas sofrendo sob o peso de uma taxa de juros de dois dígitos.
Os títulos em dólar da CSN estão entre os papéis corporativos de mercados emergentes com pior desempenho neste ano. Os títulos com vencimento em 2028 acumulam uma perda de 11,5% para os investidores no ano, enquanto um índice que acompanha a dívida corporativa de mercados emergentes registrou retorno de cerca de 1,7%.
A companhia enfrentado pressão com os elevados custos de financiamento e de capital e busca vender ativos, incluindo sua operação de cimento, para reduzir o endividamento e fortalecer o balanço.
Qualquer revés na venda do negócio de cimento complicaria ainda mais a situação do grupo. Na semana passada, a CSN informou que espera registrar um prejuízo líquido de até R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, além de um aumento da dívida e de uma elevação moderada da alavancagem até 30 de junho.
As ações acumulam queda de quase 50% neste ano, atingindo o nível mais baixo em mais de uma década depois que a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa na semana passada para “CCC+”, mantendo-a sob observação para possíveis novos rebaixamentos.
O papel é um dos que apresentam pior desempenho no Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, em 2026.
Embora a Fitch não considere a proposta de troca dos títulos de 2028 uma operação de distressed debt exchange, a agência afirmou que a piora da flexibilidade financeira da CSN, a persistente queima de caixa e os elevados riscos de refinanciamento “são compatíveis com a categoria ‘CCC’”.’”.
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