Bloomberg Línea — Após anos fora do radar de feiras e grandes eventos corporativos, concentrados por décadas na zona norte e na zona sul, a região central de São Paulo volta a atrair investimentos. Um aporte de R$ 22 milhões em um novo espaço na Avenida Paulista marca a tentativa de capturar a demanda por eventos corporativos e privados, de diferentes tamanhos, em regiões centrais da cidade.
O grupo por trás do Parque Mirante, local de eventos no entorno do Allianz Park, decidiu apostar no projeto que combina capital intensivo, dois espaços e expectativa de retorno em até três anos. Batizado de Jardim Nacional, o empreendimento marca a chegada do grupo a um dos endereços mais disputados da cidade, com foco em eventos corporativos de médio e grande porte.
O investimento será feito em um espaço dentro do Conjunto Nacional, edifício tombado inaugurado em 1958, em um contrato de locação de dez anos, com preferência de renovação.
A tese de investimento parte de um diagnóstico do mercado. Segundo o grupo de investidores, o Brasil realiza cerca de 15.000 eventos corporativos por mês, enquanto São Paulo carece de espaços capazes de acomodar formatos maiores e mais customizáveis.
“Faltam espaços de vão livre, com cerca de 1.000 metros quadrados e pé-direito alto. Para construir um espaço desse porte, o investimento é alto, e o mercado acaba indo para eventos menores”, afirmou Fernando Ximenes, sócio do grupo ao lado de Thiago Armentano e Thomaz Rothmann, em entrevista à Bloomberg Línea.
Leia também: Como o Anhembi se tornou um ativo único no portfólio desta gigante global de eventos
Com eventos agendados para estreia neste mês de fevereiro, o Jardim Nacional passa a integrar a estratégia de capturar a demanda com esta aposta em localização, agenda livre e flexibilidade de formato para compensar o alto investimento inicial.
“O investimento é alto, com um imóvel alugado, mas com o nosso expertise a gente começa a entender que valeria a pena”, disse Ximenes.

O Jardim Nacional foi estruturado em dois salões independentes. O principal, com cerca de 1.500 metros quadrados de área de evento e 500 metros quadrados de hall, opera no modelo de “casa vazia”, no qual o grupo aluga o espaço e permite que marcas e agências escolham fornecedores de cenografia, técnica e alimentação.
Esse modelo, segundo Ximenes, é um diferencial competitivo em um mercado onde a maioria das casas verticaliza serviços.
“A gente faz o contrário do que quase todas as casas fazem. A gente aluga o chão, o espaço vazio, e dá poder para a agência e para a marca escolherem seus fornecedores. Isso aumenta muito a demanda”, disse.
Leia também: Este empresário captou US$ 2 bi para comprar eventos. O Madrid Open é só o começo
O segundo salão, menor, foi desenhado para eventos de até 300 pessoas, em um formato “plug and play”, no qual o grupo entrega o evento pronto, com serviços de alimentação, bebida e estrutura já incluídos. Diferentemente do salão principal, esse modelo é uma aposta nova para a empresa e ainda está em fase de teste.
“O nosso business plan é muito voltado para o espaço grande. O espaço pequeno é uma novidade, a gente vai viver ele um pouco para entender os retornos”, afirmou.

A expectativa divulgada pelo grupo é realizar, em um cenário otimista, cerca de 120 eventos por ano no salão principal e até 240 no espaço menor, número viabilizado pela possibilidade de realizar dois eventos no mesmo dia no formato compacto. Para que o investimento de R$ 22 milhões se pague em até três anos, no entanto, a ocupação necessária é menor.
“A gente precisa de cerca de 96 eventos por ano no espaço grande. Esse número a gente vai entregar, isso é um fato”, disse Ximenes. No caso do salão menor, a meta é mais agressiva e funciona também como um teste de demanda, segundo ele.
A confiança do grupo na tese de retorno se apoia no histórico recente de execução. No Parque Mirante, projeto inaugurado após a pandemia com investimento aproximado de R$ 16 milhões, o breakeven foi alcançado em cerca de 18 meses de operação. “A gente sempre trabalha com a ideia de 18 a 24 meses. Três anos é o cenário mais seguro”, afirmou.
Leia também: Adeus, TED Talks: empresário aposta em novo modelo de evento corporativo em SP
Além da locação para eventos corporativos, o grupo atua também em hospitalidade de alto padrão para jogos e shows, por meio da marca Backstage Mirante, um negócio separado, com faturamento maior, mas margens menores, devido ao custo operacional elevado.
“Na locação de espaços, eu tiro imposto e despesa e praticamente não tenho custo operacional no dia do evento. A margem é maior. Na hospitalidade, o faturamento é maior, mas a margem é menor”, explicou.
A estratégia de crescimento, no entanto, segue cautelosa no segmento de espaços físicos. Segundo Ximenes, o grupo não busca expansão em série e só avança quando encontra uma combinação específica de localização, estrutura e apelo histórico ou visual. “A gente fica esperando a venue perfeita aparecer. Não é uma expansão forçada”, disse.
No caso do Jardim Nacional, o fator histórico pesou na decisão. O espaço foi originalmente concebido como salão de eventos quando o Conjunto Nacional foi projetado, em 1958, vocação que agora está sendo retomada após anos de desuso. As obras levaram cerca de 16 meses e envolveram restauração de elementos originais do edifício.
Leia também
São Paulo dribla crise global da vida noturna, com novos bares e clubes no centro
Grupo com 13 restaurantes aposta em cortes nobres para crescer fora da Faria Lima









