Bloomberg — A EssilorLuxottica registrou alta de 18% nas vendas do quarto trimestre, impulsionada por um boom na demanda por óculos com inteligência artificial que superou com folga as estimativas de analistas.
A receita somou € 7,6 bilhões (US$ 9 bilhões) no período de fim de ano, informou a maior fabricante de óculos do mundo em comunicado divulgado na quarta-feira (11). Analistas consultados pela Bloomberg projetavam crescimento superior a 11%, na mesma base de câmbio constante utilizada pela companhia.
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Os óculos inteligentes Ray-Ban Meta e Oakley, desenvolvidos em parceria com a Meta Platforms (META), vêm ganhando tração entre consumidores, colocando as empresas na liderança da categoria de tecnologia vestível.
A EssilorLuxottica não detalhou o lucro do quarto trimestre, mas informou ter vendido mais de 7 milhões de pares de óculos com IA em 2025.
O que diz a Bloomberg Intelligence
A EssilorLuxottica superou as expectativas com crescimento generalizado das vendas no 4º trimestre, ajudando a amenizar a frustração com a margem Ebit de 2025, que ficou em 15,7% ante consenso de 16,1%, impactada por tarifas e pelo efeito dilutivo do rápido crescimento dos óculos com IA
Diana Gomes, analista sênior
Os custos para ampliar rapidamente a produção elevaram preocupações entre investidores sobre as margens da companhia. A empresa buscou tranquilizar o mercado, afirmando que os óculos com IA não deverão comprometer as margens de forma permanente.
“Para os próximos cinco anos, estamos comprometidos em entregar crescimento sólido de receita, com o lucro operacional ajustado avançando em ritmo amplamente alinhado”, afirmaram no comunicado o CEO Francesco Milleri e o vice-CEO Paul Du Saillant.

No acumulado de 2025, o lucro operacional ajustado cresceu 6,8%, para € 4,5 bilhões, também acima das estimativas de analistas.
Ainda assim, tarifas e o aumento das vendas de óculos com IA pressionaram as margens, com impacto mais forte no segundo semestre. No ano cheio, a margem ajustada ficou em 16%, 70 pontos-base abaixo de 2024 em base de câmbio constante, informou a empresa.
Em janeiro, a Meta anunciou que adiou a expansão internacional do modelo mais recente do Meta Ray-Ban Display, de US$ 799, lançado nos EUA em setembro, devido à escassez de oferta. A Bloomberg informou no mesmo mês que a Meta buscava dobrar a capacidade de produção para 20 milhões de unidades ou mais neste ano.
“Acredito que teremos capacidade, interna ou externamente, para atender à demanda que enfrentaremos nos próximos anos, e estamos planejando isso em estreita parceria com a Meta”, disse o diretor financeiro da EssilorLuxottica, Stefano Grassi, em teleconferência com analistas, sem fornecer detalhes adicionais.
“Esperamos, em linha com o que vimos nos últimos anos, um mix de preços em alta como resultado da inovação de produtos”, acrescentou.
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Segundo Jean Danjou, analista da Oddo BHF, a companhia adotou um tom cauteloso em relação às margens de 2026. “Tarifas e câmbio continuarão pesando em 2026, e o peso crescente dos óculos conectados também deverá ter impacto dilutivo.”
O crescimento das vendas, escreveu em nota, provavelmente superará o avanço do lucro antes de juros e impostos em 2026, assim como ocorreu em 2025, embora uma recuperação das margens seja esperada posteriormente.
Sob a liderança de Milleri, que também preside o conselho, a EssilorLuxottica tem investido em uma série de inovações no segmento óptico, alavancando sua capacidade de pesquisa e manufatura por meio de redes varejistas como LensCrafters e Sunglass Hut.
O avanço foi observado em todas as regiões e incluiu iniciativas em áreas como controle da miopia e armações com recursos auditivos integrados.
As vendas na América do Norte avançaram 24% no quarto trimestre, enquanto Europa e Ásia registraram crescimento superior a 10% na base de câmbio constante.
-- Com a colaboração de Elena Popina.
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