Credores da Raízen pedem injeção ‘substancial e significativa’ de capital, dizem fontes

Detentores de títulos e credores argumentam que capitalização proposta por Cosan, Shell e BTG é insuficiente e estimam necessidade de até R$ 25 bilhões para estabilizar a empresa, segundo fontes falaram à Bloomberg News; Cosan, FTI, Bradesco e Itaú não comentaram, e Santander, JPMorgan e Moelis não responderam

Bancos como o Banco Santander, o Banco Bradesco, o Itau Unibanco Holding e o JPMorgan Chase estavam entre os que assinaram as cartas
Por Cristiane Lucchesi - Rachel Gamarski
25 de Fevereiro, 2026 | 07:39 AM

Bloomberg — Detentores de títulos e credores bancários da Raízen, produtora de açúcar e etanol, enviaram cartas aos seus principais acionistas, Cosan e Shell, pedindo uma injeção de capital “substancial e significativa”, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News.

Bancos como o Banco Santander, o Banco Bradesco, o Itau Unibanco Holding e o JPMorgan Chase estavam entre os que assinaram as cartas, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações privadas.

PUBLICIDADE

A consultoria FTI Consulting assinou em nome de alguns bancos, enquanto a Moelis também assinou representando os detentores de títulos, disseram as pessoas.

A Cosan não quis comentar, assim como a FTI, o Bradesco e o Itaú. O Santander, o JPMorgan e o Moelis não responderam imediatamente às mensagens pedindo comentários.

Leia também: Raízen: Cosan e Shell articulam aporte de R$ 5,5 bi de fundos do BTG, dizem fontes

PUBLICIDADE

Em um comunicado, a Shell disse que está trabalhando com a Raízen e a Cosan para encontrar uma solução sustentável para todas as partes interessadas. “Como acionista, reconhecemos os desafios financeiros significativos que atualmente afetam a Raízen e a gravidade deles”, disse a empresa sediada em Londres.

A Raízen precisa de novos financiamentos depois de ter sido pressionada por altas taxas de juros, colheitas mais fracas do que o esperado e uma série de investimentos ambiciosos que ainda não geraram retornos significativos. Sua classificação de crédito foi reduzida e os títulos despencaram com a deterioração de sua situação financeira.

Alguns credores estão cada vez mais preocupados com o sacrifício que precisariam fazer sob as propostas que estão sendo discutidas entre o Banco BTG Pactual, a Cosan e a Shell, disseram as pessoas.

PUBLICIDADE

Últimas conversas

A Bloomberg informou na segunda-feira que a Shell e a Cosan, além do fundador da Cosan, Rubens Ometto, estão discutindo um plano para injetar até R$ 5 bilhões (US$ 970 milhões) em capital e para que fundos de private equity gerenciados pelo BTG adquirissem uma participação no negócio de distribuição da empresa, com uma porcentagem da dívida total da Raízen sendo convertida em capital.

Os credores disseram que a injeção de capital em consideração é muito pequena, e que a empresa precisa de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões, de acordo com as pessoas.

Leia também: Bancos contratam FTI como assessor financeiro para a dívida da Raízen, dizem fontes

PUBLICIDADE

Os credores argumentam que a Raízen não deveria ser dividida em uma situação de pressão como essa, e que tal movimento poderia deixá-los mais expostos ao negócio de produção menos lucrativo, disseram as pessoas. A Shell também resistiu à ideia de uma cisão, disse uma das pessoas.

Alguns credores dizem que a Shell e a Cosan são empresas lucrativas com caixa suficiente para injetar até 12 bilhões de reais em capital - especialmente depois de receber 18 bilhões de reais em dividendos da Raízen nos últimos 10 anos.

Com esse montante, as duas poderiam ser âncoras em uma oferta pública de ações, atraindo outros investidores para oferecer de 5 bilhões a 8 bilhões de reais - o suficiente, na opinião deles, para estabilizar a empresa.

Acordo na Argentina

A Raízen está próxima de um acordo para vender uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina por cerca de 1 bilhão de dólares. Isso e outros desinvestimentos poderiam completar a capitalização, disseram as pessoas.

Os credores não veem a necessidade de sua dívida ser convertida em capital, como os acionistas estão discutindo, disseram as pessoas.

O BTG Pactual Holding, um veículo de investimento para sócios do banco, investiu 4,5 bilhões de reais na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Enquanto Ometto mantém o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% via Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos após o negócio, com quase 25%.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Demora de controladores da Raízen pesou na perda de rating, segundo a Fitch

Raízen tem baixa contábil de R$ 11 bilhões com crise e piora do crédito