CEO da Azul diz que consolidação do setor aéreo seria positiva para o mercado

John Rodgerson disse nesta segunda (13) que é preciso olhar para exemplos de outros países; declarações ocorrem em meio a rumores sobre uma negociação da empresa com a Gol

Azul
13 de Maio, 2024 | 05:21 PM

Bloomberg Línea — O CEO da Azul (AZUL4), John Rodgerson, afirmou nesta segunda-feira (13) que uma consolidação do setor aéreo seria positiva para o mercado brasileiro. A declaração ocorre em meio a especulações sobre uma possível negociação entre a companhia e a concorrente Gol (GOLL4).

“Uma consolidação ajudaria a captar dinheiro, servir mais pessoas, ajudaria a economia de mercado. Isso é saudável”, afirmou Rodgerson em entrevista a jornalistas.

Ele acrescentou que, dentro desta discussão, é preciso olhar para o exemplo de outros países, como Canadá, Inglaterra e Portugal. “Nos Estados Unidos, por exemplo, houve megafusões [no setor]. Mercados saudáveis pagam mais impostos.”

O CFO Alex Malfitani ponderou, entretanto, que a empresa não vai comentar sobre uma eventual união entre a Azul e a Gol, conforme reportou a Bloomberg News, porque “não tem nada sobre a mesa”.

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Questionado sobre a necessidade de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para uma eventual união entre as duas companhias, Rodgerson não quis comentar sobre o tema.

A Gol entrou em processo de Chapter 11 nos Estados Unidos (equivalente à recuperação judicial no Brasil) em janeiro deste ano.

Para Rodgerson , a Gol segue “forte” no Brasil. “Temos uma concorrente forte no mercado, colocando voos todos os dias”, disse.

John Rodgersondfd

O executivo ponderou que, hoje, o mercado brasileiro está aquecido, diferentemente do cenário em que se encontravam as aéreas em 2020, quando a Latam entrou em processo de Chapter 11 nos Estados Unidos.

“São momentos diferentes, a Latam entrou [em Chapter 11] quando ninguém estava voando. Já a Gol entrou neste ano, quando a demanda está forte e faltam aeronaves, peças e motores no mercado internacional, nesse momento está tudo muito atrasado na cadeia de aeronaves”, esclarece.

Rodgerson salientou que, independentemente do Chapter 11 da concorrente, a Azul está crescendo em seus hubs de atuação. “Não vejo a gente tirando clientes deles para a nossa malha. A sobreposição de Gol e Latam é de quase 100%, a nossa [com a Gol] é muito baixa, de quase 20%.”

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No primeiro trimestre, a Azul elevou ligeiramente a sua oferta (medida em assentos disponíveis por quilômetro, ou ASK, no jargão do setor) em 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Malfitani lembrou que a Azul saiu de um market share de “zero”, em 2008, para 30% atualmente. “Esses 30% não vieram às custas de Gol e Latam. Hoje, nós temos o menor custo unitário do setor.”

Balanço trimestral

De janeiro a março, a Azul registrou prejuízo líquido de R$ 1,11 bilhão, ante perdas de R$ 322,2 milhões um ano antes. No critério ajustado, o prejuízo no período foi de R$ 324,2 milhões, uma redução das perdas em relação a igual intervalo de 2023, quando o resultado foi negativo em R$ 727,6 milhões. Segundo a companhia, o desempenho se deve a despesas de câmbio e monetárias.

Já a receita líquida da aérea foi recorde para um primeiro trimestre, de R$ 4,67 bilhões, alta de 4,5% sobre igual período do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 1,41 bilhão, ante R$ 1,03 bilhão um ano antes.

Analistas da XP afirmaram em relatório que a Azul teve um resultado consistente no primeiro trimestre, em meio à demanda forte. “Além disso, a empresa sinaliza um desempenho operacional positivo à frente, implicitamente apoiado pela manutenção do seu guidance de Ebitda de R$ 6,5 bilhões para o ano fiscal de 2024.”

Malfitani afirmou que, neste ano, o Ebitda vai continuar crescendo e que a alavancagem deve ficar mais baixa do que no pré-pandemia. “Tivemos o luxo de não precisar [pedir] Chapter 11, saímos do choque [da pandemia] com as próprias pernas.”

Rio Grande do Sul

Rodgerson afirmou que o Rio Grande do Sul representa cerca de 10% da oferta da Azul, mas que, por ora, não há mudanças no guidance de voos da companhia para o ano em razão da tragédia no estado.

O executivo acredita que o aeroporto que serve a capital deve voltar a operar. “Se não voltar diretamente em Porto Alegre, deve voltar em Caxias ou Santa Maria. Talvez tenhamos que realocar algumas aeronaves”, disse.

Ele acrescentou que a Azul já fez 33 voos humanitários, com doações, para o estado, com auxílio do Itaú (ITUB4) para pagar o combustível. “Voo de carga é muito caro, precisamos fazer voos comerciais para ajudar mais gente.”

O executivo defendeu a abertura da Base Aérea de Canoas, na região metropolitana, para operação comercial. “Se tivermos voos comerciais em Canoas, podemos trazer alívio mais rapidamente”, destacou.

Juliana Estigarríbia

Jornalista brasileira, cobre negócios há mais de 12 anos, com experiência em tempo real, site, revista e jornal impresso. Tem passagens pelo Broadcast, da Agência Estado/Estadão, revista Exame e jornal DCI. Anteriormente, atuou em produção e reportagem de política por 7 anos para veículos de rádio e TV.