Consolidação do setor aéreo poderia reduzir o custo de capital, diz CEO da Azul

As companhias aéreas latino-americanas têm enfrentado grandes dificuldades desde a pandemia, em meio à pouca ajuda dos governos da região ao setor

John Rodgerson, CEO da Azul: executivo não quis comentar sobre processos “ativos” de M&As
Por Vinícius Andrade e Giovanna Bellotti Azevedo
16 de Maio, 2024 | 03:48 PM

Bloomberg — Uma consolidação do setor aéreo reduziria o custo de capital para as companhias latino-americanas, resultando em melhores serviços para os clientes, disse o CEO da Azul (AZUL4), John Peter Rodgerson.

“Sempre acreditamos muito na consolidação”, disse Rodgerson em entrevista à Bloomberg News em Nova York na quarta-feira (15). “O produto melhora para os clientes e pode realmente fortalecer um grande mercado no Brasil que vemos hoje.”

Rodgerson não quis comentar sobre processos “ativos” de fusões e aquisições. A Azul explora uma fusão com a Gol (GOLL4), com negociações em andamento para um possível acordo com o acionista controlador da companhia aérea rival em dificuldades, disseram pessoas com conhecimento do assunto à Bloomberg News há alguns meses.

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As companhias aéreas latinas têm enfrentado grandes dificuldades desde a pandemia, já que os governos de toda a região ofereceram pouca ajuda ao setor.

Avianca, Latam Airlines e Grupo Aeromexico entraram com recuperação judicial nos Estados Unidos em 2020. Já a brasileira Gol pediu recuperação no final de janeiro.

O CEO da Azul reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir um plano para usar fundos públicos como garantia para empréstimos, dando às companhias aéreas algum espaço para respirar.

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Ele disse que o governo compreende a importância de proporcionar alívio da dívida e trabalha ativamente numa solução, que deverá surgir “dentro de alguns meses”.

“Se você tiver acesso ao crédito com um custo de capital menor, isso permitirá que as tarifas sejam mais baratas e que mais aeronaves sejam compradas”, disse Rodgerson. “Quando converso com o governo brasileiro, essas são as coisas mais importantes.”

Perspectivas de crescimento

Rodgerson também reafirmou a previsão de Ebitda da empresa para o ano, mesmo com as companhias aéreas sendo atingidas pela desvalorização do real, pelo aumento dos custos dos combustíveis e pelas enchentes que devastaram a região sul do país.

O estado do Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 8% da rede da Azul, com cerca de dois terços dela atualmente fora de serviço devido às fortes chuvas que deixaram pelo menos 140 mortos. O aeroporto da capital Porto Alegre ficou submerso e ainda não tem data prevista para reabertura.

O Ebitda da empresa deve totalizar cerca de R$ 6,5 bilhões em 2024, um aumento de 25% em relação ao ano passado, e sua relação dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses deve cair para cerca de 3 vezes, dos atuais 3,7 vezes.

A Azul tem um título de US$ 68 milhões com vencimento no quarto trimestre e pretende pagá-lo em dinheiro, disse Rodgerson.

“A companhia aérea tem o dobro do tamanho de antes da pandemia em termos de receita”, disse ele. “Temos mais dívidas, mas hoje somos uma companhia aérea muito maior.”

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-- Com a colaboração de Rachel Gamarski e Martha Beck.

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